Quem acompanha esta coluna já sabe que o maior problema dos governos Lula/PT não é a corrupção. O maior estrago que Lula/PT causam ao Brasil são suas relações internacionais colocando o país em parceria com o que há de pior no mundo – ditaduras de todos os tipos. Com a grande mudança mundial depois da posse de Donald Trump como presidente americano, a situação chegou em um nível insuportável e tende a piorar muito.
Estamos vendo os Estados Unidos mudando a relação com todos os países do mundo, escancarando um cenário de guerra fria já há muito existente. Se antes a guerra fria era entre EUA e União Soviética, hoje vemos a China como principal adversário geopolítico dos americanos. O mundo novamente está se encaminhando para relações bipolares, substituindo a ordem multipolar existente desde a queda soviética.
A prioridade dos Estados Unidos neste momento é diminuir a influência chinesa no acesso a fontes de energia barata, principalmente o petróleo que era importado de países como a Venezuela, Irã e Rússia. Isso explica a operação americana para enquadrar o regime chavista na Venezuela, ajuda à Ucrânia para segurar a Rússia em uma guerra desgastante e o ataque e pretendido domínio sobre o Irã. Claro que há outros fatores em todos esses casos, mas a base comum é atingir e enfraquecer a China.
Lula aproximou o Brasil de Rússia, China e Irã. Esse movimento não é por acaso e tem relação com a visão do governo sobre a América Latina e o papel brasileiro na região. Aqui, além da intervenção na Venezuela, os americanos mantém boa parte da sua Marinha mobilizada no Caribe. O objetivo é retornar a ser o polo de atração geopolítica da região com o intuito principal de estrangular a interferência chinesa no continente.
É bom lembrar que essa presença chinesa é resultado do vácuo deixado na região pelos EUA se focarem em outras partes do mundo. Agora, o Secretário Marco Rubio busca corrigir esse erro de décadas. Essa atitude de Lula não é errática, faz parte de um plano elaborado no início dos anos 1990 em conjunto com Fidel Castro e que resultou na criação do Foro de São Paulo, e que Rubio conhece bem.
A política externa americana parece estar dando resultados. Nos últimos anos, alguns países latino-americanos viraram eleitoralmente contra o Foro de São Paulo. Hoje os governantes conservadores ou de centro-direita ocupam a maioria dos países da região. Isso abre uma janela de oportunidade para Trump.
Ele começou a buscar acordos estratégicos com governantes mais próximos ao seu espectro ideológico. Ao mesmo tempo, os EUA passaram a pressionar os remanescentes do Foro – Brasil, Colômbia e México – para que apertem o cerco contra os narcotraficantes.
Recentemente, o presidente americano reuniu-se com líderes de vários líderes latino-americanos para o que ficou conhecido como Cúpula Shield of Americas – Escudo das Américas. O objetivo do grupo para discutir soluções conjuntas contra o narcotráfico internacional e as ligações desses com grupos terroristas islâmicos. O encontro ocorreu sem a presença de Brasil, México e Colômbia – que não foram convidados.
Os países participantes assinaram uma carta de cooperação regional troca de inteligência policial e militar, ações integradas entre policiais locais e o DEA americano, bem como ações conjuntas de força contra os cartéis de drogas e terroristas. Apesar da cooperação militar, talvez o mais importante dessa cúpula seja a parceira comercial e de investimentos que os Estados Unidos querem fazer justamente para neutralizar a ampliação do poder chinês na América Latina. Neste momento o Brasil estaria fora.
Estão sendo dias bem perturbadores para os membros ainda restantes do Foro de São Paulo. Equador, Argentina e Paraguai já tomaram medidas concretas contra o crime organizado e grupos terroristas. Até o México já agiu movido pela pressão americana. Cuba – o “martelo da revolução” – encontra-se cercada, com um bloqueio comercial e naval completo e prestes a entrar em colapso. A Colômbia tem um presidente frágil e com eleições presidenciais batendo à porta. Ainda com o México de “pés e mãos” atados com sua vizinhança com os Estados Unidos, vemos o Brasil de Lula, um dos fundadores do Foro de São Paulo completamente isolado continentalmente.
Lula conseguiu tornar-se um pária internacional, sem nenhuma credibilidade entre os países democráticos e no radar dos EUA como uma ameaça à segurança americana. Ao prender-se a alianças com China, Rússia e Irã, demonstrou toda a sua incapacidade diplomática de lidar com essa situação. Apostou no cavalo errado, e agora todo o país paga o preço dessa escolha.
Temos eleições presidenciais em outubro. Portanto, o Brasil ainda tem chance semelhante a da Colômbia, podendo logo se livrar da verdadeira ameaça que governos Lula/PT sempre foram. Esperemos que a população, sem interferência de outras instituições notoriamente corrompidas, consiga se afastar de vez desse mal gigantesco que ameaça nosso presente e nosso futuro.