Com exceção daqueles que estão em coma, todos os brasileiros tem acompanhado com indignação o novo escândalo brasileiro: a fraude bilionária do Banco Master e envolvimento íntimo de seu dirigente com a elite oligárquica brasileira, inclusive no Supremo Tribunal Federal.
O caso é tão escandaloso justamente porque a movimentação para encobri-lo é feita à luz do dia, demonstrando que a elite tem mais medo da investigação e cobertura da imprensa do que das consequências de ser tão evidente seu trabalho para escondê-lo. Já entraram em cena dois Ministros do Supremo, dezenas de políticos – através do Tribunal de Contas da União – e a elite da burocracia estatal.
O que o mantém o assunto ainda vivo é que a mídia, antes bovinamente silenciada, passou a contra-atacar com força a tentativa de encobrimento. Isso deixa muito claro que uma parte importante da oligarquia brasileira – obviamente a financeira – sentiu-se ameaçada pelas consequências que tal escândalo em seus próprios bolsos e poderes. E quando a oligarquia brasileira briga – e se divide – surge a oportunidade de enxergarmos como o Brasil se degenerou.
Essa fresta na realidade ocorreu recentemente quando da Operação Lava-Jato. Naquela oportunidade vimos uma parte do establishment brasileiro querendo se livrar definitivamente de Lula e do PT. Abraçados pela mídia, o Judiciário brasileiro interviu no projeto de poder petista para enterrá-lo de vez, visto perceberem que haviam ido longe demais e ameaçavam matar o hospedeiro – o Brasil.
Essa tentativa teve que ser abortada quando viram que os responsáveis pela operação fugiram ao controle e começaram a expor muito mais do que o desejado e acabaram por resultar na revolta popular e posterior eleição de um outsider – Jair Bolsonaro. O plano teve que ser revisto e foram obrigados a novamente recorrer a Lula para reaver o controle.
Essa nova ascenção de Lula e o PT, como já eram previsto por alguns, momentaneamente trouxe tranquilidade à oligarquia, mas, passados três anos, mostrou que o PT é incontrolável. Na sua ânsia de dinheiro e poder absoluto, a esquerda brasileira não tem pudor em jogar aliados pela janela e quebrar o país no processo.
Dessa maneira a elite começou a articular novamente uma maneira de, tendo se livrando de Bolsonaro, descartar a ala radical da esquerda e emplacar um presidenciável palatável e mais amigável à manutenção do sistema corrupto implantado há décadas. Mas o novo escândalo parece ter emparedado a elite em um primeiro momento.
Uma coisa diferente nesse caso do Banco Master é que aqueles que verdadeiramente comandam o Brasil – STF – resolveram intervir diretamente. O exemplo da Lava-Jato não foi esquecido, deixar uma investigação dessa proporção nas mãos da Polícia Federa e Justiça Federal de primeira instância seria cometer o mesmo erro de antes. Assim tudo acabou no Supremo e sob o controle daqueles que mais tem a perder com a transparência.
O problema é que o Brasil é um celeiro de escândalos. Temos uma elite burra e despreparada para governar e nossa classe política é abominável – tanto à esquerda quanto à direita – formada por gente que não consegue perceber que um Brasil forte e rico atenderia a todos, o povo e a elite. Cada um cuida dos interesses dos seus grupos.
Essa burrice da elite não é à toa, foram décadas e décadas de destruição dos valores morais e educacionais visando a manutenção do povo em uma névoa de entendimento sobre a realidade. O que eles não contavam – ou não se importavam – é que isso também os atingiu. Um país que não lê e que está nos últimos lugares em rankings internacionais de Educação não tem como formar uma verdadeira elite pensante.
E assim seguimos, de escândalo em escândalo, de burrice em burrice, nos diminuindo perante o Mundo. Temos ilhas de excelência criadas por esforço próprio de alguns, mas, em termos globais somo irrelevantes e sujeitos a ingerências de grandes potências como Estados Unidos e China. Não temos vida própria e nem condições mínimas de competir mundialmente fora das nossas pequenas ilhas de excelência.
O que sempre me motivou no debate público foi demonstrar que a corrupção nunca foi nosso maior problema – isso acontece em todo Mundo – o nosso problema é não termos capacidade, nem da elite e muito menos do povo, de mudarmos o nosso quadro.
O maior escândalo financeiro da nossa história está caminhando para o mesmo fim dos outros, indignação popular momentânea, abafamento pela elite dominante, acordos de bastidores e apagamento da memória nacional, afinal temos uma “eleição” pela frente. Pobre Brasil.



