Conheça a primeira vereadora lésbica e conservadora de Londrina que promete lutar contra o que ela considera “inimigos da cultura e sociedade”

Jessica Ramos Moreno não liga nem um pouco de ser chamada de Jessicão –mas não se deixe enganar. Quem procurar a jovem vereadora eleita em 2020 pelo Progressistas (que completou 28 anos neste 3 de fevereiro) não conseguirá nenhuma declaração, digamos, do tipo lacradora.

Muito menos, ganhará da paranaense um aceno para defender causas que não sejam as simpáticas às famílias da cidade de Londrina, uma das mais importantes do interior do Paraná.

Homossexual assumida desde a adolescência, Jessica tem levado sua vida na contramão de seus pares LGBTQ (faltou alguma letra?). Para a recém-chegada à câmara municipal londrinense, o que importa realmente é o respeito ao próximo.

Tanto é verdade, que o primeiríssimo projeto foi bastante corajoso.

Jéssica já entrou atirando e atingiu em cheio o alvo da chamada lacrosfera para impedir o uso da linguagem neutra que, segundo ela, “só veio para desconstruir nosso idioma”.

Casada com Mayara, a vereadora ainda faz questão de destacar que não pretende tomar o lugar do pai da filha de sua esposa – gesto que promete manter em nome dos pilares do conservadorismo.

A seguir, você acompanha as melhores partes de nossa conversa.

(…)

Revista Esmeril – Você sempre teve essa garra, essa vontade para se envolver na política? Ter sido eleita vereadora foi um sonho realizado?

Jéssica Ramos Não, na verdade… antes da política, eu trabalhava no setor de segurança privada. Mas quando comecei a me envolver – no momento que comecei a ter ideia do que acontecia no Brasil, aí sim, me envolvi no projeto de eleger o Felipe Barros como vereador. Então, depois que ele foi eleito deputado federal, surgiu essa necessidade de ter uma vereadora de direita. Nunca tive esse sonho. Mas eles precisavam de pessoas que tivessem coragem. É preciso ter muita coragem para levantar a bandeira do conservadorismo porque você atrai muitos inimigos.

Revista Esmeril – Com sinceridade; hoje em dia para você é mais difícil ser homossexual ou defender os valores do conservadorismo?

Jéssica Ramos – Ah, não tenha dúvida…é muito pior ser conservadora! Por exemplo… uma vez, eu e minha esposa Mayara fomos a um bar LGBTQ e a dona do estabelecimento veio até a mim e me convidou a me retirar, dizendo “que eu não era bem-vinda porque eu incomodava os clientes. Por isso, é muito mais complicado quando você é de direita, conservadora. O preconceito para mim é maior.

Revista Esmeril – Algo que sempre me intrigou no movimento LGBTQ, principalmente nas paradas, é um esforço para demonstrar a preferência sexual em público, nunca pela causa de integração na sociedade. Como você vê essa prática?

Jéssica Ramos – Com certeza. A parada LGBTQ…sei lá, isso tem mil letras agora… Mas a parada é algo que eu e minha esposa jamais colocaríamos o pé. Jamais frequentaria. É um lugar onde mais se conquista o preconceito das pessoas do que luta por direitos. Aqui na minha cidade é assim…as pessoas se embriagam, tem relações nas ruas. É um absurdo. Geralmente por esse comportamento, que os LGBTQs sofrem essa perseguição.

Revista Esmeril – Já que você tocou no assunto, como é ter uma família diferente da tradicional e lutar pelos direitos conservadores?

Jéssica Ramos – Bem…eu e minha esposa, Mayara, a gente evita qualquer tipo de exposição. Ninguém precisa saber nossa intimidade. Por isso, construímos nossa família. Ela já tinha sua filha, e a gente respeita muito a tradição da família. Eu, para a filha dela, sou a tia nova que chegou e o pai sempre será o pai. Sempre mantive essa conduta. A filha da Mayara tem pai e mãe.

Revista Esmeril – A luta contra a imposição da ideologia de gênero é uma de suas bandeiras…

Jéssica Ramos – É verdade. Minhas principais brigas na cidade são contra ideologia de gênero, porque eles querem desconstruir e fazer a família do jeito que eles imaginam. E não como ela realmente é. Acredito que esses militantes sejam pessoas revoltadas com as próprias famílias. Ou, às vezes, atuem mesmo por rebeldia, ou dificuldades que tiveram com os pais. A partir daí, eles tentam destruir o conservadorismo e isso é totalmente errado.

Revista Esmeril – Sua primeira ação como vereadora foi tentar impedir a destruição de nosso idioma, correto?

Jéssica Ramos – Sim, isso mesmo. Meu primeiro projeto – o PL01 – visa proibir completamente o uso da chamada linguagem neutra. E a justificativa para que essa aberração não seja válida tem sempre sido a parte da gramática. A verdade é que estamos jogando no lixo nossa língua em prol de uma causa. Quer dizer…é o fator cultural, estamos falando de um idioma rico. De repente, as pessoas chegam com essa patifaria e usam da militância para destruí-la. É o que eles tentam mais fazer.

Revista Esmeril Em contrapartida, os impositores da linguagem neutra ignoraram totalmente sua eleição como vereadora, ao invés de divulga-la como uma “conquista da causa”.

Jéssica Ramos – É a pura verdade. Eu fui a primeira vereadora lésbica eleita em Londrina. Só que, por eu não ser militante, isso não ganhou destaque nenhum. Fui completamente ignorada.

Revista Esmeril Como tem sido o trabalho como vereadora e o tratamento que você recebe dos seus colegas?

Jéssica Ramos – Na verdade, pouco tive contato com meus colegas vereadores nesses primeiros 28 dias. Eles tiraram férias – o que acho totalmente errado, mas… De qualquer forma, eles me tratam com muito respeito. Eu já era conhecida, por ter sido assessora do Felipe Barros aqui em Londrina. E sempre estive nas manifestações de rua, desde a época do impeachment da Dilma.

O mais engraçado – nessa época das manifestações – é que eles achavam que eu era uma espiã da esquerda, porque andava toda tatuada, de cabelo raspado. Mas aos poucos, fui ganhando respeito.

Revista Esmeril Você deve ter acompanhado bastante a cobertura das eleições nos Estados Unidos. O que achou de o presidente-eleito Joe Biden permitir o uso da bandeira LGBT ao lado das embaixadas do país?

Jéssica Ramos – Isso é totalmente irrelevante para mim. Não ando com essa bandeira arco-íris nas costas. Sobre as eleições, digo que a gente vem de uma luta, popularmente falando, entre o bem e o mal. Nos EUA, infelizmente, vimos um canalha vencer as eleições – e que em minha opinião, foi fraudulenta. E acho que ele (Biden) veio com um plano simplesmente para lacrar. Não acho que a bandeira LGBTQ ao lado da bandeira nacional tenha um efeito de proteção.

A bandeira nunca mudou nada na minha vida. Se as pessoas não ganham seu respeito pelo que você é, de nada adianta andar com um broche arco-íris no pescoço.

Revista Esmeril Além de comemorar sua recente conquista como vereadora, como você prevê seu trabalho na política num futuro próximo?

Jéssica Ramos – Eu tenho a missão de cumprir meu mandato de vereadora, e por enquanto, não tenho outro projeto político. Se alguém me solicitar para colaborar no governo federal eu topo, não tenho medo. Enquanto isso, como vereadora, tenho diversos projetos. Inclusive, um que já protocolei para que o comércio possa funcionar durante 24 horas. O que a gente precisa é liberar os outros para trabalhar.

Revista Esmeril – Falando em comércio, como andam as restrições para os empresários em Londrina? Aqui em São Paulo, é como um filme sombrio.

Jéssica Ramos – Em Londrina, por enquanto, o comércio está funcionando normalmente – apesar de o governador ter decretado não ser permitido ficar na rua depois das 23h. Mas a verdade é que as pessoas não têm respeitado muito as ordens desse governador. Ele (Ratinho Jr.) tem sido uma grande decepção para a gente.

Revista Esmeril – Você destacou que pretende cumprir o mandato, e muitos não fazem isso – o próprio João Doria largou a prefeitura para se eleger governador. Outros aspirantes já querem cair de paraquedas na presidência.

Jéssica Ramos – Com certeza…eu acredito que, depois, eu possa ser muito útil, como deputada. Mas isso seria lá para frente, porque sou muito nova. A câmara de vereadores é uma verdadeira escola que te prepara para colaborar com o nosso Brasil.  O que você diz, na verdade, é sobre algumas pessoas gananciosas que já pensam em sair presidente.

Revista Esmeril – Um desses que já querem a presidência é o apresentador Luciano Huck…

Jéssica Ramos – (risos) Ele é mais um iludido da centro-esquerda que acha que vai ter pé (a candidatura) por causa das caridades que ele fez na TV. [Sobre] Todas elas, aliás, existem reclamações de fraude.

Revista Esmeril – Para terminar, o que você acha de grupos como o MBL, que saltaram rápido do barco?

Jéssica Ramos – Nós até participamos do movimento deles na época do impeachment da Dilma… Mas na hora que entendemos, de fato, quem eram esses meninos do MBL e quais eram suas intenções, muitos de nós se retiraram. Eles ainda estão na ativa, mas acho que o MBL já derreteu praticamente uns 70%.

Exatamente quando o diretório do MBL deixou Londrina eu criei o Direita Paraná e hoje sou presidente do grupo. E aqui em Londrina, também sou líder do grupo Direita Londrina. É muito importante manter esses grupos ativos para que o conservadorismo sobreviva.

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