Combate Cultural Brasileiro

De todas as frentes e investidas progressistas que tiveram lugar no século XX, a principal, uma vez que gestaria o domínio nos demais campos (ideológico, acadêmico, político, econômico e social) é definitivamente a cultura. A brasileira padeceu de perversa infiltração gramsciana já nos anos 1970. O entusiasmo da academia com a Semana de 1922, redescrita como “Revolução” e “marco cultural nacional”, testemunha-o.

Antes de adentrar nos meandros da cultura brasileira hoje, vale a pena se livrar dos estigmas atrelados à palavra entre nós. Armando Alexandre dos Santos é uma referência providencial a este respeito.

O sentido antropológico

Cultura é a base do que nos define, nutrindo os sentimentos de identidade e pertença a um povo. Não é algo espontâneo, que se impõe ao longo dos anos. As culturas não são iguais. Ademais, como sucede aos seres humanos, à singularidade de seu lugar e papel na história, a cultura se manifesta de modo único entre seus emissários.

As culturas inca e asteca, por exemplo, eram mais ricas, isto é, ostentavam mais sofisticação que aquelas das tribos indígenas que vivam no Brasil do século XVI. Por outro lado, se no Brasil incorporamos o hábito do banho diário, herança dos primeiros povos a viver aqui, é evidente que absorvemos traços da cultura ancestral enraizada nesse território.

A cultura não é impermeável a influências externas. Muitas vezes, algumas culturas se impõem sobre outras. A cultura religiosa, ou evangelização praticada pelos Jesuítas no Brasil, influenciou tudo que aqui existia, tendo se constituído a base para a civilização do Novo Mundo que erige Portugal.

Há culturas tão rudimentares que afrontam o senso de moralidade presente às consciências ocidentais e orientais modernas. Apredejamento de meninas adolescentes molestadas por adultos em tribos da Somáliaㅡviolência duplicada em virtude de as vítimas serem responsabilizadas por haverem “facilitado” ocasiões para o “adultério”; ou a prática de infanticídio por parte de tribos indígenas brasileiras que enterram bebês vivos, impõe olhar as situações sob o parâmetro de situar o direito à vida acima de costumes particularesㅡe sem misericórdia. 

A cultura é um conjunto de valores, crenças e hábitos compartilhados e erigidos por determinado grupo ao longo de séculos. A brasileira, como sabemos, é multirracial, miscigenada, fruto da interação de brancos, negros e índios, fato ecoado de clichês às obras de Machado.

Dois pesos, dois demônios

“Dostoievski em “Os Demônios” faz um acerto de contas com o pensamento niilista e revolucionário professado por intelectuais infiltrados na sociedade russa, denunciando o papel dessa intelectualidade que, voltada para o materialismo utilitarista, despreza os valores identificados com a cultura e as tradições religiosas russas”.

Soa familiar?

O “Dostóievski” brasileiro pronto a, nas suas palavras, “lutar como um cruzado”, e que indica a hegemonia esquerdista na cultura em defesa da autenticidade de uma cultura mais elevada, é Roberto Alvim.

Dramaturgo premiado ao longo da carreira, converteu-se ao catolicismo, base de seu conservadorismo, ao testemunhar no próprio corpo um milagre. Milagrosa cura, como a sobrevivência do hoje Presidente após atentado sofrido em setembro de 2018. Milagres que surgem certeiros para renovar nossa esperança diante dos “demônios”.

O clássico da literatura russa ressurge em versão dramática, produzida e dirigida pelo diretor do Centro de Artes Cênicas da FUNARTE, cargo assumido por Alvim em agosto de 2019.

Simbiose de mundos

A obra traça os percalços de um personagem ante o assalto revolucionário que tomaria a Rússia. Referência da literatura mundial, não só pelo quilate romanesco, mas por seu valor de profecia, a obra escrita no final do século XIX relata em tom de ficção o que viria a se passar com a Rússia 40 anos depois.

Até que ponto os revolucionários russos se inspiraram no carrasco Chigáliov, só o inferno poderá dizer. Fato é que a retórica dialética que dali surgiu influenciou para sempre os rumos da humanidade e das culturas.

A beleza reconquista espaços

Milagre é adentrar a diretoria da Fundação Nacional de Artes e vislumbrar ícones bizantinos cristãos e uma imagem de nossa senhora no canto da parede. Foi o que ocorreu quando Esmeril esteve com Alvim. E é preciso mesmo muito apego a Deus para exorcizar demônios incrustados nos mais de 40 anos de hegemonia progressista na cultura nacional.

Como se sabe, Alvim tem sido perseguido, vilipendiado, desobedecido. Mas segue firme no propósito de romper a degradação à qual chegou, e o que se entende por cultura no Brasil.

“Retorno aos clássicos”, diz ele em meio ao planejamento para 2020, ano em que sua montagem de “Os demônios” percorrerá o Brasil, exibindo o que os russos deixaram acontecer. Como também os brasileiros das últimas gerações.

A guerra contra a hegemonia cultural tem por alicerce a educação, razão por que será travada duramente ao longo das próximas gerações.

Roberto Alvim exprime a estréia desse embate no campo da arte cênica, reunindo-se a outros soldados do atual governo para mostrar aos “demônios”, sedentos de monopólio, o estandarte da beleza, com os anjos da arte e da rica cultura brasileira, a historiografia ocidental, e o espírito conservador, que marca nossa essência e nascedouro enquanto nação.


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