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terça-feira, 28 junho, 2022

SÃO PAULO | Historiadora destaca que PL47/2021 exclui mestiços da memória municipal

Revista Mensal
Samara Barricelli
Samara Barricellihttp://www.revistaesmeril.com.br
Samara Oliveira Barricelli é jornalista, Católica Apostólica Romana, mãe e esposa.

Formada em História e Mestre em Patrimônio Público discursou durante Audiência Pública na Câmara

Nesta segunda-feira (27) participaram da Audiência Pública “São Paulo é Solo Preto e Indígena”, na Câmara Municipal de São Paulo, a historiadora Cássia Queiroz e a professora Bruna Torlay. A audiência discutiu a PL 47/2021, da Vereadora Luana Alves (PSOL), que versa sobre exclusão de homenagens a personagens da história paulistana, por acusações de ‘racismo’ e ‘higienismo’.

Cássia, Mestre em Patrimônio Público, destacou que a PL exclui os mestiços da memória do município, ao destruir o legado de parte dos construtores da metrópole, para substituir por outros que também pedem seu lugar ao sol.

A estudiosa e especialista destacou que o grande fundador de São Paulo foi o Cacique Tibiriçá, de quem descendem ”pessoas ilustres” de nossa época, como “a Rainha Silvia da Suécia (77), o escritor Bernardo Élis” (1915 – 1997), o “Maestro Joaquim Jayme” (1941 – 2017) e “a escritora Lygia Fagundes Telles (98)”.


O Cacique Tibiriçá permanece na cripta da Catedral da Sé e foi lá enterrado com honrarias de Chefe de Estado

— Cássia Queiroz; Historiadora e Mestre em Patrimônio Público

Cássia Queiroz também é colaboradora do Grupo Nação Mestiça e aproveitou a oportunidade para pedir a inclusão da “nossa grande Nação Mestiça” nas homenagens e de placas explicativas nos monumentos, que podem evitar até situações como o ataque ao Monumento a Borba Gato, que também é descendente do Cacique Tibiriçá e foi ele próprio Cacique, mas é alvo de acusações de higienismo, racismo e caça aos indígenas.


Devemos incluir estátuas, e não tirar aqueles mestiços que construíram esta cidade maravilhosa e que mora no meu coração, que é São Paulo

— Cássia Queiroz

A professora Bruna Torlay, diretora da Revista Esmeril, concordou com a disposição da Mestre Cássia Queiroz e reforçou a importância da inclusão, sem a necessidade de substituir.


É legítimo que se queira incluir as pessoas que ficaram de fora, mas é desnecessário fazer substituindo, tirando o lugar de outro. É uma substituição que destrói e isso é muito perigoso. É bom incluir, mas não é necessário destruir

— Bruna Torlay

A Mestre Cássia finalizou citando os nomes de bandeirantes André Fernandes, Baltasar Fernandes e Domingos Fernandes, que foram fundamentais ao desenvolvimento do Brasil. Estes bandeirantes eram bisnetos do Cacique Tibiriçá, pela linha materna, pois, filhos de Suzana Dias, neta do Chefe Indígena.

Fala da Historiadora e Mestre em Patrimônio Público, Cássia Queiroz

Inclusão de última hora

Tanto a historiadora e Mestre Cássia Queiroz, quanto a professora e pesquisadora Bruna Torlay foram inclusas ”de última hora”, graças à mobilização da assessoria do Deputado Douglas Garcia e ao Movimento Conservador, que ao saberem da existência dessa audiência pública, sem a participação de especialistas que levassem outros pontos ao debate, conseguiram a solicitação da inclusão de ambas, através do Vereador Rinaldi Digilio (PSL).

A audiência continua disponível no Canal da Câmara Municipal de São Paulo no Youtube.

Com informações da Câmara Municipal de São Paulo


Da cunhã é que nos veio o melhor da cultura indígena. O asseio pessoal. A higiene do corpo. O milho. O caju. O mingau. O brasileiro de hoje, amante do banho e sempre de pente e espelhinho no bolso, o cabelo brilhante de loção ou de óleo de coco, reflete a influência de tão remotas avós

— Gilberto Freyre

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2 COMENTÁRIOS

  1. Bela a história que mostra a origem dos mestiços paulistanos. Bom lembrar que isto se repetiu em todo o território. Somos uma nação miscigenada. Aplausos para a iniciativa.

    • Agradecemos pelo feedback.

      Realmente, somos uma nação miscigenada. Aliás, a miscigenação integrava a política de colonização portuguesa.

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