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domingo, 5 dezembro, 2021

Mulheres são proibidas de estudar e removidas de empregos no Afeganistão

Revista Mensal
Roberto Lacerda
Roberto Lacerda Barricelli é jornalista, assessor e historiador. Foi correspondente do Epoch Times e colaborador em diversos jornais, como Jornal da Cidade Online, O Fluminense, São Carlos Dia e Noite, Diário da Manhã, Folha de Angatuba e Jornal da Costa Norte.

Grupo terrorista islâmico tomou o poder e iniciou sua revolução com restrições aos direitos das mulheres

Neste domingo (15) o Talibã, um grupo terrorista islâmico, retomou à força o poder no Afeganistão, 20 anos após terem sido alijados do governo pela intervenção americana. Em poucos dias de governo do Talibã os direitos fundamentais retrocederam duas décadas.

Segundo a BBC, ainda no domingo os professores já se despediam das alunas, principalmente na Universidade de Cabul. O UOL reproduziu declarações de mulheres afegãs, que informam o retorno das restrições aos direitos fundamentais, como era até 2001, quando o grupo terrorista islâmico se recusou a entregar Osama Bin Laden – no pós 11 de Setembro – e foi removido do governo pelas Forças Armadas dos Estados Unidos da América.


“Há muitas restrições agora. Quando eu saio, tenho que usar burca (traje que cobre completamente o corpo da mulher, com uma treliça estreita à altura dos olhos), conforme ordenado pelo Talibã, e um homem precisa me acompanhar.

— Parteira de Ishkamish


Sinto como se estivesse em um túnel… Não consigo ver nenhuma luz brilhante e não sei qual é o comprimento do túnel.

— Aisha Ahmad, estudante

Restrições ao emprego

Se o trabalho de parteira ainda é permitido, as mulheres foram alijadas de empregos que se exponham ao público sem hijab ou os cabelos cobertos. Às jornalistas e repórteres foi prometido que poderão retornar às suas atividades, desde que usando a vestimenta obrigatória.

O porta voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, garantiu que haverá um “marco legal” para regular a participação das mulheres no mercado de trabalho, porém, “por enquanto” devem permanecer em casa, noticiou o Yahoo.

No entanto, a ativista Humira Saqib (41) informou que não passa de retórica do Talibã e que em várias partes do país as mulheres já estão sofrendo as proibições, sendo questão de dias até que a internet e o cinema sejam novamente proibidos, mas para todos os cidadãos, de acordo com o Extra.

A mudança retórica seria uma estratégia do Talibã para obter reconhecimento internacional, disse Saqib.


Não permitam que 20 anos de avanços sejam perdidos e deem ao povo uma garantia internacional de que protegerão suas vidas.

— Humira Saqib

Caça às ativistas

O jornal espanhol El País obteve declarações de Humira Saqib, que está escondida e temendo por sua vida, devido a volta do Talibã. Ela declarou que as ativistas estão nessa situação, pois o grupo terrorista islâmico está enviando membros nas casas dessas mulheres.


Os talibãs começaram a ir de casa em casa à procura das mulheres ativistas.

As ativistas estamos escondidas aqui, nos escondemos em casas de amigos e familiares e não podemos sair [na rua] pelo risco que corremos.

— Humira Saqib ao El País

O ceticismo é grande, pois os relatos conflitam com a retórica do porta voz do Talibã. Em Julho deste ano o Talibã seqüestrou Zahra Jalal, representante da Rede de Mulheres em Governança Urbana, em Khost. Outra mulher, Maryam Durrani, fugiu de Kandahar, antes que a cidade fosse capturada pelo grupo terrorista islâmico, pois estava com a vida ameaçada por promover a educação de meninas.

A revolução em curso no Afeganistão ocorre pelas mãos do mesmo grupo que dominou o país entre 1996 – 2001, promovendo severas restrições à liberdade de imprensa, conduta e direitos fundamentais de seus cidadãos.

Com informações de BBC, Extra, Yahoo Notícias!, El País e UOL


Você não consegue fazer uma revolução com luvas de seda

— Joseph Stalin

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