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quinta-feira, 27 janeiro, 2022

OPINIÃO| Imposição na Alemanha de lockdown aos não vacinados remete ao segregacionismo

Revista Mensal
Samara Barricellihttp://www.revistaesmeril.com.br
Samara Oliveira Barricelli é jornalista, Católica Apostólica Romana, mãe e esposa.

Experiência histórica alemã com separação da população em cidadãos e sub-cidadãos foi esquecida?

A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, anunciou nesta quinta-feira (2) que a partir de fevereiro de 2022 a vacinação contra a Covid-19 será obrigatória no país. Serão impostas restrições de contato social em todo território alemão para aqueles que ainda não se vacinaram, segundo o Metrópoles.

A mídia local intitulou a ação como “lockdown para não vacinados” já que essas pessoas serão proibidas de entrar em lojas “não-essenciais”. A decisão não inclui pessoas que estão se recuperando da Covid-19.

A Áustria foi o primeiro país do Ocidente a determinar o “lockdown para não vacinados”. Na Grécia já foi determinada a vacinação obrigatória para cidadãos acima de 60 anos.

“Cultura e lazer serão abertos no território alemão apenas para aqueles que se vacinaram ou se recuperaram” -Angela Merkel.

Merkel também anunciou que caso boates e clubes excedam o “limite” de infectados serão fechados imediatamente.

Ideais que remetem ao segregacionismo

Separar os cidadãos em subgrupos aos quais certos direitos são dados ou revogados em razão de alguma condição individual, remete aos ideais segregacionistas do ambiente alemão no início do século XX, principalmente a partir do final da Primeira Guerra Mundial.

Foi durante a chamada República de Weimar que esses ideais se expandiram, principalmente nas cidades mais urbanizadas, mais impactadas pela inflação do pós-guerra e pela degradação dos costumes, como relatado por Lionel Richard em “A República de Weimar” (publicado no Brasil pela Companhia das Letras).

A captação dos insatisfeitos e desesperados pelo discurso (fácil) Nacional Socialista (nazista) tem seus resultados bem conhecidos.

A sombra do Hitlerismo

Adolf Hitler foi o líder do Partido Nazista na Alemanha de 1934 até 1945. Ditador do Reich Alemão, incitador da Segunda Guerra Mundial e protagonista do Holocausto, o ditador não media esforços para rebaixar aqueles que não considerava digno de sua “raça pura”.

Arquivos da Conferência de Wannsee comprovam que o Holocausto foi premeditado e orquestrado por Hitler e seus asseclas, que acusavam os judeus de indesejáveis e inferiores. Em janeiro de 1942, o ditador decidiu iniciar o plano que a cúpula nazista chamava de “Solução Final”, definindo que os judeus, eslavos e todos aqueles que fossem considerados como “indesejáveis” deveriam ser mortos.

Separando a sociedade alemã em cidadãos, sub-cidadãos e não-cidadãos, os nazistas classificaram os “indesejáveis”, inclusive os marcados com números em série e enviados aos terríveis campos de concentração.

Futuro preocupante

Num ambiente cujo ódio aos não-vacinados é fomentado, os acusando de serem culpados pela ondas de pandemia e o retardamento da tão aguardada “volta à normalidade” – logo, indesejáveis e moralmente inferiores aos vacinados -, e no qual impera a disseminação do medo e da histeria, qual será o resultado?

Um histórico tão negativo deveria ter ensinado sobre as consequências do fomento ao ódio e ao segregacionismo. Será que essa terrível experiência foi esquecida?

Com informações de Metrópoles


A ditadura e um estado em que todos temem alguém

— Alberto Moravia

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