Definir 2019 como conturbado pode até soar simplista para uma administração que ousou fazer uma profunda reforma da previdência – e pela quebra histórica do poder: a saída de governos progressistas e de esquerda foi um marco histórico no continente.

Fato. Não há como negar o papel agregador e decisivo do presidente Jair Bolsonaro em todo esse processo.

Dito isso, para encerrar os 365 dias iniciais no comando do Brasil, nada como ouvir da própria fonte um balanço do 1º ano do primeiro governo 100% conservador em mais quatro décadas.

Durante pouco mais de 60 minutos, Jair Bolsonaro conversou com o jornalista Fernando Rodrigues, âncora do Poder Em Foco, do SBT, sobre os principais pontos de sua jornada em Brasília e alguns de seus prognósticos para 2020.

Acompanhe agora um resumo qualitativo dessa conversa.

A nota para o Brasil em 2019

Após os escândalos de corrupção e as medidas corretivas da gestão Michel Temer, Jair Bolsonaro olhou para seus primeiros 12 meses com certa cautela, dando, de forma relutante, uma nota 7 para 2019.

“Talvez faltou uma melhor articulação política nossa, ou uma maior experiência de nossos ministros. Esperamos melhorar e pegar uma nota 8 em 2020”.

O presidente destacou a criação de 900 mil empregos em 2019, sem comemorar, lembrando que não é o presidente quem gera trabalho, e sim a economia sustentável.

A “conversão” para a política liberal

Antes de celebrar a política liberal adotada pelo economista Paulo Guedes, Bolsonaro admitiu ser de uma “escola estatizante” e comparou as atuais reformas a uma quimioterapia.

“Minha formação é militar e assumo minhas votações no passado.  Mas quando conheci Paulo Guedes isso mudou e me converti à política liberal”.

Para chegar aos objetivos atingidos em 2019, o presidente da república ainda apontou a inédita indicação de ministros por critério (apesar da pressão sofrida por indicações do chamado “centrão).

Os louros da reforma da previdência

No comando da entrevista, o jornalista Fernando Rodrigues citou a oportunidade de otimizar a reforma da previdência aprovada este ano, caso os estados e municípios a adotem em 2020.  Sobre o feito de ter conseguido passar o projeto que pode gerar economia de até R$ 1 trilhão, Bolsonaro preferiu dividir os louros com os demais poderes.

“Por não termos negociado cargos, passou sim pela minha cabeça que a reforma pudesse fracassar.  Mas… tendo o entendimento da câmara e do senado, e com Rodrigo Maia e Alcolumbre sendo parceiros nessa empreitada e acabou dando tudo certo”.

O futuro das privatizações

Jair Bolsonaro faltou da intenção de privatizar estatais com uma abordagem mais emergencial do que ideológica, destacando que o estado não conta com recursos para administrar toda a máquina pública.

“A mais importante é a dos Correios – que foi um foco de corrupção da esquerda… embora a gente tenha obtido lucro nesse ano. No ano que vem, o Salim Mattar (Secretário especial de Desestatização do Ministério da Economia) deve definir isso”.

Embora tenha delegado a Matar as funções de decidir sobre o futuro das empresas estatais, o presidente já está ciente de que os cofres públicos não darão conta de investimentos e folha de pagamento.

“Não temos como investir. Não há outra alternativa. Agora estamos saneando a Petrobras.  Isso que estamos fazendo é para que, caso a esquerda volte ao poder, não transforme (as estatais) em um projeto de poder”.

O ICMS dos Estados influencia no preço da gasolina

Sobre as eventuais companhias a serem concedidas à iniciativa privada, Bolsonaro descartou Caixa Econômica, Banco do Brasil, mas reafirmou a necessidade de privatizar alguns segmentos da Petrobras.

“O combustível está muito caro. A intenção nossa é acabar com os monopólios. Sabe como é… Sempre disseram que o petróleo era nosso. Eles (a esquerda) tinham razão. Era deles!”.

Bolsonaro encerrou o tema destacando que um dos fatores que influencia o preço final dos combustíveis é o ICMS

“O preço que impacta no combustível é o ICMS dos estados. E nós (o governo federal) não temos como mudar isso”.

Reforma tributária: o que esperar

Em certo estágio, bem antes da aprovação da reforma da previdência, o congresso chegou a ensaiar que colocaria em votação uma proposta de reforma tributária, antes mesmo do executivo. Para a engrossar o caldo, o tema levaria à demissão do ex-secretário da Receita, Marcos Cintra, até então, o responsável pela reforma no executivo.

Na entrevista de ontem, Bolsonaro explicou sua saída, antecipando o futuro de nossas pesadas cargas tributárias.

“Ele (Marcos Cintra) até poderia ter proposto aquele novo tributo (uma nova CPMF), desde que extinguisse outros.

Poderia ser uma proposta. Mas ela foi abortada, porque primeiro precisamos ganhar a guerra de comunicação e ele (Cintra) queimou a largada. Pedi ao Paulo Guedes para não falar em reforma, e sim em simplificação de impostos…Um novo imposto só deve voltar se for muito bem discutido com a sociedade…Não quero que isso vire manchete numa véspera de Natal”.

Educação e Emprego

Com seu costumeiro pragmatismo – e sustentando uma de suas promessas de campanha, Jair Bolsonaro abordou “educação e “emprego” com apenas um tema, totalmente interligados.

Não podemos falar em criação de empregos se não colaborarmos com empresários.Eu sei que vou levar pancada, mas sou o presidente, pode me bater. Um dia o trabalhador vai ter de escolher: todos os direitos e nenhum emprego ou menos direito e mais empregos. Falei com o Paulo Guedes e precisamos criar o programa Minha Primeira Empresa para que ele possa gerar novas vagas de trabalho”.

A Educação ligada a uma melhor mão de obra

“A educação: no Brasil ainda está péssima, e não se muda de uma hora para outra. Nossa tendência é não formar uma boa mão de obra, e precisamos mudar.  Mas isso não acontece de um dia para ou outro. Tem outra coisa que costumam dizer: o salário no brasil é pouco para quem recebe e muito para quem paga…

De olho em 2022

Questionado sobre a possiblidade de tentar se reeleger em 2022, Bolsonaro disse que mudou de opinião porque “não houve e “dificilmente haverá a reforma política”, incluindo redução de deputados federais e senadores.

Não descartou a possibilidade de ter Hamilton Mourão novamente como seu vice. Porém, também não tirou de sua agenda a chance de mudar sua chapa. “Vamos aguardar para ver como o Brasil vai estar.  Não quero arranjar fissuras no governo”, disse.

Bolsonaro destacou 2019 como um ano da retomada de um Brasil que respeita os valores familiares, que acredita em Deus e que dá valor aos seus militares, além de pontuar o trabalho dos ministros Damares Alves (Direitos Humanos), Sergio Moro (Justiça), Paulo Guedes (Economia) e Tarcisio G. de Freitas (infraestrutura). “Também tivemos uma melhor no turismo, graças ao fim da reciprocidade dos vistos a alguns países”, comemorou o presidente, que acredita estar no caminho certo.

“Não sou o melhor presidente do brasil, mas sou o que estou cometendo menos pecados”.

Jair Bolsonaro

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