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quinta-feira, 27 janeiro, 2022

INÉDITO | Homem recebe transplante de coração de porco

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Cirurgiões obtiveram êxito em transplantar um coração suíno geneticamente modificado para um homem de 57 anos

A Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, divulgou, nesta segunda-feira, 10 do corrente, os resultados de um procedimento médico singular na História. Trata-se do primeiro transplante de um coração suíno para um ser humano realizado com sucesso.

O coração do porco havia sofrido alterações genéticas a fim de conformar-se perfeitamente ao organismo do paciente, um homem de 57 anos que padecia de uma grave doença cardíaca. Para aqueles que estão à espera de um transplante cardíaco, o sucesso desse procedimento representa objetivamente uma esperança.

Segundo os médicos da Universidade, o procedimento consumiu oito horas de árduo e minucioso trabalho ao cabo dos quais o primeiro coração de porco foi transplantado para um ser humano.

“Ele cria o pulso, ele cria a pressão, é o coração dele. Mas é claro que não sabemos o que o amanhã nos trará; isso nunca foi feito antes”.

Bartley Griffith, Diretor do Centro Médico da Universidade de Maryland

David Bennett, o paciente felizardo, segundo os próprios médicos, não tinha outras alternativas para se livrar dos seus problemas cardíacos. Depois de esgotar todas as opções de tratamentos possíveis, Bennett viu-se sem tempo para ingressar numa lista de espera para receber um coração humano.

“É morrer ou fazer esse transplante. Eu quero viver. Eu sei que é um tiro no escuro, mas esta é a minha última escolha”.

David Bennett antes da cirurgia

Ao tomar os dados oficiais da United Network for Organ Sharing como fonte, o jornal The New York Times afirmou numa publicação que, somente em 2021, 41.354 estadunidenses receberam algum órgão através de procedimento cirúrgico. No entanto, o número de doadores é sempre inversamente proporcional ao número da demanda por órgãos saudáveis. Muitos, infelizmente, encontram a morte na fila de espera para os transplantes.

Dr. Griffith e David Bennett após a cirurgia. (Fonte: Faculdade de Medicina da Universidade de Maryland/Divulgação)

Com o objetivo de compensar esse desequilíbrio entre oferta e demanda no âmbito dos transplantes de órgãos, os médicos têm recorrido — desde os anos 1960 — à técnica dos xenotransplantes: enxertar ou transplantar tecidos e órgãos de animais em seres humanos. No mês de outubro passado, durante outra cirurgia extraordinária na História, médicos transplantaram um rim — também de porco — para um mulher. A cirurgia também foi um sucesso.

O coração que David Bennett recebeu havia passado por nada menos do que dez modificações genéticas a fim de eliminar as chances de rejeição do seu organismo. Não fora, no entanto, os médicos da Universidade de Maryland os responsáveis pelas modificações, mas uma equipe de cientistas de uma empresa privada que atua no setor da medicina regenerativa, a Revivicor, de Blacksburg, nos EUA.

Dentre os genes que foram suprimidos ou inativados um em especial chama a atenção: trata-se de um gene que codifica as moléculas causadoras das respostas agressivas do sistema imunológico humano.


Com informações do portal TecMundo e do jornal The New York Times.


“O melhor médico é aquele que recebe os que foram desenganados por todos”.

Aristóteles

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