Embora a palavra mais batida da arenga política seja “democrático” e “democracia”, são os golpes de estado que pontuam a história e permeiam, atônita, nossa imaginação. Não por acaso, o campo da música está repleto de obras primas ou temas consagrados quando se trata de exprimir a animosidade política em sua melhor forma. Este mês, a lista de nossas dez músicas favoritas em torno de golpes e golpistas de todos os tempos traz, ao final, um duplo consolo. Vamos a elas:

  1. O núcleo de Star Wars (com trilha sonora original de John Williams) está na astúcia do Senador Palpatine, o mentor de Darth Vader. Ele conspira para ser eleito Supremo Chanceler, cria um ambiente de caos a ponto de o Senado votar a favor de conceder-lhe poderes para dissolver a República e criar o Império Intergaláctico. Ele se torna Imperador e Anakin, após sofrer uma derrota contra Obi-Wan-Kenobi, Darth Vader.

2. Poucas séries são tão profusas em golpes de estado (aqueles feitos dentro dos gabinetes por homens de poder que vivem para conservá-lo) como House of Cards.

3. A música de Tchaikovsky coincide com o clima tenso, confuso e mergulhado em conspirações pré-revolução russa. Será também dela uma expressão?

4. Onde tem golpe, tem Hitler. Consequentemente, não poderíamos deixar de fora dessa lista a música favorita de um dos maiores golpista de todos os tempos: Cavalgada das Valquírias, Walkürenritt, de Richard Wagner.

5. Esta dispensa apresentações: Júlio César, de Górecki. Three Pieces in Old Style, nº 3 (Wit)

6. Naturalmente, o Hino do Império Romano

7. Como nossa República nasce, também ela, de um golpe de estado, entra na lista O Hino Nacional Brasileiro tocado pelo exército. Composição musical de Francisco Manoel da Silva e letra de Joaquim Osório Duque Estrada.

8. Mas que seria de nosso Exército, não fosse Napoleão Bonaparte? O imperador a quem Beethoven dedicou, inicialmente, a sua 3ª Sinfonia, a Heróica.

9. A Marselhesa, hoje celebrada como hino nacional francês, é uma ode à Revolução Francesa, celeiro de golpes durante o período do Terror.  

10.  Embora seja proibido tocar o hino nazista, o atual hino alemão conservou a composição associada à alemanhã nazista, operando cortes essenciais em virtude da vergonha do povo alemão pelas ações passadas. Agora é aguardar a vergonha da União Européia, enquanto nos entretemos com a permanência dos golpes de estado na cultura…

11. Memória do golpe sofrido pela ordem dos templários numa sexta-feira 13, dando origem à superstição até hoje vigente. Os poucos remanescentes do massacre de 1307 ingressaram na Maçonaria, que hoje executa o “coro dos ciganos”, da ópera Il Trovatore, de Verdi, em ritos de iniciação.

A lista completa pode ser ouvida no Spotify.

Revista Esmeril - 2021 - Todos os Direitos Reservados

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