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terça-feira, 28 junho, 2022

ENTREVISTA | Deputada Ana Campagnolo

Revista Mensal
Samara Barricelli
Samara Barricellihttp://www.revistaesmeril.com.br
Samara Oliveira Barricelli é jornalista, Católica Apostólica Romana, mãe e esposa.

História, atuação, cultura e mais

Ana Caroline Campagnolo nasceu em Itajaí, interior de Santa Catarina, em 26 de novembro de 1990. Formou-se em História pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó em 2011. Atuou como professora de educação básica. Ana é a criadora do grupo de estudos “Clube Campagnolo” e “Clube Antifeminista”.

Foi eleita deputada estadual por Santa Catarina em 2018 com 34.825 votos, tornando-se líder da bancada do PSL no Estado. Em 2019, Campagnolo se casou com Thiago Galvão, pai de sua primogênita Catarina. A deputada assumidamente cristã e conservadora, também é autora dos livros “Feminismo: Perversão e Subversão” e “Guia de Bolso Contra Mentiras Feministas” que contam com quase 100 mil cópias vendidas.

Pouco tempo após o lançamento do seu segundo livro, o Esmeril News entrevistou Ana Campagnolo. Confira a entrevista:

A legalização do aborto banalizaria os direitos civis ao ponto de um vizinho poder matar o outro?

A questão é mais complexa. A experiência nos mostra que qualquer concessão em relação ao tempo limite para se realizar um aborto acaba sendo gradativamente estendida. Um exemplo foram as manobras para revisão na lei de bioética da França, onde o critério de “sofrimento psicossocial” da mãe justificaria o aborto em estágio mais avançado que o permitido até então.

Quando concedemos espaço para argumentações como as que discorrem sobre a formação do sistema nervoso e outros pretextos absurdos utilizados para legitimar o aborto, esquecemos que a vida começa na concepção, e que neste momento temos uma nova alma, um novo indivíduo que deve ser protegido. Mais que um dever legal, é um dever moral.

O aborto em si já é a banalização da vida, e conforme explicado, essa banalização se expande para outros domínios fora do útero, onde a cultura da morte e do descarte humano tem continuidade. Em 2012, dois filósofos publicaram um artigo chamado “Aborto pós-parto: por que o bebê deveria viver? ”. “Aborto pós-parto” tem nome e se chama infanticídio, ideia amplamente defendida na década de 70 nas obras de Michael Tooley, John Harris e Peter Singer por meio de critérios absurdos tais como a ideia de que bebês recém-nascidos não possuem autoconsciência, ou então que possuem menos valor que a vida de porcos, cachorros ou chimpanzés. Inclusive a libertação animal pregada por Singer vai de encontro com o que Chesterton escreveu, alertando que a adoração animal implica em sacrifício humano.

Essa expansão termina com o Estado tendo poder de delegar a morte de quem ele julgar incômodo ou desnecessário, e por isso deve ser rechaçada logo nas primeiras elaborações, afinal, uma sociedade que aceita o aborto irá ceder em relação a qualquer outro ato abominável. Do aborto iremos para o infanticídio, do infanticídio para a eutanásia involuntária.

Por que o aborto não pode ser considerado um direito civil?

Porque a vida começa na concepção e o indivíduo que resta no ventre da mãe é detentor de direitos, a começar pelo direito à vida. É curioso que a esquerda, coletivista e totalitária por natureza, emule a defesa de uma liberdade individual com slogans tais como “meu corpo, minhas regras”, falácia que ignora o fato de que estamos falando de um corpo dentro de outro corpo. Ainda que o debate fique mais intrincado ante casos ímpares de possibilidade da morte da gestante, a real força motriz da agenda reside na desumanização do indivíduo, como se ele fosse um simples aglomerado de células e cujo extermínio é válido por qualquer motivo.

A agenda de redução populacional não visa salvar o mundo ou o que quer que seja, e sim diminuir a população, controlando-a mais facilmente, assim como os recursos por ela utilizados. Essa correlação entre aumento populacional e escassez de recursos é herança da teoria malthusiana, que ignora as capacidades inventivas e adaptativa humanas.  Podemos ver isso na prática nos extermínios pela fome provocados por estados totalitários, seja como ato de guerra (Holodomor) ou obliteração da economia de mercado e suas interações e cooperações voluntárias (Grande Fome de Mao).

Por que adquirir e ler seus dois livros?

Muito antes de entrar para a política, aprendi com o professor Olavo de Carvalho que não há nada que nela resida sem que antes tenha sido fomentado no imaginário popular por meio da literatura. A cultura molda a política, e não o contrário, como gostam de pensar muitos políticos. Assim, ambos os livros são fruto de intensa pesquisa de especialistas nos assuntos abordados.

Longe de uma simples tentativa de convencimento do leitor, eles estão repletos de fontes primárias com dados e declarações sensíveis, propositalmente omitidas ou distorcidas pelo movimento feminista de modo a adestrar a militância. O leitor que estiver disposto a encarar a realidade escapará de inúmeras armadilhas que sabotam não apenas o indivíduo, bem como as relações entre os sexos e entre os familiares.

As centenas de relatos e agradecimentos recebidos mostram que atingi o objetivo, abrindo uma brecha no movimento ao mesmo tempo em que todo conteúdo escrito serve como um escudo protetivo na guerra cultural.

Qual a contribuição do feminismo na introdução da revolução dentro dos lares e da destruição das Famílias?

A contribuição para a destruição das famílias é total. O movimento é a ponta-de-lança para tal fim. Fundações e organizações bilionárias interessadas em manter a dominância de seus clãs em detrimento da fragmentação das famílias alheias doam bilhões de dólares para o movimento, que dá continuidade aos escritos de Marx e Engels, onde a família é vista como a célula da sociedade capitalista.

Teórica feminista, Shulamith Firestone sintetizou muito bem o objetivo ao pregar a abolição da família, a qual considerava a “tênia da exploração”, chegando ao absurdo de imaginar úteros artificiais para “libertar” as mães de seu papel natural. Na década de 60 em diante, coube ao movimento subverter estudos na área biomédica, avançando com a agenda de gênero, isto é, separando sexo de gênero e redefinindo os papéis sociais sob controle da esquerda.


O maior erro que cometemos é não fazer nada só porque podemos fazer pouco

— Edmund Burke

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2 COMENTÁRIOS

  1. Estamos vivendo um momento unico, com a população mundial no seu ápice, quase 8 bilhoēs de pessoas e esses idealistas ditadores, que querem diminuir a população com aborto, comunismo, ideias LGBTQ, WEF egoistas querendo mais poder, dizimando tudo e todos pela frente.
    Eles se entendem por que suas ideias vem sempre do mesmo lugar, das profundezas do inferno

  2. Excelente!!! Assunto que deve ser trazido sempre à luz! Não esquecer jamais que fomos criados para recriar. Há já inúmeras variantes anticoncepcionais que podem ser utilizadas.
    Belo o trabalho da Dep. Ana, principalmente na Assembleia de SC, onde em audiência pública, com palavras simples, deu parecer contrário ao ‘passaporte’. Aliás aqui no RS, em PoA, crianças fizeram fila para receber vacina e um “diploma de supervacinado” . Idiotice com dinheiro público não tem fim neste país.

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