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terça-feira, 28 junho, 2022

ÍNDIA | Preservação da riqueza fóssil é negligenciada no país

Revista Mensal
Vitor Marcolin
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

No país asiático, não há uma rede de cooperação para a preservação dos restos mortais de criaturas extintas

A raiz da moral de uma sociedade pode ser rastreada até os princípios mais elementares da sua religião. Em função da consolidação da perspectiva religiosa, cristaliza-se na sociedade um conjunto de valores morais cujos sinais mais evidentes estão presentes no comportamento cotidiano. Assim é que para os indianos hindus — adeptos da maior religião do país — a vaca é um animal sagrado que, livremente, pode perambular pelas ruas das cidades sem o risco de ser enxotada.

Como a religião Hindu — pelo menos a sua expressão — remonta aos primeiros assentamentos humanos às margens do rio Indo, entre o Norte da Índia e o Sul do Paquistão, não sabemos como os brâmanes incluiriam os dinossauros em sua cosmovisão. Para os adeptos desta religião — ou técnica meditativa –, os homens podem, a depender de sua conduta (mormente relativa à meditação), reencarnar sob a forma animal. Diversas religiões fazem referência a criaturas colossais, haveria espaço para, sob a cosmovisão hinduísta, conjecturar sobre as possíveis reencarnações de um T-Rex? Deixe o seu comentário.

Visto ser provável que os seres humanos não conviveram com os lagartos terríveis — caso contrário, esconderam muitíssimo bem os registros –, a dificuldade que os paleontólogos que prospectam os restos mortais de animais extintos na Índia enfrentam deve ser mesmo produto do mais puro desleixo. Na Índia, berço de algumas das espécimes fósseis mais fantásticas já encontradas, não há incentivo à pesquisa, à preservação e aos estudos dos antigos animais. É o que afirma uma matéria veiculada pela BBC.

O Titanosaurus indicus foi descoberto depois que foram encontradas vértebras gigantes na cidade indiana de Jabalpur, no Estado de Madhya Pradesh (centro da Índia), em 1828

Nos últimos anos, pesquisadores de diversas regiões do mundo viajaram para a Índia com o objetivo de iniciar projetos de escavação sob o financiamento pessoal. Pouco tempo depois do início dos trabalhos, foram descobertos os restos mortais de uma antiga cobra (Sanajeh indicus), lagartos de longínquos períodos geológicos e ovos de dinossauros. Apesar do entusiasmo e boa vontade dos paleontólogos, os pesquisadores encontraram imensa dificuldade em manter a preservação dos fósseis. Não havia locais para a limpeza do material descoberto nem meios de transporte adequados.

Os pesquisadores que trabalham nos sítios paleontológicos da Índia afirmam que no país a proteção ao patrimônio geológico é comprometida pela flagrante ausência de investimentos dos órgãos “competentes”. Assim é que as equipes preparadas para lidar com o manejo e com os estudos sobre os registros fósseis tornam-se cada vez mais escassas no país asiático.

“Acho que grande parte da herança de fósseis da Índia encontra-se inexplorada e foi esquecida. A Índia abrigou as primeiras baleias, alguns dos maiores rinocerontes e elefantes que já existiram, vastos leitos de ovos de dinossauros e estranhos répteis com chifres anteriores à era dos dinossauros. No entanto, há ainda muitas lacunas que precisam ser preenchidas”.

Advait M. Jukar, paleontólogo de vertebrados da Universidade Yale e pesquisador do Departamento de Paleobiologia do Instituto Smithsonian em Washington

Com informações da BBC.


“Pense na beleza da vida”.

Marco Aurélio

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