“(…) O povo americano honra todos os armênios que pereceram no genocídio há 106 anos atrás.” — disse Joe Biden na conclusão da sua declaração sobre os armênios nesse sábado, 24 de abril

No último sábado, o presidente americano Joe Biden infligiu as regras da linguagem politicamente correta num discurso histórico no qual, contrariando a narrativa oficial do Governo da Turquia, expressou enfaticamente o apoio dos Estados Unidos aos descendentes dos sobreviventes do genocídio armênio.

O extermínio sistemático dos súditos do Império Otomano que formavam minorias étnicas e religiosas dentro dos limites daquele sultanato mulçumano teve início precisamente no dia 24 de abril de 1915, quando as autoridades otomanas caçaram, prenderam e executaram cerca de 250 intelectuais e líderes comunitários armênios em Constantinopla. No primeiro decênio do século XX, dentre as várias comunidades étnicas e religiosas que viviam nos limites daquele Império, os cristãos representavam um significativo contingente. No entanto, sob o comando dos muçulmanos, a comunidade cristã foi violentamente perseguida e, finalmente, levado ao extermínio.

Uma nova palavra é criada para nomear um triste fato histórico

Afogamentos, incêndios e até armas químicas e biológicas foram usadas pelos muçulmanos do Império Otomano contra as minorias indesejadas — especialmente os cristãos. Raphael Lemkin, o advogado polonês de origem judaica que encontrou abrigo contra os Nazistas nos Estados Unidos, cunhou o termo “genocídio” no ano de 1943 inspirado na cruel realidade do extermínio dos cristãos pelos muçulmanos.

Biden cumpre promessa de campanha

O reconhecimento oficial do genocídio armênio pelo governo dos Estados Unidos era uma antiga reivindicação dos armênios-americanos, uma das mais significativas comunidades de imigrantes que — à semelhança dos judeus — encontraram refúgio na América. Abaixo, o cartaz do Comitê de Socorro para o Oriente Médio. A contribuição dos Estados Unidos aos armênios, durante o genocídio, foi significativa.

“Todos os anos, neste dia, nós lembramos as vidas de todos aqueles que morreram no genocídio armênio durante a era otomana e reafirmamos o compromisso de evitar que tal atrocidade jamais ocorra novamente”.

“A partir de 24 de abril de 1915, com a prisão de intelectuais e líderes comunitários armênios em Constantinopla por autoridades otomanas, 1,5 milhão de armênios foram deportados, massacrados ou marcharam para suas mortes em uma campanha de extermínio”.

“Dos que sobreviveram, muitos foram forçados a encontrar novos lares e novas vidas ao redor do mundo, incluindo nos Estados Unidos”.

“O povo americano honra todos os armênios que pereceram no genocídio há 106 anos atrás”.

Joe Biden

Antes de Biden

O último ocupante da Casa Branca a se referir ao episódio lamentável da história da Turquia como “genocídio” foi Ronald Reagan, em 1981. Nas décadas seguintes, os Presidentes costumavam fazer referência às “atrocidades” cometidas contras os armênios no território da atual Turquia sem mencionar a palavra “genocídio“, tudo num esforço para evitar reações do governo turco. Aquele país rejeita veementemente o termo cunhado por Raphael Lemkin para descrever os acontecimentos do período da derrocada do Império Otomano.

Os “Jovens Turcos

Em 1908, um movimento militar denominado “Jovens Turcos” tomou o poder com a promessa de fortalecer o modernizar o sultanato muçulmano. Sob a designação de “Comitê de Unidade e Progresso” (CUP), os “Jovens Turcos” passaram a implementar uma série de medidas agressivas com o ensejo de uma ideologia nacionalista; diversas dessas medidas afetaram direta e negativamente muitos armênios não-muçulmanos.

Em março de 1914, ao lado da Alemanha, o CUP ingressa na Primeira Guerra Mundial. Os cidadãos do Império são convocados para o combate. No entanto, havia também, entre os nacionalistas, aqueles que cooperavam com os inimigos russos. Derrotados e humilhados pela Rússia, os “Jovens Turcos“, ressentidos, encontraram nos armênios da região o bode expiatório perfeito. Finalmente, no dia 24 de abril de 1915, cerca de 250 intelectuais e líderes comunitários foram presos pelo sultanato, torturados e mortos.

Nesse período de ferrenha perseguição, centenas de milhares de homens, mulheres e crianças foram mortos. Segundo estimativas razoáveis, cerca de 1,5 milhão de armênios padeceram massacrados em suas cidades, de exaustão, fome e sede em marchas forçadas ao longo de regiões desérticas. Assim como aconteceu com os judeus sob o Nazismo, centenas de milhares de cristãos morreram em campos de concentração. Suas propriedades foram confiscadas e oferecidas a muçulmanos, e inúmeros órfãos de pais cristãos foram adotados por famílias muçulmanas.

“O mártir morre por amor, não por uma ideia, mas com Cristo, que já morreu por ele”.

Cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, em homilia nesse Domingo, 25 de abril, em Roma.

Com informações dos sites de notícias BBC Brasil, e Vatican News Brasil.

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