Houve um tempo no Brasil em que o serviço militar era obrigatório…

Sim, o serviço militar sempre teve o seu alistamento obrigatório para jovens que completam 18 anos, mas na prática, apenas uma minoria de jovens tem a oportunidade de servir às fileiras das Forças Armadas.

Hoje, o serviço militar tornou-se um privilégio, uma oportunidade, para jovens de 18 anos. Primeiro, o contexto social oscilando entre 13 e 14 milhões de desempregados faz da carreira militar um “porto seguro”, principalmente para famílias de jovens que convivem com dificuldades financeiras e com a vulnerabilidade social.

Quando me refiro à vulnerabilidade social, estou falando da disputa do Estado e do tráfico pelo coração e mentes de jovens em idade de formação de personalidade, caráter e cidadania. O que é mais fácil e sedutor para a vida, nem sempre é o melhor para o futuro dos nossos cidadãos.

Nas Forças Armadas só tÊm ingressado voluntários há muito tempo, pelo menos desde que me tornei militar, na década de 1990. O tabu de que o serviço militar é obrigatório e vai ser ruim para a vida profissional de um jovem não passa de uma lenda urbana. 

A cada ano, mais e mais adolescentes são voluntários para ingressar no serviço militar e cada vez mais, a seleção fica mais difícil. Somente os jovens mais preparados tem sido “convocados” para servir à Pátria nas fileiras da Marinha, do Exército e da Aeronáutica.

Sendo aquinhoado com a oportunidade do serviço militar, o jovem terá um processo de educação ímpar, sobretudo se compararmos ao que vemos ocorrer na educação escolar, com suas lacunas e doutrinações.

Na caserna, o adolescente passará por um processo de transformação para a vida adulta, saindo de lá um cidadão mais preparado para enfrentar os desafios da vida profissional. Aprenderá o que é hierarquia e disciplina. Sim, compreenderá que para se obter sucesso na vida é preciso respeitar normas e pessoas (muitas vezes podem ter aprendido que desrespeitar um pai ou um professor na escola é algo normal). 

Falhas como chegar atrasado ou estar com a aparência pessoal desleixada serão punidas. Em um quartel, isso se ensina. Na vida, não há perdão para um “profissional” que chega a uma entrevista de emprego com a roupa suja, mal passada ou com a barba mal feita.

O jovem aprendiz de cidadão aprenderá na vida militar a ter responsabilidade, seguir ordens, a ter respeito pelo próximo e ainda, a ser leal com os colegas, superiores e subordinados. São inúmeros os valores que serão desenvolvidos e aprimorados. Servir à pátria tem sido uma oportunidade única, principalmente na conjuntura atual da sociedade.

Poder continuar na carreira militar será outro imenso desafio, já que apenas os melhores conseguirão progredir na profissão, por meio de concursos ou seleções internas. E aqui está outro aspecto desenvolvido na carreira militar, a exigência do aperfeiçoamento contínuo. Estudar é um dever para o militar de carreira. E a capacidade de aprender e continuar aprendendo ao longo de toda a vida talvez seja um dos principais atributos do profissional do século XXI.

No Colégio Militar de Porto Alegre, onde estudei entre 1989 e 1995, havia uma frase que me marcou para sempre: “Formando hoje o cidadão do amanhã”. Durante a juventude é uma frase que pode não ter muito sentido, mas ao longo da vida, passa a fazer todo o sentido.

Mais tarde, ao ingressar em uma academia militar, na Academia da Força Aérea (AFA), em Pirassununga / SP, e viver durante quatro anos em regime de internato e com dedicação exclusiva à minha formação técnico-profissional de oficial de carreira, é que pude entender perfeitamente a importância de cidadãos bem formados para a nação.

E um detalhe importante, quando falo em cidadãos, incluo as mulheres. Em 1989 no Colégio Militar e em 1996, na AFA, fiz parte das primeiras turmas mistas, cerrando fileiras ao lado das mulheres pioneiras em ambas as instituições.

Para o Brasil, eu defendo o serviço militar como uma oportunidade única para os jovens e para o país. Todos, de alguma forma, deveriam ter a chance de servir ao país por um ano, de alguma forma, inclusive as mulheres. Assim acontece em Israel, por exemplo.

E o serviço “obrigatório” poderia ser civil. Já imaginaram como seria bacana se um jovem universitário pudesse passar um ano na Amazônia conhecendo melhor o Brasil e servindo à população, como um estágio profissional?

O Brasil não poderia dispensar seus cidadãos da oportunidade de servir à Pátria e de conhecer o país. Teríamos cidadãos melhores e com uma visão de mundo mais clara e real. Quantos traficantes deixariam de se formar? Quantos militantes universitários teriam suas ideologias socialistas desmontadas ao conhecerem a realidade? 

Ah, é lógico que o serviço militar ou civil “obrigatório” seria remunerado e quem sabe, com algum privilégio como incentivo, como contagem do dobro do tempo de serviço para fins de INSS ou outros, como forma de realmente chamar a atenção dos jovens para de fato conquistarmos seus corações e mentes para o verdadeiro exercício da cidadania.

Quem sabe um dia teremos o serviço da Pátria para todos…

fim
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