O resultado do segundo turno das eleições em São Paulo, maior município do Brasil, foi semelhante ao do primeiro: a soma entre abstenções, brancos e nulos venceu o pleito. No primeiro turno, 3.647.901 pessoas decidiram não votar em ninguém. No segundo, o número subiu um pouquinho: 3.649.457 decidiram não votar nos concorrentes ao posto de prefeito.

Os números divulgados pelo TSE demonstram consistência e regularidade quanto à atitude do eleitor convicto em sinalizar que nenhum concorrente merecia seu voto de confiança. No primeiro turno, o número de votos válidos foi 5.338.786, enquanto o segundo turno registrou 5.337.230, isto é, praticamente a mesma coisa.

Como parte dos eleitores tinha candidatos a vereador, mesmo recusando todos os candidatos a prefeito, a abstenção no segundo turno abrangeu 136 mil e 592 pessoas a mais. O número de brancos e nulos aos prefeitos, no primeiro turno, é semelhante a esta diferença nas abstenções: 135 mil e 36 pessoas.

É viável supor, portanto, que os 136 mil eleitores de São Paulo que compareceram ao primeiro turno para votar em vereadores, anulando ou votando branco para prefeito, simplesmente não compareceram ao segundo, engrossando o percentual de abstenções.

Em números absolutos, o ranking do primeiro turno foi o seguinte:

NINGUÉM (Abstenções, brancos e nulos)3.647.901
Bruno Covas (PSDB)1.754.013
Guilherme Boulos (PSol)1.080.736

Como o número de votos válidos permaneceu regular (5.338.786 pessoas votaram em algum candidato a prefeito no primeiro turno, e 5.337.230 repetiram o gesto no segundo), é mais provável que Covas e Boulos tenham recebido votos antes destinados a seus concorrentes, que conquistado os votos de quem se recusou a apoiar qualquer das opções disponíveis já no 1º turno.

O ranking do segundo turno foi o seguinte:

NINGUÉM (Abstenções, nulos e brancos)3.649.457
Bruno Covas (PSDB)3.169.121
Guilherme Boulos (PSol)2.168.109

O que aconteceu em São Paulo não foi algo isolado. O número de abstenções manteve a média elevada no país, tendo a capital paulista registrado abstenção recorde neste segundo turno. As taxas de abstenção em eleições municipais têm se elevado proporcionalmente nas últimas duas décadas, conforme informa o portal G1:

  • 2004: 15%
  • 2008: 16%
  • 2012: 18%
  • 2016: 22%
  • 2020: 29,29% (1º turno)
  • 2020: 30,8% (2º turno)

O presidente do TSE e ministro do STF Luis Roberto Barroso credita o elevado índice à COVID-19. Contudo, a progressão consistente nos percentuais de abstenção evidencia, no mínimo, que nem todo eleitor tem interesse em participar das eleições, ainda que, no Brasil, o voto seja obrigatório.

Considerando o perfil artificial, vulgar ou entendiante daqueles que se propõem a assumir cargos políticos Brasil afora, recriminar o povo por esta indiferença seria, convenhamos, no mínimo falta de boa fé.

fim
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