Na última sexta-feira, 8/11, o deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança esteve em Santos/SP para divulgar a reedição ampliada de sua obra e entabular com o público um bate-papo em torno da situação política na América-latina.

Retrocessos no Judiciário

Antes de tecer comentários sobre as estratégias postas em prática pelo Foro de São Paulo nos diversos países sul-americanos, o deputado assegurou que a dificuldade de se avançar reformas e trabalhar de forma produtiva se deve ao controle da máquina pública detido pelo PT.

“O Estado ainda não é nosso”.

Se o Executivo tem o poder da caneta e 1/3 da Câmara se alinha ao governo, não há certeza alguma no Senado. O judiciário, por sua vez, resiste 100% ao Executivo e à pequena parcela do Legislativo pró-reformas.

“O susto vai vir”

Luiz Philippe ressaltou que a soltura de Lula se ampara numa organização poderosa e foi consequência de estratégia traçada à época da prisão, em 2017. O atual cenário de caos e terrorismo na América latina tem vínculo direto com esta organização.

Segundo o deputado, o susto ainda não veio e a população deve estar preparada, uma vez que, em território brasileiro, espera-se uma combinação dos diferentes métodos usados no Chile e na Argentina. “O susto vai vir”, afirmou com seriedade.

As três bases de poder do Foro são Venezuela, Cuba e Bolívia. Peru e Equador já têm presidentes ligados à organização, os quais iniciaram o trabalho de controle das instituições. No Peru, por exemplo, já se aparelhou o Judiciário.

O Chile está sob ataque terrorista direto. A esse país, de população comparável à cidade de São Paulo e fortemente concentrada na capital, aplica-se o método de ataque direto ao poder central.

Argentina, de território extenso, tradicionalmente descentralizada e ainda munida de uma classe média, impõe-se ao Foro o método de controle gradual via aparelhamento das Instituições. E o Brasil?

Soltura de Lula e eleições municipais 2020

O Brasil é o país mais difícil de se controlar, tanto pela presença de uma classe média forte, quanto pela extensão territorial. Segundo o deputado, ataques terroristas diretos e controle gradual das instituições devem ser combinados a partir de agora.

“Estamos no vértice de uma situação muito perigosa”

Luiz Philippe descreveu a rotina de atuação parlamentar como a constante ruptura da narativa espalhada pelos atores do Foro. O controle via Instituições anda junto com o controle da opinião pública via desinformação. Daí a natureza fundamental de se romper a narrativa por meio de atos como sua moção de repúdio ao presidente argentino.

O deputado conta que a esquerda usou o regimento interno da Câmara para tentar vencê-lo pelo cansaço. “Emocionalmente, eles estão desassociados” do debate histérico empreendido dia após dia. “Nós somos objeto do jogo deles. E é jogo”.

Infinitas vezes questionado pela esquerda porque insistiria até o fim em aprovar a moção de repúdio, respondeu:

“Eu estou rompendo a sua narrativa”

No presente, enquanto deputados trabalham para manter viva a narativa que a classe-média brasileira tem aprendido a repudiar, a direção do PT trabalha para conquistar grandes orçamentos: vencer as eleições municipais em cidades com arrecadaçao significativa.

A presença de Lula nas campanhas de 2020 pode ser útil. A soltura do político condenado pela Lava-jato por chefiar a maior quadrilha de colarinho-branco da América-latina, portanto, responde ao propósito da esquerda em recuperar municípios com orçamentos gordos, passo essencial no método de controle gradual, aplicado em territórios extensos.

“O Foro é uma rede de redistribuição de recursos públicos para líderes locais e de outras regiões. A Sociedade é o único freio para isso”

Reforma do judiciário, Manifestações, Constituição e Reforma política

As perguntas elaboradas pelo público presente permitiram ao deputado fazer declarações a respeito das prioridades do governo e das manifestações populares em repúdio ao STF. Ademais, esclarecer o eleitorado sobre o andamento da Constituição, cuja reelaboração lidera, e atualiza-lo quanto aos trabalhos na presidência da subcomisão de reforma política.

Para Luiz Philippe, o governo equivocou-se ao não priorizar a reforma do Judiciário, dando atenção exclusiva à agenda econômica. Como as expectativas da população convergiam ao enfrentamento da corrupção:

“A primeira medida de governo deveria ter sido uma reforma do Judiciário”

Questionado sobre o que tem feito o governo para conter a ação do Foro de São Paulo, indicou que Judiciário nada faz. O Executivo, contudo, tem mapeado as células terroristas ativas no país. “Não são militantes; são terroristas”, afirma o deputado, que afasta a desconfiança de alguns quanto às manifestações marcadas para hoje:

“Nós temos que ir às ruas”.

Sobre a nova Constituição, assegurou que está pronta e descreveu sua estrutura: a clássica tripartição dos poderes, acrescida de três poderes de veto (um atribuído ao povo) e um sétimo poder, designado o poder do freio estrutural. Trata-se de um freio à qualquer tentativa de planejamento central.

Estabelecer um documento constitucional capaz de prevenir a sociedade de governos totalitários é o complemento natural do diagnóstico de Luiz Philippe sobre os problemas políticos que marcam o Brasil desde a década de 1930.

Quanto à sua atuação parlamentar, mencionou o bom andamento da aprovação das candidaturas independentes e os trabalhos na subcomissão de reforma política. A reforma política abrange quatro pontos:

  • Sistema eleitoral
  • Sistema partidário
  • Regimentos
  • Regime (parlamentarista/presidencialista)

Sublinhou que defende o voto distrital puro, exclusivamente, para a vereança, estando aberto ao voto distrital misto para constituir as câmaras estaduais e federais.

Sistema de segurança aprovado pelo Executivo e pressão globalista

Mencionou ainda seu juízo quanto à MP do sistema de segurança com reconhecimento facial recentemente assinada pelo Executivo. O sistema é bom como método de segurança, mas pode se converter em arma perigosa, caso usado para controle social.

Discorreu com naturalidade, por fim, sobre a força da pressão globalista, aludindo à derrocada de Ratzinger no Vaticano para ilustrar a clareza com que opera este grupo de interesses internacional.

À época, o recurso de pressão globalista contra se manter um papa conservador à frente da Igreja católica teria sido a ameaça de corte do código BIC/SWIFT do banco Vaticano. Sem o código, as transações internacionais, das quais o país depende para funcionar, seriam inviabilizadas.

Sessão de autógrafos com leitores e apoiadores

Após o bate-papo, Luiz Philippe autografou a reedição ampliada do best-seller Por que o Brasil é um páis atrasado?, recentemente publicada pela Maquinaria Editorial.

O evento teve lugar na AEAS (Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos) e foi organizado pela coordenação santista do Nação Real, que brindou gentilmente o público com um cocktail durante a sessão de autógrafos.


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