Investigação da polícia indica que mãe e irmão da vítima seriam os verdadeiros culpados. 

Em reportagem publicada no editorial desta revista, no dia 13 de fevereiro deste ano, noticiamos o assassinato da advogada Izadora Santos Mourão (41 anos) em sua residência. Izadora morava em Teresina, capital do Piauí, mas se mudou para a cidade de Pedro II, no mesmo Estado, após sua separação. 

A principal suspeita na época era uma suposta vendedora que teria entrado na residência da vítima, a esfaqueado em seu quarto e saído dizendo que havia se resolvido com a doutora. Essa versão foi sustentada pela mãe da vítima, Sra. Maria Nerci (70 anos).

Reviravolta na investigação

O Delegado Geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, concedeu coletiva na terça-feira (16) sobre a investigação do assassinato da advogada; cujo caso está sendo acompanhado de perto pela OAB do Piauí, que exige rígida aplicação da lei. 

Segundo o delegado, os principais suspeitos são o irmão João Paulo Mourão, e a mãe da vítima, a Sra. Maria Nerci. João Paulo é bacharel em Direito e jornalista. 

Duas facas foram apreendidas e enviadas para a perícia. Uma dessas facas foi adquirida por João Paulo poucos dias antes do assassinato de Izadora e escondida na casa de sua tia por sua mãe, após o crime. Além de esconder a faca, a mãe de Izadora também não acionou a polícia. 

Ambos participaram normalmente do velório de Izadora, porém, segundo testemunhas ouvidas pela reportagem da Rede Meio Norte, não esboçaram reações ou emoções. 

Desmonte da versão dos suspeitos

Como informado acima, o álibi de João Paulo foi criado por sua mãe. Porém, sangue da vítima foi encontrado no quarto do irmão e vizinhos e transeuntes não viram qualquer pessoa entrar ou sair da residência na data e horário do assassinato (13/02/2021 – entre 07h e 13h). 

A versão de que uma vendedora teria entrado, esfaqueado a advogada Izadora até a morte e saído, sem que algum dos moradores tenha percebido ou escutado gritos, não concedeu a Polícia Civil. Segundo o coordenador do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Francisco Costa; também conhecido por ‘Baretta’:

“Nós trabalhamos com investigação criminal por diretrizes e um desses princípios é a possibilidade e a probabilidade, então quando o Secretário de Segurança e o delegado geral nos recomendou que enviássemos uma equipe para lá nós fizemos o trabalho inclusive entrevistando pessoas e durante esse trabalho eles viram várias lacunas que tinham na investigação. O delegado procedeu novas diligências e requisitou novas perícias, inclusive a complementação do laudo cadavérico de exame de local de crime e partiu em outra diligência chegando a autoria material que é atribuída ao senhor João Paulo que é irmão da vítima, o instrumento do crime foi apreendido, ele após o crime entregou a faca na casa de uma tia e a tia após saber que o DHPP estava na cidade, temendo que a polícia chegasse a ela, como chegaria e como chegou, ela simplesmente chamou ele e devolveu a faca”.

João Paulo foi preso na segunda-feira (15) e sua mãe deve ser indiciada como cúmplice no assassinato da própria filha. 

“A partir das 07h do dia 13 de fevereiro nenhuma pessoa entrou naquela casa, nós procuramos ouvir pessoas, bem devagar, uma por uma, não encontramos. Inclusive a mãe deles quando verificou a moça já morta não se preocupou em ligar para a polícia tampouco pedir socorro, ligou para uma faxineira para que a faxineira falasse para a polícia que quando chegou lá ele estava dormindo”, informou Baretta. 

Motivação ainda sob investigação

Segundo o Delegado Geral Luccy Keiko, a motivação ainda está sob investigação, portanto, prefere aguardar o término para falar com certeza. O suspeito não esboçou reação no momento da prisão.

No entanto, é conhecido que o falecido pai de Izadora e João Paulo deixou uma herança (não especificada pelas reportagens) que seria causa de brigas e discussões entre ela e o irmão. A principal teoria levantada até ao momento é que o assassinato estaria motivado pela disputa da herança. 

Como João Paulo comprou uma das facas apreendidas poucos dias antes, a Polícia Civil desconfia de que o assassinato foi premeditado. 

Entrevista ao ‘Cidade Alerta’

Em entrevista ao Cidade Alerta, a mãe da vítima (identificada só como Dona Maria) manteve a versão de assassinato da filha por uma vendedora, que o filho estaria dormindo e que ainda teria aberto o portão para a suposta assasina ir embora. 

Dona Maria defendeu seu filho João Paulo da acusação de assassinato da própria irmã. A imagem da mãe também aparece embaçada na reportagem da Record.

Já na entrevista à Rede Meio Norte, foi reconhecida como a Sra. Maria Nerci. A versão foi exatamente a mesma, também afirmando a inocência do filho. 

Baretta afirma que não há dúvidas da autoria do assassinato por João Paulo.


Com informações da Rede Meio Norte e do Cidade Alerta (Record).


“[…] A lei do fratricídio é a lei da guerra. A lei da guerra é a lei da força. A lei da força é a lei da insídia, a lei do assalto, e a lei da pilhagem, a lei da bestialidade. Lei que nega a noção de todas as leis, lei da inconsciência, que autoriza a perfídia, agaloa a insolência, eterniza o ódio, premia a barbárie, assenta o direito, a sociedade, o Estado no princípio da opressão, na onipotência do mal […]”.

Rui Barbosa
fim
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