CESAR LIMA | A derrocada de Lula.

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Após décadas, o Brasil dá mostras de que, talvez, esteja pronto para se livrar de Lula. Desde seu surgimento nos anos oitenta do século passado, o atual presidente tem posição hegemônica no campo da Esquerda brasileira.

Foi na figura mística do torneiro mecânico, nordestino e pobre que a Esquerda finalmente conseguiu se firmar como uma força política pelo voto. Infelizmente para o Brasil, o mito não corresponde à verdade; pois o principal feito de Lula foi fazer aflorar o pior do nosso povo e da política. Sua força, de fato, se sustenta sobre sentimentos de ressentimento e inveja minuciosamente plantados através da cultura – a base de todo o projeto revolucionário, frise-se.

A diferença entre mito e realidade não ficou oculta para muitos por acaso. Além dos esforços de propaganda, houve também ajuda da sorte. O boom das commodities do início dos anos dois mil caiu como um presente inesperado a Lula em seus dois primeiros mandatos. Foi nesse período de fartura mundial e crescimento gigantesco da China que o populista Lula pode colocar em prática todo seu discurso de combate à fome e à pobreza. Tal discurso pegou, e essa foi a nossa maldição.

Lula não usou o dinheiro farto com soluções em infraestrutura, reformas no Estado e investimentos, por exemplo, em ciência e tecnologia. Ele preferiu distribuir migalhas generosas às populações mais carentes, enriquecer comparsas na corrupção generalizada e engordar os cofres dos líderes do Foro de São Paulo que ajudou a fundar com Fidel Castro.  Aproveitando a popularidade nos mais altos níveis acabou elegendo um sucessor, Dilma Roussef.

Mas não há sorte que dure para sempre. A onda das commodities passou, o dinheiro findou rapidamente, e um governo completamente incompetente quase destruiu o Brasil. Nem o sistema de apoio a Lula suportou. Na ânsia de impedir a morte da galinha dos ovos de ouro, prendeu Lula, expurgou Dilma e colocou Temer na presidência. A velha oligarquia achou assim ter posto fim à tragédia. Imaginaram que bastaria estancar a sangria dos cofres públicos para tudo voltar ao normal.

Não contavam com a eleição de Bolsonaro em 2018. Isso alterou todos os planos. Tanto assim que se viram obrigados a ressuscitar politicamente Lula. Engavetaram todos seus crimes e descaradamente o colocaram novamente na presidência. O novo plano era óbvio. Lula retornaria grato; a gratidão o faria esquecer a prisão. Com o presidente domesticado, os negócios poderiam finalmente ser, em Lula III, como foram nos tempos de Lula I e II. No entanto, novamente o plano deu errado.

Lula voltou mais raivoso e radical do que nunca, e desta vez não havia boom de commodities para salvar ninguém. Em pouco mais de três anos de mandato que se vê são gastos públicos totalmente descontrolados e sustentados por uma carga tributária selvagem, escândalos de corrupção ainda maiores, e uma queda vertiginosa de popularidade tanto do presidente quanto do sistema que o protege. Para piorar, ainda há um isolamento regional e mundial nunca antes visto.

Os vizinhos de continente mudaram de direção e aliaram-se a um governo americano bem diferente dos últimos. Os lideres europeus finalmente conheceram a face oculta de Lula e se afastaram, com exceção da Espanha. Quase todos os companheiros de Foro de São Paulo foram derrotados ou lutam pela sobrevivência política. Lula passou a ser o último suspiro da esquerda sul-americana, uma esquerda radical, velha e carcomida por um discurso que não tem mais o mesmo apelo de antes.

Agora, em pleno ano eleitoral, o jogo de poder mudou radicalmente. A velha oligarquia e o Sistema Financeiro – que sempre apoiaram Lula – estão seriamente divididos por dois escândalos gigantescos, INSS e Banco Master. O risco de uma quebradeira sistêmica dos bancos e o envolvimento de altas figuras do regime os jogaram em campos opostos.

Com a imprensa claramente assumindo o lado dos banqueiros, o poder político e judicial de Brasília perdeu força. Consequentemente, Lula está mais exposto e frágil do que nunca. Isso está refletido nas desaprovações do governo e de Lula, as quais colocam seu adversário mais perigoso, Flavio Bolsonaro, à frente em todas as pesquisas e ameaçam impedir a reeleição de Lula.

Assim, estamos diante da grande oportunidade, se não de curar o paciente Brasil, ao menos de retirar o tumor chamado Lula. Com isso, talvez, enfim, o Brasil possa ter novamente uma chance de ser tratado das doenças mais importantes – as instabilidades política, jurídica e econômica – e, finalmente, saudável passe a crescer e se desenvolver como merece.

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