MURALHA DE LIVROS | Lançamentos da Semana

Leônidas Pellegrini
Leônidas Pellegrini
Professor, escritor e revisor.

Destaques

O grande destaque da semana é o lançamento da Danúbio, Os bárbaros chegarão às estrelas, de Állexis Leilla.

Um sábio é jogado numa fogueira e perdoa seus algozes. Uma universitária denuncia a professora por assédio que nunca existiu. Um menino atravessa a vida atrás do rosto de Deus. Um mecenas paga fortunas por histórias verdadeiras de horror.

Quinze contos, um só Brasil. País onde o boato corre mais rápido que a verdade, onde a denúncia vale mais que a prova, onde cada um ouve vozes no ouvido e já não sabe desligá-las. Os bárbaros deste livro não estão nos portões da cidade. Estão dentro de casa, com o celular na mão.

Állex Leilla escreve com ironia e precisão. Não faz sermão nem panfleto. Apenas conta — e o que conta arde.

Um livro sobre fé, boato, culpa e o preço de ainda querer distinguir o verdadeiro do falso num tempo que desistiu da diferença. Alta literatura brasileira feita hoje, sobre o hoje.

Destaque também para o lançamento da Kírion: No tempo das catedrais: Arte e sociedade, 980-420, de Georges Duby.

Entre 980 e 1420, a arte do Ocidente não nasceu isolada do mundo: ergueu-se das tensões entre fé e poder, riqueza e pobreza, ordem e transformação. Em O tempo das catedrais, Georges Duby reconduz mosteiros, catedrais, palácios, esculturas e pinturas à vida dos homens que os conceberam e contemplaram. Das abadias românicas às cidades do gótico, e das cortes principescas às novas liberdades do artista, o historiador acompanha as mudanças sociais, políticas e espirituais que redefiniram a criação medieval.

Com erudição e força narrativa, este livro revela como as obras-primas celebraram Deus, serviram aos príncipes e deram forma aos desejos, medos e conquistas de uma civilização em movimento — sem jamais perder de vista o trabalho, a desigualdade e a fecunda diversidade sobre as quais elas se elevaram.

Outros lançamentos

Pela Edições Livre, Contos espanhóis, de Isolino Caramalho.

Há uma Espanha que não cabe nos cartazes de touradas nem nos postais de viagem. É a Espanha das ruas estreitas e das aldeias esquecidas, dos camponeses, pescadores e operários, dos livreiros, das mulheres que sustentam a vida cotidiana e dos homens simples, ou seja, personagens inesquecíveis, marcados pelas transformações de uma sociedade em mudança, revelando a riqueza humana e a diversidade de um país muito além de seus estereótipos.

Esta antologia reúne uma cuidadosa seleção de narrativas de alguns dos mais importantes escritores da Espanha dos séculos XIX e XX, como Benito Pérez Galdós, Miguel de Unamuno, Pío Baroja, Vicente Blasco Ibáñez, Concha Espina, Armando Palacio Valdés, entre outros.

Marcados pelo realismo, pelo regionalismo e pela reflexão sobre os dilemas humanos e sociais de seu tempo, estes contos revelam diferentes paisagens, costumes e vozes da Espanha. Com sensibilidade e rigor, Isolino Caramalho apresenta ao público de língua portuguesa um panorama literário que atravessa temas universais e transformações da sociedade moderna.

Abrir este livro é entrar em uma Espanha que surpreende e encanta — um convite para descobrir a riqueza cultural e a extraordinária tradição narrativa da literatura espanhola.

Pela Sétimo Selo, O cinéfilo, de Walter Percy.

Às vésperas dos trinta anos, Binx Bolling leva em Nova Orleans uma vida ordenada por pequenos hábitos: trabalha como corretor da bolsa, troca de secretária com a mesma facilidade com que muda de filme, evita compromissos duradouros e observa tudo com uma ironia calma, como se o mundo lhe chegasse sempre filtrado por uma tela. Veterano da Guerra da Coreia, atravessa a semana do Carnaval entre visitas à tia Emily, encontros casuais e conversas com a prima Kate, jovem frágil e inquieta cuja instabilidade o obriga a sair da confortável distância em que costuma viver. Quando uma sucessão de incidentes familiares rompe sua rotina, Binx aceita acompanhá-la numa viagem inesperada, sem saber exatamente o que procura.

Essa busca discreta fez de O cinéfilo um dos romances decisivos da literatura americana: vencedor do National Book Award, incluído entre os cem melhores romances em língua inglesa do século xx, o livro transforma o cotidiano em terreno de inquietação espiritual, onde até a experiência parece chegar mediada por imagens. Pois o homem, como disse Walker Percy ao receber o prêmio que consagrou seu romance de estreia, “é mais do que um organismo em um ambiente, mais do que uma personalidade integrada, mais até do que um indivíduo maduro e criativo, como diz a expressão. É um viajante e um peregrino”. Nesse percurso entre dispersão, lucidez e desejo de realidade, Binx descobre que até a vida mais comum pode ocultar uma pergunta decisiva.

Pela Mori, Os Bórgias, de Alexandre Dumas.

Roma, fim do século XV. Com a morte de Lourenço de Médici, abre-se caminho para a ascensão dos Bórgia: Rodrigo, que se torna o papa Alexandre vi, e seus filhos Cesare e Lucrécia, dispostos a tudo por poder.

Entre alianças traídas e rivalidades entre Roma, Nápoles e Ferrara, Dumas narra a intriga que tornou o nome Bórgia sinônimo de crueldade renascentista.

E, pela Texugo, o clássico Cachinhos Dourados, de Flora Annie Steel, ganha uma nava tradução de Luiza Morais, que preservou o ritmo e as repetições que fazem a criança antecipar cada fala dos ursos, com ilustrações de Felipe Giani, que dá mais vida à história com um traço influenciado pelas animações orientais. Ele mostra a casa dos ursos em cada detalhe, das tigelas às colchas de bolinhas.

Um dos contos de fadas mais famosos do mundo, em uma versão clássica

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