No início de setembro, esta revista publicou matéria argumentando que o eleitorado conservador não tinha opções para prefeito nas eleições 2020. À época, Celso Russomano não havia rompido seu trato com Bruno Covas, ao lado de quem pretendia concorrer como vice-prefeito, muito menos angariado o apoio de Jair Bolsonaro.

Hoje o quadro mudou. O maior líder conservador do país declarou apoio a Celso Russomano, elevando seu status de candidato obscuro a opção menos pior, graças ao acordo com o governo federal. Contudo, o nexo entre seu nome e o eleitorado conservador se deve ao raciocínio do voto útil, não havendo entre ambos relação de representatividade autêntica.

O quadro é totalmente distindo em se tratando dos candidatos a vereador. Na acirrada disputa a uma vaga na Câmara Municipal, a representatividade é garantida.

“Tríplice Aliança”

Enquanto os partidos tradicionais injetam dinheiro na candidatura de vereadores que buscam se reeleger, nomes que nunca ocuparam um cargo eletivo se arriscam a deixar o conforto de suas vidas privadas para representar o interesse conservador. Dentre eles, alguns se destacam: Major Costa e Silva, Edson Salomão e Paulo Mello.

Major Costa e Silva

Adriano Costa e Silva, mais conhecido como Major, não é exatamente um novato. A experiência de 2018, ano em que concorreu ao governo de São Paulo com apoio de Douglas Garcia e o então Direita SP, acabou projetando seu nome entre diversos grupos da sociedade civil organizada.

Antes de “chegar a um acordo” com o MBL, o Patriota pretendia lançá-lo como candidato à prefeitura. No meio do caminho, Mamãe Falei levou a melhor e a diretoria municipal, toda ligada ao MBL, deixou claro qual seria o resultado das prévias, caso o concorrente insistisse em solicitá-las.

O Patriota manteve o Major como cabeça de chapa dos candidatos a vereança até que… foi pedido em reunião interna que o aspirante a pré-candidato silenciasse suas críticas abertas ao MBL, se quisesse uma legenda. Costa e Silva deixou o partido indignado, sendo imediatamente convidado pelo PTB de Roberto Jefferson a encabeçar a sua chapa de vereadores.

Sem pertencer a nenhum movimento em particular, Costa e Silva trabalha há mais de um ano pela integração da direita paulista, tendo a simpatia de um eleitorado amplo e diverso.

Entre os compromissos principais, demonstra domínio forte em políticas de segurança pública. Ademais, planeja ações práticas para a retomada do trabalho no cenário pós-covid, que devastou os trabalhadores autônomos de baixa renda, a ampliação de escolas cívico-militares na cidade, a assistência odontológica para moradores de regiões sem infra-estrutura e ações pontuais para execução de projetos de saneamento básico.

Com a simpatia do próprio presidente da República, o Major Costa e Silva, ex-aluno do General Heleno na AMAN, procura firmar-se como liderança conservadora em São Paulo e valoriza alianças com colegas de mentalidade semelhante. Propostas e posições podem ser acompanhadas em sua página no facebook.

Edson Salomão

Presidente do Movimento Conservador, Edson Salomão se destacou como chefe de gabinete do deputado estadual Douglas Garcia, cujo desempenho mantem altos índices de aprovação junto ao eleitorado conservador.

Caso Edson Salomão, que disputa uma vaga na câmara pelo PRTB, consiga eleger-se, a prática política da equipe de Douglas na ALESP tende a repetir-se na capital. Em outras palavras, o futuro prefeito vai ter trabalho. Sobretudo se ousar fechar a cidade de novo…

Edson Salomão imprimiu ao movimento que lidera o espírito de militância forte e oposição sistemática à esquerda. O grupo que se consagrou como Direita SP foi fundado em 2016, agrega militantes no estado inteiro e tem forte presença nas periferias da capital, origem do próprio Garcia.

Também em sua página do facebook, Edson divulga propostas e compromissos pessoais. Preocupado com a sobrecarga de trabalho da Guarda Civil Metropolitana, defende a criação de rondas ostensivas municipais para lhe dar suporte. Ainda no campo da segurança, compromete-se a investigar a aplicação dos recursos, que chegam a 700 milhões por ano na capital.

O Movimento Conservador surgiu para confundir a esquerda, usando táticas de ocupação de espaços combativas e polêmicas. Com pouco mais de 10 mil reais, conseguiram eleger um deputado estadual em 2016. A idéia é repetir o feito este ano, uma vez que o PRTB não tem fundo partidário e Edson Salomão entrou na concorrida disputa com a cara e a coragem.

Caso eleito ao lado do Major Costa e Silva, a dupla tende a somar esforços e trabalhar em equipe, cada um em seu estilo.

Paulo Mello

Outro nome que já disputou cargo eletivo anteriormente é Paulo Mello, ligado ao Movimento Avança Brasil. Em 2018, tentou uma vaga na ALESP pelo PSL, partido que abandonou após a ruptura da bancada nacional. O paulistano é velho conhecido da massa anti-esquerda que lota a Av. Paulista desde as mobilizações pelo impeachment de Dilma Roussef, conhecendo bem a história e os desdobramentos dos movimentos de rua em São Paulo.

O principal compromisso de Paulo Mello com o paulistano é fiscalizar e contestar a cobrança abusiva de IPTU pela prefeitura da maior cidade do Brasil.

IPTU paulistano está se mostrando ser um negócio mais rentável do que banco de investimentos.

Posted by Paulo Mello – Candidato a Vereador São Paulo-28011 on Wednesday, October 14, 2020

Recentemente, gravou vídeo com o deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança sobre o tema, centro de suas preocupações:

Fui recebido hoje para um bate papo com o Deputado Federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança que deu seu apoio à nossa principal pauta: O fim do IPTU abusivo em São Paulo. Assista ao vídeo!

Posted by Paulo Mello on Thursday, October 15, 2020

Quanto ao compromisso com a fiscalização do Executivo municipal, o traço principal do candidato é a atenção ao desperdício de recursos em obras inúteis numa cidade com tantos problemas de mobilidade urbana. Como os colegas Major Costa e Silva e Edson Salomão, contesta sistematicamente a gestão Bruno Covas, que considera catastrófica e irresponsável:

Disputa acirrada e divisão de votos

Enquanto o Movimento Conservador decidiu concentrar o apoio em Edson Salomão, o Avança Brasil, fundado em 2015 e contando o maior número de seguidores no Facebook, não declara apoio a seus integrantes que se tornaram candidatos nas eleições 2020.

Na capital paulista, Paulo Mello concorre com o colega de movimento Eduardo Platon, natural de Salvador/BA e CEO do MAB desde fevereiro de 2019. Ambos disputam uma vaga pelo mesmo PRTB, partido que também cedeu legenda a Edson Salomão. Enquanto Paulo e Edson são paulistanos e velhos conhecidos do ativismo local, Platon luta por espaço, tendo por ora engajamento baixo em suas redes sociais.

Para o Major Costa e Silva, a eleição para vereadores é “a mais difícil de todas”. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o aumento de postulantes ao cargo de vereador foi de 51,8% com relação a 2016. Enquanto no último pleito foram 1.315 candidaturas registradas, este ano o número disparou para 1.997, somados todos os partidos. A câmara comporta 55 vagas.

Considerado o candidato mais forte da disputa entre os colegas, Costa e Silva permanece humilde: “essa história de já estar eleito é uma bobagem. A disputa é acirrada e cada voto vale ouro”. Nas lives semanais reproduzidas em suas redes, repete aos seguidores:

“Só estou eleito caso vocês realmente digitem meu número nas urnas no dia 15 de novembro”.

Regras eleitorais

Cada um desses candidatos precisa de pelo menos 40 mil votos para ter chances de ocupar uma das 55 cadeiras no Legislativo municipal. A tarefa é árdua e o desafio, conquistar a confiança do eleitorado fora da bolha conservadora. Para chegar lá, não basta lacrar nas redes. É preciso ter disposição para entender os milhares de problemas locais, o que significa gastar sola de sapato percorrendo os 96 distritos do maior município brasileiro.

A sorte está lançada. Assim como seus 1994 concorrentes, os colegas da possível tríplice aliança conservadora tem, a contar de hoje, 30 dias para mostrar ao eleitorado paulistano porque merecem um voto de confiança.

Se a base de apoio não sair do sofá para dar uma mãozinha aos seus possíveis legítimos representantes, restará a ela passar os próximos 4 anos reclamando que, entra ano sai ano, a cidade continua nas mãos dos mesmos.

fim
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