Confira a análise crítica da Esmeril sobre a produção indicada a 10 prêmios da Academia

Seu batalhão está prestes a vencer um confronto que durou, literalmente, muitos anos, e o pior: custou vidas de muitos bravos soldados para ser conquistado. O cenário é de desolação total humana, mesmo com o triunfo. Mas espere, nada de desânimo. Você venceu. Hora de deixar as trincheiras e se preparar para o próximo avanço.

De repente, o seu ponto estratégico é atacado, em plena luz do dia. O mais assustador disso tudo é que o ataque foi gerado por meio de informações vazadas por aqueles que juravam ser fiéis e “irmãos de batalha”, como diria um certo ermitão do interior paulista. Sim. ERAM leais, não se esqueça. A alta traição pode custar muito, muito caro…

Se você transferir o cenário dessas baixas de guerra para o atual momento entre aliados e inimigos traiçoeiros, não estará de forma alguma desviando do assunto quando falamos em lealdade – o tema central do filme 1917, de Sam Mendes, que tem atraído tantos aplausos, críticas positivas e indicações a prêmios, como as 10 recebidas para a edição 2020 do Oscar.

Fraqueza espiritual e jogo de interesses

Não vale dizer que mudar de opinião ou de lado numa guerra, seja ela bélica ou apenas psicológica, é fator proibido. Pessoas, grupos, partidos e organizações, ao menos no Brasil ainda são livres. O que se percebe, de fato, é a aparente fraqueza espiritual e jogo de interesses colocados em primeiro lugar. Uma série de fatores que ainda não podemos cravar para descrevê-los.

Ao transferir esse comportamento para o catastrófico momento da França na Primeira Guerra Mundial, mais exatamente no penúltimo ano das batalhas, temos como traçar um paralelo interessante. É o que vemos em 1917, épica produção britânica mais preocupada em ratificar que o homem ainda tem salvação se for fiel a seu espírito e irmandade.

Todas as guerras são cruéis. Se você ler o relato completo do inglês Martin Gilbert em A Primeira Guerra Mundial: os 1.590 Dias que Transformaram o Mundo, irá constatar como o conflito foi sangrento. Nas mais de 890 páginas da obra, não são poucos os capítulos que mostram crianças, simples fazendeiros e seus rebanhos sendo atingidos por estilhaços de bombas, sem tempo sequer de orar por suas vidas.

Nas duas horas do longa de Sam Mendes, a proposta central não é registrar esses ataques, apesar de que as cenas, muito bem coordenadas pelo diretor, façam parte do roteiro, sem ser exageradas ou apelativas. Mas o trabalho de Mendes, inspirado pela história real de seu avô, tem outra direção. Ele atinge o objetivo quando se preocupa em mostrar o quanto importante é uma missão guiada pela coragem e lealdade.

Realidade x Ficção

Alfred Mendes, ex-combatente do exército Britânico na Primeira Guerra, foi a figura central usada pelo neto para que a história de 1917 fosse deserrolada de forma tão eficiente.

Ao invés de tudo ocorrer na França, Alfred Mendes se alimentou de coragem para uma missão voluntária em meio à Batalha de Poelcappele, na Bélgica, logo após seu batalhão ser praticamente destruído pelos alemães em outubro de 1917. Ao invés de deixar as trincheiras para resgatar os companheiros, o tema do longa é focado na Linha Hindenburg, durante a Operação Alberich, onde dois soldados ingleses partem em uma missão suicida para evitar que seus companheiros fossem pegos em uma emboscada.

Resgate dos valores conservadores

Nos quase 120 minutos de duração de 1917, Mendes seduz até quem não é fã do gênero. O diretor comprova que, apesar de ser previsível, um filme baseado em fatos pode reservar surpresas. O andamento da trama também não é cansativo, nem melodramático. O objetivo é contar uma bela história de amizade e fidelidade em meio às tragédias de uma guerra que não poupa nem mesmo bebês.

Existem muitos outro longas que focam a Primeira e Segunda Guerra Mundial com brilhantismo. Quantidade à parte, 1917 talvez seja o que mais tenha resgatado valores tão importantes para os conservadores. O principal deles: é possível ser leal e companheiro até o último suspiro.

Fim
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