Após um ano de trabalho infrutífero, a verdade surge inequívoca: o eleitorado conservador não tem candidato no município de São Paulo, terceiro maior orçamento da União.

O ranking relativo ao caixa do estado brasileiro é o seguinte: governo federal em 1º, governo do estado de SP em 2º e governo do município de SP em 3º. Em termos de acesso a orçamento e trampolim político no país, a única conquista mais importante que o governo do estado de SP é a do governo da capital paulista. Tanto é assim que toda a esquerda, atentíssima à estratégia de ocupação de espaços e aparelhamento do estado, fincou aqui raízes profundas. O quadro da disputa à prefeitura em 2020 é a copa das árvores crescidas neste terreno.

Os grandes nomes

Márcio França, do PSB, é o herdeiro legítimo de Geraldo Alckmin, o tucano que herdou por aqui o capital político de Mário Covas. Embora o picolé de chuchu, cuja vida política terminou devastada na disputa à presidência em 2018, apostasse em João Dória como sucessor, o marketeiro que hoje governa o estado tem estilo próprio e ganância incontrolável. Já Márcio França é mais a sua cara.

Socialista clássico ligado à maçonaria e fiel a valores tradicionais, no melhor estilo Aldo Rebelo — o comuna favorito dos militares — França tende a engambelar bem o público sem educação política suficiente para discriminar os fundamentos que separam direita e esquerda. Ademais, por ter a força necessária para arrancar do aparelho estatal a tucanada, fincada ali como cracas sobre a pedra, pode angariar o apoio de políticos empenhados, hoje, em minar o poder de João Dória a curto prazo, com vistas a evitar sua ascensão na próxima disputa presidencial.

Quanto às ideias políticas de França, defende regulação, estado forte, políticas de assistência social e variadas formas de intervencionismo. Em recente entrevista ao Band Eleições, mostrou entusiasmo em manter o controle sobre o horário de abertura do comércio na cidade “a fim de melhorar a circulação”. Fantasmas da gestão Dória-Covas durante a epidemia…

Na prática, o candidato propõe limitar a liberdade dos produtores e consumidores com a finalidade de reduzir os engarrafamentos. Cria um problema ao tentar resolver outro, como toda mente sem um pingo de familiaridade (ou afinidade) com as regras do livre mercado. Com o comércio local indo pro espaço, as grandes lojas vão fazer a festa. Como Alckmin, França parece ser o novo homem da FIESP…

Bruno Covas é seu grande adversário e nome a quem procura se opor. Como se sabe, mais disputada que a prefeitura de SP, só a vice-candidatura do atual prefeito, refém do grupo que realmente governa em virtude de seu estado terminal. Considerando as regras básicas da lógica clássica, é tão absurdo lançar à disputa um moribundo que deixamos ao PSDB torcer a gramática do bom senso para explicar que tipo de raciocínio justificaria tal decisão. De resto, que Bruno é pésismo prefeito por justamente esquivar-se de ser um, todo mundo já está mais careca que ele de saber…

Joice, Arthur do Val e Felipe Sabará

Enquanto Márcio França e Bruno Covas são o establishment em sua versão sincera, a ala mascarada se subdivide. Dois deles se assemelham tanto em baixa credibilidade, quanto em apreço pelos holofotes: Arthur do Val e Joice Hasselmann.

O deputado estadual conhecido na ALESP pela alcunha “mamãe faltei”, sai pelo Patriota, comprado, ops, escolhido pelo MBL como legenda oficial. O ponto mais difícil da candidatura de Arthur é a falta de apoio por parte de candidatos fortes à vereança em seu próprio partido. Até que Adilson Barroso, presidente nacional do Patriotas, cedesse o diretório municipal de SP a Renato Battista, coordenador nacional do MBL, a legenda planejava lançar o Major Costa e Silva à disputa pela prefeitura. Uma inesperada negociação lavrada em Brasília mudou os planos, mas não conseguiu convencer os pré-candidatos alinhados a Costa e Silva a apoiar o candidato de última hora.

De resto, o MBL é o grupo político associado à CPI das Fake News, mais límpida expressão da censura disfarçada do momento, assim como às suspeitas de lavagem de dinheiro que resultaram na prisão de Luciano Ayan, seu mentor. O iliberalismo do grupo está nos gestos políticos, não nas palavras. Quem só vê cara e ignora coração, pode apostar no ex-youtuber.

O outro nome do establishment disfarçado de renovação política é Joice Hasselmann, igualmente associada à CPI das Fake News. Em entrevista recente ao Band Eleições, Joice declara que “enfrentaria as resistências com decretos”, caso não conseguisse articulação com a câmara municipal. Joice é um nome claramente associado a João Dória e à obsessão em níveis psiquiátricos do tucanato pela regulamentação como tática de intervenção permanente sobre mercado e sociedade.

Felipe Sabará encerra com chave de ouro o grupo dos postulantes ao voto da direita. Integrou o governo João Dória até o final de 2019 e paira no ar a dúvida sobre o que teria motivado sua saída: ordem do Partido Novo com vistas à sua candidatura à prefeitura este ano, ou a razão que o próprio indica, a saber, que deixou o governo porque Dória traiu a direita? Embora flerte com o nome de Bolsonaro para conquistar o voto conservador, Sabará é conhecido em São Paulo como afeito a regulamentações ambientais, que o atual ministro do meio-ambiente, Ricardo Salles, combate sistematicamente. Vale recordar que Salles foi expulso do mesmo partido que hoje lança Sabará…

A esquerda castiça

O eleitorado simpático à esquerda tradicional e castiça tem opção para dar e vender. Jilmar Tatto, petista desde 1981, é o nome do PT. Orlando Silva sai pelo PC do B. Guilherme Boulos e Luiza Erundina se unem para manter vivo o PSOL, queridinho dos universitários concursados desprovidos de alguma ideia sobre o quanto é difícil fazer dinheiro para sobreviver, sem um holerite estatal na manga para chamar de seu.

O programa de todos dispensa comentários, pois exprimem a esquerda que se assume integralmente como comunista, socialista, igualitarista, sindicalista; propondo intervenções em todos os campos imagináveis da vida social e mostrando aversão ao apreço natural dos seres-humanos pela prosperidade.

Apostando na pauta que derrubou a máscara da esquerda no Brasil (a subversão dos costumes que caracterizam o cotidiano e exprimem os valores da sociedade brasileira), tendem a angariar o voto da juventude hedonista e avessa à reflexão política elementar. Em outras palavras, o público de produtores de entretenimento supérfluo, sem estofo mínimo para contribuir ao debate político, como Cauê Moura, Felipe Neto, Marcelo Adnet, PC Siqueira, Rafinha Bastos, Fábio Porchat, etc. A falta de maturidade de parte significativa do eleitorado pode dar votos a esta ala.

Ribas Paiva, Levy Fidelix e o voto de protesto

Há conservadores empenhados em difundir e defender o voto em Ribas Paiva, intervencionista de longa data e aliado do General Mourão; ou Levy Fidelix, dono do partido ao qual o mesmo general é filiado. Ambos têm, no mínimo, dois pontos em comum: a) o anti-comunismo; b) a atuação política isolada, alheia à aversão da classe média pelo estatismo de herança getulista.

Levy Fidelix tem no PRTB (partido da renovação trabalhista brasileira) um meio de vida. O fracasso do Aliança pelo Brasil trouxe a seu partido muitos ativistas desesperados por uma legenda para disputar cargos eletivos. Contudo, Levy não cedeu a vaga de postulante à prefeitura a nenhum deles, muito menos dispôs a essas candidaturas quaisquer migalhas da verba que sustenta o partido.

Levy e o PRTB têm relação semelhante a Luis XIV e o estado francês: “O PRTB sou eu”. Se a ideia fosse de fato propulsionar a cultura conservadora nos espaços políticos, evidentemente a legenda associaria a disputa a nomes dignos da confiança do eleitorado conservador, como o do ativista do Acorda Brasil, experiente em gestão pública, Flávio Beall; ou o próprio Major Costa e Silva, que passou alguns meses buscando legenda para disputar a prefeitura, após a mudança de planos no Patriota.

Ribas Paiva tem sido difundido nas redes como nome associado à direita. Contudo, o site da União nacionalista democrática, por meio do qual veicula há tempos suas ideias políticas, conduz pessoas aptas a discriminar os fundamentos que separam “direita” e “esquerda” a não apoiá-lo. O conteúdo exibido nas diversas categorias (crime organizado/terrorismo; defesa; estudo de cenários; o fio da meada, política; soberania nacional) não contempla a ideia de democracia como distribuição de poder, muito menos demonstra algum juízo sólido sobre as leis que regem a economia de mercado, cujo pior inimigo é a intervenção estatal em qualquer nível.

O grupo UND dá voz à ala intervencionista e tem uma visão de política muito semelhante ao ideário e modo de agir que marca o nascimento e a ascensão do império romano. Ribas Paiva está tão próximo de Julio César quanto longe de Adam Smith, Tocqueville e nomes fortes da escola austríaca. Para quem não vincula “liberdade” e “propriedade” ao espectro político designado direita, associando-o, por outro lado, a “nacionalismo”, “política do segredo” e “poder aristocrático”, Ribas surge como opção. O mundo das definições verbais é polissêmico por natureza, afinal.

Voto de protesto por voto de protesto, a autora desta matéria ficaria mais contente com uma cédula impressa sobre a qual pudesse inscrever qualquer outra coisa.

O quadro atual da disputa à prefeitura de São Paulo é mais uma prova da competência com a qual a esquerda, em todos os matizes, fincou raízes no aparelho estatal, aí incluso o controle sobre as alianças partidárias. Ou você, leitor, acha que a distribuição de secretarias realizada por João Dória ao longo de 2019 não teve nada a ver com o lançamento de tantos nomes irrelevantes à disputa pelo governo da capital?

Resta aos conservadores fazer da situação concreta que têm diante dos olhos uma oportunidade de aprendizado político. Aos maníacos da esperança, boa sorte. Foi com base neste sentimento, não na análise racional, que Joice angariou tantos votos, em nome de Bolsonaro, para traí-lo alguns meses depois.

fim
Revista Esmeril - 2020 - Todos os Direitos Reservados

17 Comments

  1. A caneta pesou bem!!!
    ……. as qualidades e as habilidades dos nomes aqui colocados.
    Mas o rompimento com o establishment dos Governos e ideologias que por aqui passaram é necessário.
    Permitir que “as cracas das pedras” e seus contrapontos da “esquerda castiça” mancomunados voltem a Governar, é ajudar a chafurdar ainda mais São Paulo na lama.
    Da mesma forma que tivemos Jair Bolsonaro como ponta da lança nacional na ascensão e retomada do pensamento de direita, com Ribas Paiva daremos oportunidade estadual a mesma retomada; ainda que transitória!!!
    Melhor o gato que os ratos!!!

  2. Os conservadores teriam um candidato interessante para a prefeitura de São Paulo: o Príncipe Luiz Philipe de Orléans e Bragança. E talvez fosse a única opção.

  3. A perspectiva da cidade de SP é muito ruim. Nem para voto de protesto está fácil… Gostaria muito de ter a possibilidade de contar com o Luiz Philipe como candidato, mas vem sempre à baila, a questão do cobertor curto. Tiramos um ótimo deputado federal para cobrir a prefeitura de SP… É uma pena que o Levy Fidélix insiste em sair como prefeito, tendo o Major Costa e Solva como uma possibilidade… É uma pena; mas uma coisa sei, na Peppa e no Mamãe Faltei, traidores da estirpe do Iscariotes, não votarei nem com um cano na cabeça. No Pé-Na-Covas tampouco votarei… Em comunista não voto nunca mais na minha vida, já deu a minha cota de cagadas nesse mundo… Salva o voto de protesto… Como não posso votar no macaco Simão, será entre esse Ribas Paiva e o nosso Luis XIV do PRTB…

  4. Não gosto da administração do Bruno Covas, mas que falta de respeito de vocês. Inaceitável. Não leio mais nada que vierem desta revista

    • Veja as fotos do Bruno Covas de alguns anos, cabeludo e gordinho, parece outra pessoa.
      Acho que o verdadeiro Bruno Covas já morreu e colocaram um clone do mal do Alan dos Santos no lugar dele.

    • Covas é um incompetente que com sede de poder, não quer largar o osso.
      A única ação visível desse inepto foi abrir covas no início da pandemia.
      Acho que é só o que sabe fazer, pois o que não falta em São Paulo é buracos.

  5. Sinceramente eu estou assustado. Por mais consciente que estejamos da visão intervencionista do Dr Ribas Paiva, pensei que seria consenso da ala conservadora brasileira (e apoiadora do nosso presidente) de concentrar os votos nele. Dr Ribas Paiva demonstrou ter grande conhecimento em questões importantes da História econômica brasileira, como a privatização da Vale do Rio Doce (FHC e George Soros), bem como a farsa do plano Real (também criticado pelo Enéas). Apesar de intervencionista, deixou claro que as Forças Armadas foram omissas durante anos sobre a questão mineral brasileira e sobre a Amazônia. Se não tomarmos cuidado, vamos entregar São Paulo novamente pra Esquerda Fabiana de sempre (Dória, Covas, Márcio França). Acredito que, nessas horas, o bom senso deve prevalecer! Releva Bruninha!

  6. Teria que fazer o Levi assinar uma Carta Conservadora aberta, para ele assumir compromissos com o eleitor conservador e de direita. Alguém teria uma ae? tipo: 1 – Aborto é inadmissível de aceitação, etc.

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