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domingo, 5 dezembro, 2021

Marília Mendonça: A Rainha da Sofrência

Revista Mensal
Samara Barricellihttp://www.revistaesmeril.com.br
Samara Oliveira Barricelli é jornalista, Católica Apostólica Romana, mãe e esposa.

Artista representava a força daquele Brasil que ama, sofre, luta, persiste e… vence

Nascida em 22 de julho de 1995, na cidadezinha de Cristianópolis, em Goiás, Marília Dias Mendonça teve sua vida prematuramente encerrada na tarde desta sexta-feira (5), aos 26 anos. Deixou um filho de 1 ano e 10 meses, Léo Dias Mendonça Huff.

Compositora, instrumentista e cantora de sertanejo, Marília Mendonça começou a desenvolver seu talento musical dentro da Igreja, porém, teria se afastado da religião. Seu afastamento ocorreu após um período difícil, no qual precisou cantar num bar para ajudar sua mãe com as contas e ambas receberam críticas descabidas de membros da igreja que frequentava.

Ainda assim, não deixava de acreditar em Deus e na Bíblia, sendo uma ovelha que poderia um dia encontrar o verdadeiro rebanho. Não haverá mais tempo para que a menina revoltada com as críticas descabidas recebidas aos 15 anos pudesse se encontrar dentro da religião que deu nome à sua cidade natal.

Carreira

Do barzinho ao centro dos palcos, Marília Mendonça lançou um EP em 2015 e seu primeiro álbum no ano seguinte, quando sua música “Infiel” se tornou a mais executada em todas as rádios do país.

Aos 12 anos já compunha, inclusive para músicos conceituados ou famosos. São de sua autoria as canções “Minha Herança” (João Neto & Frederico), “Calma” (Jorge e Mateus) e “è com ela que estou” (Cristiano Araújo). Teve apoio da dupla sertaneja Henrique & Juliano, presente desde seu primeiro single: “Impasse”, e para quem compôs “Até você voltar”, “Cuida bem dela” e “Flor e Beija-Flor”.

Mas seria em 2019 que a artista chegaria ao topo, liderando o ranking brasileiro na plataforma Youtube, com 56,8 milhões de visualizações num único vídeo e em apenas uma semana, segundo o POPline. A Rainha da Sofrência e seu ‘sertanejo brega‘ conquistavam de vez o Brasil.

Símbolo, Trabalho e Mérito

Tratava de temas que sempre estiveram presentes na música sertaneja de nossa terra, como traição, amante, casamento, família, perda etc. A ‘dor de chifre’ do brega cantada por uma mulher trazia outra perspectiva, mas nem assim quis usar sua condição biológica como trampolim ideológico para a fama.

Também poderia ter gritado por estar acima do peso, explorado o “movimento gordo” ou semelhante. Preferiu regime e cirurgia, priorizou a saúde e a beleza, perdendo 21 kg e mostrando o resultado nas redes sociais.

Representante de nosso povão interiorano, do sertanejo raiz lá de Goiás, daquela mentalidade tipicamente brasileira – despreocupada em relação às pequenezas da vida e cheia de esperança -, mesmo sendo mulher e “fofinha”, não explorou as modas moderninhas do discurso vitimista, tampouco pagou pedágio a qualquer grupo social ou movimento ideológico para se promover.

Houve publicação em crítica ao que a imprensa chamou de ”liminar da cura gay”, que permite aos psicólogos oferecerem tratamentos aos homossexuais (que os procurarem nessa intenção), inclusive de ”reversão do comportamento”, sem sofrerem censuras do Conselho Federal de Psicologia, de acordo com a Purepeople.

A crítica foi direcionada ao tempo desperdiçado com uma “polêmica” sem pé nem cabeça e àqueles que se envolvem em questões particulares de terceiros. Não houve autopromoção, ou exploração da linguagem vitimista, ou de pauta LGBT. Havia ali uma pessoa inconformada com tanto esforço direcionado a um polêmica vazia, como qualquer brasileiro que tem mais o que fazer da vida.

Pelo contrário, foi atacada e perseguida pela “turminha paz e amor” do movimento LGBT, quando foi acusada de (sic) ‘transfobia’, por causa de uma piada sobre a boate gay Diesel, em Goiânia. Ao fazer uma piada que podemos ouvir em qualquer churrasco, festa, ida o bar etc., foi atacada, mas respondeu apenas com “”Aprenderei com meus erros. Não me justificarei!”.

Rebateu um usuário no Twitter, após a chamar de “gorda” como tentativa de ser ofendida, por quem se sentia ofendido pela piada e tentava lhe imputar a pecha de homofóbica. Na publicação, Marília Mendonça comemora o resultado de sua cirurgia de abdominoplastia.


”Que comentário ofensivo vou te ofender pra me vingar”? Não é porque essa pessoa pensa diferente de mim, que eu tenho direito de me tornar um lixo e ofender essa pessoa. E não, não existe um “ah, mas é que tal pessoa…” NÃO gente. Se igualar a quem te faz mal não é nada evoluído. Acabei de ver pessoas vingando homofobia com gordofobia e fiquei: gente qual a lógica? Gordofobia não tem graça

— Marília Dias Mendonça | Reprodução da Revista Marie Claire

Enfim…

Ela disparou, conquistou, encantou, enriqueceu, com a força de seu dom, na desenvoltura de seu talento e pelo respeito às suas (nossas) raízes, daquele Brasil que ama, sofre, chora, canta, acredita, luta, persevera e vence!

Marília Mendonça venceu pelo trabalho e o mérito, sem os atalhos do discursinho barato e da autopromoção vulgar. Soube tirar o melhor proveito de seu dom, obteve sucesso, e realizou o sonho de ser mãe, que já havia declarado.

Link – https://twitter.com/MariliaMReal/status/1083710977827397632?

Era a Rainha da Sofrência e representante do Brasil verdadeiro, não a poderosa do vitimismo e da patotinha. Fará falta!

Com informações de Folha Gospel, POPline, Purepeople, Estadão, Esmeril News, Revista Marie Claire, Jornal Extra e Twitter


Sonho em casar e ser feliz. Seguir os passos da minha mãe. Começar a ter filho com uns 27 anos (ela tem um filho, de quase 2 anos). Aos 30, sonho dar uma parada musical para dar um tempo para mim e usufruir do que conquistei

— Marília Dias Mendonça

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