A hashtag #MorrióPorAbortoLegal ganhou a rede pela morte de uma jovem após realizar um aborto legal

Conforme apurou reportagem da Revista Esmeril, María del Valle González López (23) faleceu no domingo (11), após a realização de um aborto legal, na Argentina. Foi a primeira morte registrada no país depois da aprovação da lei do aborto em 30 de dezembro passado.

María estudava serviço social na Universidade Nacional de Cuyo, e era presidente da Juventud Radical La Paz, na província de Mendoza (Argentina).

De acordo com o jornal argentino Clarín, Maria se dirigiu na quarta-feira, ao hospital Arturo Illia, na cidade de La Paz, “para solicitar um procedimento de interrupção legal” da gestação, termo usado para se referir ao aborto. No hospital prescreveram um medicamento e presume-se que seja o misoprostol. Na sexta-feira ela começou a passar mal e foi encaminhada ao principal centro de saúde da zona leste de Mendoza, o hospital Perrupato, onde foi diagnosticada uma infecção geral que causou a sua morte.

O misoprostol é uma prostaglandina que faz com que o útero expulse o que há em seu interior. No caso de gravidez, faz com que a mãe perca o feto, o que pode causar sangramento na mulher. Em alguns casos, o sangramento pode fazer com que a mãe entre em choque hipovolêmico e venha a falecer. É bastante comum que a mulher após tomar o misoprostol se dirija até um centro de saúde para fazer uma curetagem para remover qualquer resto do bebê do útero. Se a curetagem ou raspagem não é feita com material adequadamente esterilizado ou que esteja contaminado, pode provocar uma infecção que poderia levar à septicemia ou infecção generalizada, o que pode causar a morte.

O médico cirurgião argentino, Dr. Luis Durand explicou à ACI Prensa, agência em espanhol do grupo ACI, que embora alguns afirmem que a morte da jovem poderia ter ocorrido por negligência, na realidade o aborto não é uma prática médica. Até poucos meses atrás, para a lei argentina, era um ato criminoso. Agora é um instrumento legalizado para supostamente beneficiar uns e punir outros, e isso não é um ato médico, independentemente de ser legal ou não.

O ato médico deve sempre buscar melhorar a situação de todos sobre quem intervém, embora circunstancialmente possa falhar e não o conseguir, mas nunca pode ser considerado um ato médico, interromper a vida de qualquer ser humano de forma intencional ou premeditada. No aborto, a morte para o bebê é sempre violenta. Ou injetam substâncias que o queimam no útero, ou o extraem por desmembramento, ou é arrancado por contrações uterinas extremas morrendo por asfixia.

– Dr. Luis Durand à ACI Prensa

O médico completou que a infecção ou septicemia na mulher que toma misoprostol para abortar pode ocorrer quando a expulsão é incompleta e os restos do bebê permanecem no útero. Por isso, é uma falácia dizer que qualquer instrumentação em um organismo possa ser “segura”.

A líder pró-vida Guadalupe Batallán  publicou no seu twitter que María del Valle tinha 23 anos e uma vida inteira pela frente. Era estudante e se tornou presidente da juventude radical de Mendoza. Ela abortou legalmente na quarta-feira e morreu no fim de semana. Eu vou contar para vocês porque as feministas ficam quietas. #MorreuPorAbortoLegal”.

A ativista pró-vida e mãe Belén Lombardi, escreveu: Se María tivesse morrido na clandestinidade, as feministas estariam destruindo a cidade inteira, mas como María #MorreuPorAbortoLegal e isso não lhes convém, ignoraram.

Assim que se souberam da sua morte, vários ativistas e grupos pró-vida na Argentina inundaram as redes sociais com as hashtags #MurióPorAbortoLegal #MorreuPorAbortoLegal, em português #AbortoLegalMataIgual.

Segundo informações do Clarín a investigação sobre a morte de María del Valle começou na Promotoria de Santa Rosa, mas por sua complexidade seguiu para a Promotoria de San Martín na segunda-feira. Não há data para a divulgação dos resultados da autópsia.

Martín Zeballos Ayerza, da organização Advogados pela Vida na Argentina, disse à ACI Prensa que a jovem era uma garota muito conhecida porque era membro da União Cívica Radical, partido histórico na Argentina. E que embora o partido tenha em sua carta de princípios o direito à vida, foi capturado pelo progressismo, especialmente na Universidade de Buenos Aires, onde há muitos radicais verdes abortistas.

De Rosário ao sul a maioria dos radicais é abortista. De Córdoba ao Norte, os radicais são pró-vida. Pode-se dizer, em geral, que os radicais nas grandes cidades são progressistas e os radicais nas cidades do interior são pró-vida. .

– Martín Zeballos Ayerza

A senadora Silvia Elías de Pérez, de Tucumán, da União Cìvica Radical, votou em agosto de 2018 a favor das duas vidas e contra a lei do aborto. O comitê radical tem em Buenos Aires um lugar onde estão os quadros de grandes dirigentes das mulheres do partido. Após a votação de Silvia Pérez, retiraram o seu quadro por ter votado a favor da vida. Deixou de ser dirigente notável por defender a vida a partir da concepção. Tudo isso mostra a luta e as contradições internas.

O radicalismo faz parte de Juntos pela Mudança, que integravam o governo do ex-presidente Mauricio Macri. Hoje dizem que são oposição, mas na realidade são a primeira minoria progressista, segundo Zeballos.

Com informações do Clarín (Argentina), La Nacion (Argentina) e ACI Digital e ACI Prensa


O homem não nasceu para a morte: o homem nasceu para a vida e para a imortalidade.

– Ariano Suassuna

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Revista Esmeril - 2021 - Todos os Direitos Reservados
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