Em um filme de sucesso lançado no ano passado – A Longa Marcha – temos jovens fazendo uma grande caminhada em um Estados Unidos distópico, cercados por soldados que eliminam brutalmente os que falham, em busca de um prêmio que pode mudar a vida do vencedor. Em uma virada emocionante, o vencedor é aclamado pelo povo oprimido e inicia um movimento de libertação contra um governo tirano. Mas não é do filme que vamos falar.
Na semana passada tivemos nossa própria versão na vida real. Em pleno vigor de um Regime de exceção, com o povo amedrontado demais para manifestar-se publicamente contra a opressão e escândalos sem fim da oligarquia naciona,l mancomunada com autoridades públicas, um jovem saiu em uma longa marcha rumo à capital do país.
A longa marcha começou solitária e aos poucos foi angariando outros caminhantes. Por onde passava era recebida por multidões e novos adeptos iam se juntando. Sofreu ameaças de representantes do governo, proibições judiciais e bloqueios policiais. Até a chuva torrencial pensou-se que seria um obstáculo.Nao foi.
A agora multidão chegou a Brasília e foi recebida por uma multidão maior ainda. Até um raio pareceu que iria encerrar o protesto. Não parou.
A pauta inicial era simples, liberdade para presos de outra manifestação – o fatídico dia 08/01/2023 – e uma prisão residencial humanitária para Jair Bolsonaro, o suposto líder de um golpe de Estado nunca saído da mente de alguns poucos. Ao final da longa marcha, a multidão de caminhantes já desfiava gritos de liberdade de expressão, fim da opressão judicial e julgamento – de verdade – para os mais novos maiores escândalos da história do Brasil.
Pois bem, a longa marcha de Nikolas Ferreira a Brasília trouxe muitos frutos. Muitos juntaram-se a ele no caminho – uns por coragem, outros por interesse, não importa – e o povo caminhou e o apoiou por todo o percurso, recebendo com festa não um vencedor – como no filme – mas milhões de vencedores espalhados por todo o Brasil.
Sem ufanismo, foi um momento histórico. A Direita, que vinha há meses se engalfinhando por vaidades pessoais, parou de brigar momentaneamente e viu a força que um povo – outrora amedrontado – pode ter quando a indignação e o desespero chegam ao limite. Essa união é bem vinda e necessária.
Nesse ano eleitoral em que os conservadores tem um excelente candidato – Flavio Bolsonaro – esse movimento “Acorda, Brasil” pode ser o começo de uma campanha vitoriosa e de mudanças importantes.