Juízes consideraram que, no momento do crime, o assassino estava em estado psicótico, pelo uso de maconha, e incapaz de responder por seus atos

Kobili Traoré, assassino de Sarah Halimi foi inocentado pelo mais alto tribunal da França, na quarta-feira (14), após concluírem que o assassino da mulher judia não era criminalmente responsável e por esse motivo não poderia ir a julgamento.

Segundo o The Times of Israel, a decisão da Suprema Corte de Apelações do Tribunal de Cassação manteve as decisões de tribunais inferiores de que o assassino não poderia ser julgado por conta do seu estado psicótico, causado pelo uso de maconha.

A decisão provocou a ira de grupos anti-racistas que afirmam que o veredito coloca a vida dos judeus em risco.

Relembre o caso

Kobili Traoré (foto) ficou furioso após uma briga familiar e invadiu o apartamento de um vizinho, que de imediato se trancou no quarto, ligou para a polícia pedindo ajuda e ficou esperando, com medo, enquanto o intruso recitava versos do Alcorão.

Kobili Traoré

Enquanto Traoré escalava a varanda do apartamento onde a família estava até o apartamento de Sarah, a polícia foi ao prédio errado. Quando finalmente a polícia chegou ao apartamento da primeira família, Traoré já havia invadido o apartamento de Sarah.

Inúmeras ligações telefônicas chegavam na central de emergência da polícia relatando que uma mulher gritava desesperadamente, enquanto um homem a espancava aos gritos de “cale a boca”, “Allahu Akbar” e “Eu matei o Shaitan”, conforme reportagem do Le Parisien.

O segundo Distrito da Polícia Judiciária (2.º DPJ) de Paris foi o responsável pela investigação.

O promotor François Molins, abriu o caso por homicídio deliberado e declarou em 7 de abril de 2017 que o assassinato não poderia, pelo menos naquele momento, ser considerado um ato anti-semita, mas que haveria possibilidade de ser explorada pelos investigadores.

Na época, o jornal Libération informou que Traoré nunca havia sido internado em um hospital psiquiátrico, mas que já tinha sido preso diversas vezes por crimes, dentre eles, violência agravada.

Apesar de Traoré ser levado sob custódia sem resistência, pouco depois ele brigou com a polícia e foi julgado por um médico para requerer transferência a um hospital psiquiátrico.

Ele não chegou a ser interrogado pela polícia e os resultados da avaliação psiquiátrica que seriam para junho, foram adiados para o final de agosto. O exame toxicológico revelou a presença de cannabis em seu sangue.

Ao ser ouvido pelo juiz de instrução em 10 de julho de 2017, ele assume os fatos sobre o assassinato e nega qualquer motivação anti-semita.

Eu me senti como se estivesse possuído. Eu me senti oprimido por uma força externa, uma força demoníaca.

– Kobili Traore

Ele imputa a sua condição ao consumo de cannabis.

Sarah Halimi foi atacada e morta aos 65 anos em seu apartamento por Kobili Traoré, que era seu vizinho no dia 4 de abril de 2017. De acordo com o Daily Wire, ela foi espancada e jogada de seu apartamento no terceiro andar, localizado no Distrito de Belleville, em Paris (França). 

Sarah Halimi

Até hoje não foi comprovado se ela foi morta antes da queda ou após a queda. Sarah era médica e professora aposentada e mãe de três filhos.

O assassino, Kobili Traoré, era seu vizinho de 27 anos. Um imigrante africano de Mali, traficante e viciado em drogas. Ele alegou insanidade e está preso em um hospital psiquiátrico.

Após a decisão do Tribunal de Cassação, os advogados da família de Sarah Halimi anunciaram que levarão o caso ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

Segundo o The New York Times, Francis Kalifat, presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas na França, manifestou indignação e repúdio à decisão do Tribunal.

A partir de agora, em nosso país, nós podemos torturar e assassinar judeus, sob total impunidade

– Francis Kalifat

Com informações do Libération, The Times of Israel, Le Parisien, Daily Wire e The New York Times


A injustiça que se faz a um é uma ameaça que se faz a todos

– Barão de Montesquieu

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