CESAR LIMA | Maduro foi preso, porém…

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Finalmente Maduro caiu e foi preso pelos Estados Unidos. Depois de um longo cerco no mar do Caribe, os americanos invadiram a Venezuela em uma operação de extração do ditador Nicolás Maduro. Essa notícia está correndo o mundo e não vou entrar aqui em narrar o que todos já estão sabendo. O objetivo deste artigo é outro.

As reações são dúbias, enquanto muitos comemoram, outros mostram indignação. Lula, claro, soltou uma nota de repúdio bem forte, desastrosa por sinal, visto que o Brasil está em meio a negociações com os Estados Unidos. Certamente os venezuelanos estão comemorando, mas após a coletiva de imprensa, dada por Donald Trump, muitas questões ficaram em aberto e ameaçam jogar um balde de água fria na festa.

Não ficou claro o que vai acontecer na Venezuela agora. O discurso ficou muito contraditório, em alguns momentos Trump disse que os americanos vão coordenar uma transição. Em outros momentos afirmou que os EUA vão deixar que os venezuelanos resolvam. Ninguém sabe o que e como será feito. O que sabemos é que a vice-presidente, Delcy Rodrigues, aliada de primeira hora de Maduro e que está na Rússia, assumiu o governo e, segundo palavras do próprio presidente americano, comandará a transição com Marco Rubio.

Outro braço direito de Maduro, Diosdado Cabello – Ministro do Interior e Justiça – está desde as primeiras horas da manhã convocando civis e militares a resistirem, afirmando que haverá luta. Outros figurões do Regime permanecem em silêncio. Também é certo que Trump disse que Maria Corina Machado, líder da oposição, não tem apoio interno para comandar a “transição pacífica”. Então como se dará essa transição?

Durante a entrevista coletiva, a única coisa que Trump realmente deixou claro é que os interesses americanos sobre o petróleo venezuelano serão garantidos. Afirmou, ainda, que as empresas petrolíferas americanas cuidarão da renovação da infraestrutura de extração de óleo, dilapidada pelo regime chavista.

A dúvida que fica é, os americanos se contentarão com a prisão de Maduro e agora vão negociar em bons termos com a ditadura ou vão apoiar firmemente a restauração da democracia venezuelana? Qualquer análise sobre isso é mera especulação pois, ao contrário de Marco Rubio que parece ter muita clareza sobre o assunto, Trump é totalmente insondável.

Não gosto de ser estraga prazeres, mas estou muito cético em relação ao presidente americano. As suas atitudes nesse quase um ano de governo mostram que havendo bons negócios a questão de valores éticos e humanitários tendem a ser facilmente colocados em segundo plano.

Sabemos que a ditadura de Maduro não se concentra apenas em sua figura, o regime está consolidado e há outras lideranças que são capazes de dar continuidade ao narcoregime sem sua presença. Os nomes acima citados controlam grande parte do poder militar e paramilitar na Venezuela e não sabemos se Trump está disposto a entrar em um conflito aberto.

É muito justa a comemoração pela prisão de Maduro e que ele pague por suas centenas de crimes contra a humanidade. É justo até que ele negocie com os americanos e ajude a desvendar muito do que acontece no submundo do Foro de São Paulo, pois seria muito importante para o fim definitivo deste, mas daí aos venezuelanos finalmente serem libertos há uma distância muito grande.

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