Valéria Muller Ramos Bolsonaro é deputada estadual pelo PSL em São Paulo. No último dia 11 de agosto, dia de Assembléia legislativa cheia (até o Mamãe Faltei estava por lá) em virtude da votação sobre o retorno ao trabalho por parte dos parlamentares, encontramos Valéria, a relatora da CPI das Universidades, em seu gabinete, cuja trilha sonora de fundo eram os distantes gritos de manifestantes pedindo o impeachment do governador João Dória. Valéria Bolsonaro, diga-se de passagem, é uma das signatárias do pedido.

Professora da rede pública de ensino do estado de São Paulo por três décadas, Valéria não poupa críticas a toda espécie de descaso para com a educação testemunhado ao longo de sua trajetória. “Nunca me imaginei fora de uma sala de aula”, diz a deputada com a dicção forte límpida de professores habituados a dobrar turnos e assumir aulas de outras disciplinas diante dos quadros insuficientes que viraram rotina nas escolas. Pedra no sapato da esquerda, cujo discurso repetitivoe corporativista já não convence as famílias quando o assunto é educação, Valéria ignora o tratamento hostil que, há tempos, recebe de muitos colegas e concentra-se em procurar soluções objetivas para o depauperado, aflito e escorchado setor em que atuou antes da direita ter vez no cenário político nascional.

Em entrevista exclusiva à Esmeril, abordou desde a péssima formação das jovens pedagogas até a falsa virtude da autonomia universitária; da necessidade de se acatar a educação domiciliar como direito fundamental das famílias à dificuldade de ser professor sob a legislação vigente. Este ano, Valéria será relatora da CPI da violência sexual nas universidades. Quer dizer, no dia em que os deputados paulistas chegarem a um acordo sobre o retorno às sessões presenciais na Assembléia…


Em primeiro lugar, hoje (11 de agosto) houve reunião sobre o retorno ao trabalho. O que aconteceu por lá e qual a sua expectativa para a votação que começa às 19h?

Alguns deputados pretendem estender o fica em casa. Enquanto se pede para toda a população voltar ao trabalho; enquanto se pede para toda a população se arriscar nos transportes públicos, dentro dos postos de trabalho, os deputados têm que ser blindados; os únicos diferentes têm que ficar em casa. Então eu pergunto: nós somos ou não somos representantes da população? Temos ou não temos que trabalhar em prol da população? Se é essa a nossa função, eu sou totalmente contra o PL que vai ser votado hoje. Já declarei meu voto contra; já falei que vou lá tentar obstruir, fazer tudo o que eu puder, porque nós precisamos voltar ao trabalho. Com todos os cuidados… os deputados que são grupos de risco, que falam seus trabalhos remotamente. Não quero ver ninguém pegar COVID, não quero que ninguém seja entubado. Só quero voltar a trabalhar. Esse é um direito que eu tenho.

Você considera que esse período que vocês ficaram sem trabalhar prejudicou o ritmo da sua legislatura?

Muito. Porque… não que a gente tenha parado de trabalhar. A gente continua o trabalho, eu fui em cidades, eu visitei várias cidades, a gente teve o trabalho de busca do que foi feito; as emendas parlamentares começaram a chegar nos seus destinos, então a gente foi lá verificar se ela foi usada exatamente para aquilo a que foi destinada. Não que a gente tenha parado, mas, por exemplo, os projetos de lei estão todos parados. As comissões… começaram agora, a voltar em agosto, as comissões. Mas o trabalho virtual é muito difícil. Não é a mesma coisa.

Assembléia é debate, não é?

Exato! Você precisa estar ali, você precisa interromper, você precisa falar. E no virtual você não consegue desenvolver esse tipo de trabalho. Os projetos de lei dos deputados estão todos paralisados. Não caminham. A coisa é muito difícil. Então eu acho que já passou da hora e a Assembléia legislativa de São Paulo tem que dar o exemplo. O estado de São Paulo é a locomotiva do país. Aqui, todo paulistano é conhecido pelo trabalho. Então não podemos fugir a isso. A gente tem que voltar a trabalhar. 

Assim que os trabalhos retornarem, qual é o campo, dentro daqueles em que você tem contribuído, que você mais tem vontade de retomar? Você foi relatora da CPMI das Universidades e eu gostaria que você falasse de seu trabalho em educação. Mais projetos em vista?

Sim, tenho projetos e mais uma vez sou relatora de uma CPI que fala em Universidade. Sou relatora da CPI da violência sexual nas Universidades. Uma CPI muito forte, um trabalho muito legal que a gente vai fazer porque a gente vai buscar o que está sendo feito, o que está acontecendo dentro das universidades, quais são os programas que as universidades têm de proteção para esse tipo de violência que ocorre ali dentro; como que esse trabalho está sendo desenvolvido, e mais uma vez eu sou relatora dessa CPI.

Você acha que esse tipo de violência, que chegou a tal grau dentro das universidades, que são ambientes de estudo, tem a ver com o ambiente de degradação que elas se tornaram? Isso seria fruto também da degradação intelectual das Universidades?

Degradação intelectual; o total e absoluto absurdo das drogas que estão tomando conta das universidades; álcool dentro das universidades; festas absurdas onde rolam muitas drogas e muito álcool dentro das Universidades, ou nos arredores; a proibição da fiscalização ostensiva da polícia militar dentro das universidades. Por que se tirou a polícia de dentro das Universidades? Estão escondendo o quê? A polícia está lá para proteger. Eu me sentiria muito mais segura se eu soubesse que a polícia tem livre acesso dentro das universidades com meus filhos lá dentro. Então tudo isso vai contribuindo para que a violência vá se estendendo. Não se apura, não se pune… Como é que faz? Só cresce.

Você tem, Valéria, trinta anos de contribuição [como docente] ao ensino básico paulista. Qual a sua visão sobre as políticas públicas destinadas ao ensino básico nos últimos trinta anos? Afinal você acompanhou; passou pelo infantil, pelo fundamental, EJA… Qual a sua visão? O que você acha que aconteceu com as políticas públicas nos últimos 30 anos? Dinheiro a gente gastou; mas, você que estava dentro da escola, por que não deu certo?

O Brasil tem muito dinheiro, investe em educação muito dinheiro; só que esse dinheiro não chega na ponta. Nunca chegou.

O que você chama de ponta?

A escola. Dentro da escola. E eu não falo só de salário, reconhecimento salarial, não. A escola. A estrutura escolar. Nós temos as escolas estaduais… Eu tenho vergonha de ver os prédios das escolas estaduais. Parecem presídios. Aliás, tem presídio muito mais bem estruturado do que uma escola. E não é falta de dinheiro. É falta de aplicação real, de transparência. Nós temos muitos desvios que ocorreram durante todos esses anos que impediram que esse dinheiro chegasse na ponta. Outra coisa que a gente viu foi a total degradação… Os cursos de pedagogia são horrorosos. Hor-ro-ro-sos. Eu sou do tempo do magistério. Eu fiz magistério; fiz especialização em educação infantil. Hoje você vê o curso de pedagogia e você não vê nada disso. A pessoa sai da Universidade e vai trabalhar com crianças sem ter a menor noção do que é administrar uma sala de aula; do que é você ter lá um monte de crianças e saber como vai trabalhar. Então ela vem com toda a teoria dos especialistas, aqueles que nunca entraram dentro de uma sala de aula, que nunca entraram dentro de uma sala de aula. Ficam lá dentro do ar condicionado participando de fórum, de seminário disso e daquilo. Mas na hora do vamos ver, de colocar a mão na massa pra ver o que é que precisa, não faz. Então eu falo isso com o desgosto de saber que, apesar de a lei falar que tem que ter música dentro da escola; a escola pública de educação infantil não tem música; a escola pública de educação infantil não tem psicomotricidade, não tem educação física; coisas básicas para o bom desenvolvimento de uma criança. 

E quanto à alfabetização? Hoje a gente encontra algumas escolas pelo Brasil que conseguem alfabetizar; recorrendo, sobretudo, a métodos antigos, cartilha tradicional mesmo; mas fato é que as professoras boas, mesmo ganhando pouco, querem fazer um bom trabalho. E quando as famílias apoiam, á escolas que surpreendem; que mantêm um IDEB elevado e muita cobrança das professoras.Você acha que a falta de reformas de qualidade e o gasto excessivo com burocracia… no MEC, por exemplo, onde temos milhares de funcionários retendo parte importante do orçamento que não chega na ponta, atrapalham? Porque vejo que há professoras que conseguem fazer um bom trabalho. A que você atribui isso?

Eu acho que a pandemia é o maior exemplo que a gente tem a esse respeito. Hoje os professores estão trabalhando 3 vezes mais do que trabalhavam normalmente, porque nenhum professor estava preparado para dar aula on-line; não tivemos nenhum tipo de formação, absolutamente nada. Não precisou nenhum especialista dizer como faz? (risos) Nenhum especialista de aulas online veio dar o seu pitaco, graças a Deus porque não deu tempo― cada vez que um especialista abre a boca para dar pitaco, prejudica tudo e acaba com tudo. E o que aconteceu? Nós temos aí professores dando o sangue em tempo integral, porque o telefone, ele passa para a família, e as famílias ligam o dia inteiro pedindo ajuda; temos professores que fizeram dentro da sua casa, montaram verdadeiros circos, estúdios de televisão para poder dar aula. Então a gente vê que o professor tem a vontade, tem a determinação, tem a responsabilidade. Lógico, alguns professores, infelizmente. Nós temos maus profissionais em todas as áreas, e dentro do magistério não é diferente. Mas nós vemos o quê? Que o professor não tem uma formação continuada decente; ele não tem estímulo; não chega para ele.

O investimento em formação é baixo?

É baixíssimo! 

Para onde vai aquele dinheiro todo?

Boa pergunta… Nós tivemos o ministro da educação [Weintraub] que mostrou que, quando houve o impeachment daquela cujo nome não se deve pronunciar, o MEC foi um dos Ministérios mais inflados de pessoas. Eles acabaram com tudo. Eles encheram o MEC de pessoas comissionadas, tudo para estar lá pensando em como destruir a educação, que é o que a gente vê. Porque toda essa parte de ideologia e doutrinação que a gente vê nos livros didáticos, nos professores, não sai de outro lugar, sai tudo dali. Então eles foram cortando toda essa parte de valorização do profissional, da condição do profisisonal fazer cursos, investir na sua carreira para melhorar.

E quanto à liberdade de escolha do material? Conheci escolas onde as coordenadoras e professoras determinam o material. E o resultado é, muitas vezes, infinitamente melhor do que o obtido com livros indicados pelo MEC. O que você pensa sobre a relação entre escolha de material e resultados?

Depende muito do professor, do bom profissional. Eu já dei aula em escola onde eu tinha uma diretora que, ali naquela escola, escola municipal, mães e pais passavam a madrugada na fila para conseguir uma vaga. Porque ali tinha compromisso da direção da escola, do corpo docente e das famílias. E se a diretora mandasse chamar um pai na escola, o pai ía, o pai era comprometido. Essa diretora se aposentou. A escola acabou. Porque a diretora se aposentou, depois os professores, e a escola acabou, virou um lixo.

Então gestão, para você, é algo essencial?

É tudo; tudo. E a gestão precisa ter suporte. Precisa ter suporte de investimento profissional, de investimento de infra-estrutura… Tantos convênios que poderiam ser feitos com as faculdades, as universidades; tudo isso poderia ajudar tanto as escolas… Mas não existe interesse na educação brasileira. 

Você acha que a centralização das atribuições no MEC, que tem mais poderes que as secretarias estaduais; por sua vez concentrando mais tarefas que as municipais atrapalha o processo? Você acha que descentralizar seria um caminho bom?

Eu acho que descentralizar é  caminho, até porque o Brasil é um país muito grande, então cada região tem ali suas especificidades que devem ser levadas em conta. Eu sou muito defensora de uma linha, uma diretriz, um norte para que o aluno até aquela série aprenda isso e aquilo. Tem que ter um norte, tem que ter uma regra. Mas como isso vai ser feito, precisa ser mais descentralizado, o município precisa ter mais responsabilidade. Agora… agora nós temos um governo que realmente está preocupado com isso. O Nadalim mostrou uma forma de alfabetização que funciona; que eu já sei que é boa, já usei; mas que existe uma resistência enorme nessa esquerda para que não se implemente. Por quê? Porque ela funciona. Então a gente precisa quebrar isso para que as coisas comecem a funcionar.

Como deputada estadual, como você consegue ajudar os profissionais da educação realmente empenhados em melhorar o nível, a qualidade do ensino? 

Infelizmente, ainda vai demorar. Porque nós estamos num sistema todinho entrelaçado… Nós temos aqui dentro [da ALESP] uma deputada estadual [Maria Izabel Azevedo Noronha] que é presidente da APEOESP [Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo], então eu não preciso falar muita coisa… O entrave já está aqui. E que preside a comissão de educação. Então veja, a coisa é feita para não funcionar. A gente vai caminhando, vai quebrando alguns paradigmas e começando a construir alguma coisa melhor. Essa ponte entre MEC, estados e municípios permitem que a gente comece a fazer alguma coisa. Eu tenho vários projetos que estamos tentando levar para frente, descobrir como fugir da burocracia para tentar implementar.

Como é que um professor que, por meio da criatividade, chega em todos os perfis de aluno à sua frente se sente tendo que obedecer a uma burocracia que atrapalha essa comunicação?

Você imagine um professor que trabalha, que dá o seu sangue, que mostra, que desenvolve ver um aluno que não quer fazer e chega para você e fala assim: “professora, não enche o saco porque eu tenho presença e eu vou passar.”

Por causa da progressão continuada?

Por conta da progressão continuada. Como se sente um professor desse?

Deve se perguntar “o que é que estou fazendo aqui?”

Exatamente.

Você já se fez essa pergunta?

Uh… Várias vezes, várias vezes. E uma das coisas que me trouxe para a política foi estar dentro da escola e falar “eu não consigo ajudar mais daqui, vou procurar uma outra esfera pra ver se eu consigo ajudar por um outro lugar, porque aqui dentro da sala de aula não tem por onde!”

A legislação atual mais ajuda ou mais atrapalha os professores comprometidos com o ensino?

Atrapalha. Atrapalha muito. Você tem uma universidade totalmente emaranhada naquela política horrorosa dos oprimidos, dos coitadinhos, das vítimas. Eu não sei de onde que se vê tanta vítima. Eu estou na escola pública… Eu dei aula minha vida inteira em periferia. As crianças ganham material. Ganham uniforme, o tênis, a mochila, quer dizer, a oportunidade, têm. Basta o compromisso da família e o compromisso da escola. E aí, como muitas vezes eu testemunhei, as famílias hoje, de tanto essa esquerda destruir essa parte familiar, nós temos hoje as famílias se eximindo da responsabilidade de educar os seus filhos e querendo delegar isso para a escola.

E sem parceria com a família, qual escola funciona, Valéria?

Nenhuma. Eu tive mães na porta da minha sala de aula, com crianças de um ano e meio, falando pra mim: “tia, põe o sapato nele que ele não quer pôr?” E eu “Oi? Um ano e meio? Quem é o adulto da relação?” Essa geração dos “tadinhos”; “ai, tadinho do meu filho…” “Tadinho por quê?” “Ai, é muita lição…”. Escuta, vamos gente! Essa criançada precisa ter responsabilidade! Não se coloca limite, não se cobra, é uma criação que… não sei o que estão querendo pro mundo! E aí você chega dentro de uma sala de aula… Eu sempre fui uma professora― como vou dizer pra você?

Exigente?

Exigente, brava, grande, com vozeirão. Nunca apanhei. Mas tive amigas que apanharam. Apanharam de alunos, tiveram problemas.

Isso no EJA [Educação de jovens e adultos]?

Não! EJA é mais tranquilo. No fundamental II, às vezes até fundamental I, alunos de 4º e 5º ano mandando você para lugares que a ciência desconhece… E aí eu pergunto pra você: se o aluno de 9, 10, 11 anos tem a ousadia de falar dessa forma com uma pessoa mais velha dentro da sala de aula, é porque dentro de casa ele faz isso com os pais. E os pais permitem. Bom, então como é que faz? Como é que você estrutura se a criança não tem estrutura na casa dela?

Você acredita que seja possível haver no Brasil uma educação de qualidade sem antes as famílias repensarem os seus valores?

Não. Não dá. Você não consegue formar a família da escola. Apesar de eu ter como projeto você colocar dentro da sala de aula ética e cidadania. Porque quando você fala em ética, fala em deveres, e hoje a sociedade só pensa nos direitos. Ninguém fala nos seus deveres. Então, é preciso recuperar a dimensão dos deveres e, principalmente, a responsabilidade. A gente precisa começar a mostrar, por exemplo, para os nossos adolescentes, que ter filhos adolescentes não é legal. Eu tive aluna de 13 anos grávida. Não é legal. Isso não é bom. E não é com aula de ideologia de gênero que se vai resolver esse problema. Não é com aulas de como se tem uma relação sexual que você resolve esse problema. É com ciência, com professor de biologia que fala de responsabilidade; da responsabilidade de se ter uma criança, cuidar de uma criança, e a consequência que isso pode ter se isso não for levado à sério. Então toda essa reconstrução familiar a gente precisa trabalhar.

Como cientista―afinal você fez biologia também―, qual foi o seu maior choque, dentre os documentos que analisou na CPI das Universidades, no que diz respeito à pesquisa científica?

O direcionamento. As universidades direcionam as pesquisas. E só se desenvolve as pesquisas que aquelas panelinhas que existem dentro das universidades acham que deve haver. 

As linhas de pesquisa ativas no Brasil são insuficientes para que a gente tenha uma pesquisa mais relevante?

São. São direcionadas, repetitivas e muitas não levam a nada. Falta dinheiro para pesquisas sérias. Falta dinheiro para pesquisas realmente sérias porque o dinheiro fica concentrado ali nos filhos do rei. 

E o investimento em ciência pura, ciência básica? Há uma parte da sociedade que defende se deixar tudo à iniciativa privada, que isso resolve as incongruências; e há outra ala que diz que a iniciativa privada investe em ciência aplicada, mas não em ciência básica, daí a necessidade de o estado assumir esse papel. Você acha que a gente pode pensar em diluir sistemas de financiamento público?

Eu vou dizer uma coisa que me fará, eu sei, ser crucificada. Mas enquanto as universidades públicas tiverem essa tal de autonomia, não tem desenvolvimento em ciência básica, não tem desenvolvimento nenhum de absolutamente nada. Porque com a autonomia universitária… Por exemplo, acabou a CPI das Universidades. Nós batemos muito nos salários, nos supersalários, etc. O que eles fizeram? Entraram com um pedido no STF e acertaram o salário deles junto com os federais. É isso o que eles fizeram. 

Entrada do Gabinete de Valéria Bolsonaro na Alesp/SP

O governo do estado de São Paulo não tem como interferir?

Não tem como gerenciar isso por conta da autonomia da universidade. Então dane-se se está faltando dinheiro para investir em ciência; dane-se, desde que os salários deles estejam equiparados. 

Nas universidades paulistas, há casos de aposentadorias escandalosas?

Absurdas. Não só aposentadorias, como dentro das universidades você tem perseguição; professores que não dão aula; sem compromisso. Sobre isso, nós tivemos vários relatos de alunos que acabaram cursos sem olhar na cara do professor. 

E durante a CPI das universidades, vocês tiveram como conversar com as pessoas envolvidas nesses problemas?

Então… Aí acontece o quê? Vem o reitor, vêm alguns administradores e vêm alguns deputados que têm um conluio com as universidades e desconstroem tudo aquilo que a gente está fazendo. Porque é muito difícil você provar. A universidade não tem, por exemplo, um controle de ponto de professor. Não tem. Porque como o professor tem a dedicação exclusiva, ele não tem. Quantas horas de aula o professor dá? Vai a alguma universidade federal ou estadual e veja se você consegue. E como você prova isso? É muito difícil. Tem muita coisa para mudar.

E você acha que o investimento maior, em qualquer país, deve ser em ensino básico ou superior?

Ensino básico. Só com base você consegue direcionar. Aí no segundo grau você coloca o ensino profissionalizante, e aí você vai ter universidades de qualidade. Eu tenho amigos que são professores de universidades que reclamam que eles não aguentam mais baixar o nível das aulas deles porque os alunos não acompanham.

Qual a sua opinião sobre o Homeschooling, ou ensino domiciliar? Claro que os pais têm sempre a opção de matricular os filhos numa escola; nem todos os pais têm condições ou disponibilidade para educar os filhos. Mas a proibição faz sentido?

Ora… E o que está acontecendo hoje com a pandemia?

Homeschooling. 

Está respondida a pergunta. Você entende? Como uma das minhas bandeiras é a inclusão de crianças com deficiência, eu tenho muitas mães que não querem levar os seus filhos naquela idade para a escola. Elas querem esperar, mas não querem ver seus filhos prejudicados. Então, elas gostariam de fazer o homeschooling e não podem, porque correm o risco de responder na justiça. Isso é um absurdo. Em contrapartida, a hipocrisia é tão grande que a criança com deficiência auditiva não consegue entrar na escola antes de 10, 11 anos porque não tem alfabetização em libras para crianças nem da educação infantil, nem do fundamental I. Então você vê que é um paradoxo, algo completamente absurdo. 

Muito obrigada, Valéria. Boa sorte em sua legislatura. Esperamos que você continue aqui para que o estado de São Paulo tenha alguém, entre os conservadores, atento à educação, uma pauta praticamente sequestrada pela esquerda, para que a gente volte a ter educação de qualidade no Brasil. 

Se Deus quiser. Isso é um sono que a gente vai conseguir.


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