Sangue novo da política porto-alegrense, a vereadora conservadora revelou à Esmeril como tem se dedicado integralmente a transformar um cenário dominado há anos pela esquerda

Fernanda da Cunha Barth sempre demonstrou incrível disposição para debater os complexos temas da política nacional. “Me lembro de ter discussões acaloradas durante o almoço na casa de minha avó”, recorda a vereadora porto-alegrense, eleita no ano passado pelo PRTB e ativista do movimentoconservador Avança Brasil.

Suas raízes, entretanto, não pareciam leva-la para a função que hoje tanto a orgulha. Nascida em uma família apaixonada pela arte (o pai lecionava na UFRGS e a mãe é artista plástica), a trajetória de Fernanda rumo a um cargo político passou por etapas distintas, incluindo o jornalismo (como apresentadora do Direto ao Ponto com Fernanda Barth), produção cinematográfica e o trabalho de marketing político – este último, o real gatilho para que ela lutasse por uma vaga no legislativo de sua cidade, Porto Alegre. 

A seguir, Fernanda explica, em detalhes, como a formação em comunicações e seus valores conservadores podem ser efetivos para modernizar a capital gaúcha – e o Brasil.

Revista Esmeril – Como foi seu início na política? É um sonho de infância?

Fernanda Barth – Na verdade, a política sempre fez parte de minha vida, de forma direta ou indireta
Sempre debatemos na família. Me lembro dos almoços na casa de minha avó, quando tinha uns 5 ou 6 anos idade. Sempre havia discussões acaloradas na mesa. Nunca deixamos de tratar o tema.

Revista Esmeril – Embora você já demonstrasse vocação para a política desde a infância, ela não foi sua opção inicial de carreira. Como foi esse processo?

Fernanda Barth – Sim. Meu início foi mais para o lado da arte. Meu pai era professor de artes na UFRGS e minha mãe é artista plástica. Também fui fotógrafa por muito tempo e trabalhei com cinema, como produtoras de curtas. Foi no cinema que tudo começou a mudar. Conheci diretores que trabalhavam com campanhas políticas e eles me levaram para assessora-los. Nesse processo, percebi que não tinha mais como me afastar do tema.

Revista Esmeril – Você é graduada em jornalismo pela PUC-RS. Fazer jornalismo contribuiu para sua formação na política?

Fernanda Barth – A formação de jornalismo… não sei. Sempre tive muita facilidade com a área de comunicação. Em todas as áreas: no cinema, nas assessorias. Foi nesse processo que aprendi como construir uma imagem, uma marca. Foi dentro da comunicação que aprendi a definir minhas questões prioritárias.

Revista Esmeril – Você diria, então, que o mestrado em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul foi uma cartada decisiva?

Fernanda Barth – A especialização me ajudou a aprender muito sobre a construção de imagens e a elaboração de discursos. Acabei por assessorar vários partidos políticos, de ideologias diferentes. Mas é importante destacar que o trabalho sempre foi feito de maneira técnica – algo totalmente profissional. E continuou assim por um tempo, até que cansei de escrever artigos para outros políticos assinarem. Foi nesse momento que notei que havia diversas coisas mais importantes que poderia fazer pela minha cidade, estado e país.

Revista Esmeril – E como foi o começo de tudo? O trabalho nos bastidores se refletiu logo em sua primeira campanha?

Fernanda Barth – Na verdade, a primeira vez que concorri foi só para tirar uma “temperatura do ambiente” porque estava totalmente dividida em minhas tarefas. Ainda estava envolvida em duas campanhas políticas e acabei até ajudando a eleger um vereador na cidade de São Leopoldo. Por pouco, não fiz o mesmo com o prefeito de Santiago, que acabou em segundo lugar. 

Revista Esmeril – Como você conciliou a própria candidatura com o trabalho nos bastidores?

Fernanda Barth – Isso realmente me atrapalhou, tanto que só fiz campanha para mim no final das eleições. Negligenciei minha própria campanha (risos). Deixei tudo para o final. Acho que foi assim porque ainda estava dividida entre as coisas que eu fazia para me sustentar e a vontade de concorrer.

Revista Esmeril – Apesar da derrota, a eleição parece ter sido um aprendizado necessário para sua segunda investida. Como foi disputar um cargo pelo partido Novo em 2018?

Fernanda Barth – Sem dúvida. Foi bem diferente. Tive um ano inteiro para fazer pré-campanha. Trabalhei muito para conquistar meu objetivo, mas perdi por uma margem muito pequena de votos. Fiquei realmente chateada com o resultado. 

Revista Esmeril –Sendo conservadora, encontrou dificuldades com as ideias progressistas presentes no Partido Novo?

Fernanda Barth – Sim. Durante a campanha me desgastei muito com o Novo e com as declarações do João Amoedo (então, candidato à presidência). [O Novo] mostrou ser um partido com muita dificuldade de lidar com quem tinha ideias conservadoras – o que era meu caso. Apesar disso, foi um grande aprendizado para mim. 

Postagem recente da vereadora conservadora Fernanda Barth

Revista Esmeril – Já como vereadora eleita pelo PRTB, como expressa seu perfil na Câmara?

Fernanda Barth – Importante pergunta. O liberalismo econômico e o conservadorismo nos costumes sempre fizeram parte de minha trajetória profissional. É importante destacar também que não adianta sempre estar economicamente certinho se você tem uma civilização destruída pelo marxismo cultural. Nesse ponto que entra o conservadorismo.

Além disso, é uma guerra diária. Precisamos vencer uma esquerda que tenta mudar o mundo de acordo com o ponto de vista ideológico. São muitas as investidas que luto para derrubar. Desde a chamada novilíngua, passando pela mordaça mental e a tentativa autoritária de censura constante para o pensamento único. Contra tudo isso eu tenho lutado.

Revista Esmeril – Como você vê Porto Alegre até o final de seu mandato em 2024?

Fernanda Barth – Acredito que Porto Alegre estará melhor se a maior parte dos projetos sair do papel. Se as promessas forem cumpridas, como tenho trabalhado para acontecer. Entre elas, garantir desburocratização, liberdade para trabalhar, redução de taxas, fins de leis burras que só engessam e atrapalham. É aí que entra o chavão: o melhor programa social é o emprego. As pessoas querem ditar o seu rumo. Precisamos fazer nossa reforma da previdência e aprovar a modernização do plano diretor porque nossa cidade está totalmente ultrapassada.

Revista Esmeril – Além dessa parte complicada de aprovação de leis, quais são suas ideias para que a cidade possa realmente dar um passo além?

Fernanda Barth – Isso também é muito importante. Queremos inovar na parte da tecnologia. Isso é vital. Porque precisamos de mentes que possam trabalhar aqui e também serem “exportadas” para outros estados e países. Precisamos criar mais start-ups e transformar o ambiente de negócios da cidade para que as pessoas queiram ficar em Porto Alegre e tenham mais oportunidades.

Revista Esmeril – Toda essa crise política nos mostrou que o Brasil carece de bons administradores. Além de redesenhar a saúde, o que você vê como mudança extremamente necessária?

Fernanda Barth – Sem dúvida. Precisamos de investimento privado massivo para levar isso adiante. Precisamos concretizar a drenagem urbana e garantir saneamento básico e a qualidade da água para a população. As pessoas precisam ver que isso sim representa mais inclusão social. Ainda temos alguns preconceitos e barreiras. Mas quando as pessoas perceberem que o setor privado é o que irá resolver os problemas, isso irá mudar.

É preciso falar a verdade. O poder público, sozinho, já não dá mais conta.


Gosta de nosso conteúdo? Assine Esmeril, tenha acesso a uma revista de alta cultura e ajude manter o Esmeril News no ar!

fim
Revista Esmeril - 2021 - Todos os Direitos Reservados

Leave a Comment

This div height required for enabling the sticky sidebar