Douglas Garcia, deputado estadual eleito pelo PSL de São Paulo com mais de 70 mil votos, está faz tempo na ativa. Sua eleição em 2018 foi fruto de um trabalho intenso à frente do antigo Direita São Paulo, atual Movimento Conservador. Hoje, além de assumir várias frentes de trabalho como deputado estadual, segue firme na direção do grupo. 

Se a rotina política brutaliza alguns, Douglas parece sair ileso das batalhas. Esta manhã, esteve no Instituto Histórico e Geográfico de Santos para conhecer parte do patrimônio histórico abandonado por má-gestão do orçamento público, rixas políticas ou puro descaso mesmo. 

A cada livro raro que tocava, ou sala de objetos que percorria, abria o característico sorriso, agindo como um visitante ocasional que acaba de descobrir um tesouro perdido. 

Acompanhado por Lilian Goulart, assessora responsável pelas demandas da baixada santista, seguia o memorialista Sergio Willians, vice-presidente do IHGS, mais concentrado no valor do acervo a salvar que na penúria de seu estado presente. Sempre rindo e nunca se impondo; sempre ouvindo e pouco falando. 

Douglas Garcia é mesmo a cara da nova política. 

Da defesa do patrimônio às expectativas para as eleições municipais de 2020, Douglas falou também sobre ingenuidades no uso da verba de gabinete, a tipologia do câncer que afeta o Ministério Público, e se a bateria opressora voltará às ruas no carnaval de 2020. 

Confira!


Em primeiro lugar, gostaríamos de saber o que você veio fazer aqui, por que você está hoje no IHG de Santos?

Máquina de digitalizar documentos raros, atualmente alugada pelo IHGS e fundamental para ampliar o acesso ao acervo documental.

Bom, pra mim é uma surpresa enorme conhecer esse lugar. Eu não imaginava que seria tão maravilhoso. Quando me falaram a primeira vez, eu confesso que não dei tanta importância, mas agora eu vejo que aqui é um lugar tão magnífico quanto a Fundação que a gente visitou ontem. Só me resta  pensar em valorizar cada vez mais cada centímetro desse lugar e eu vou trabalhar para isso. 

Qual o papel reservado às políticas públicas de cultura dentro de sua legislatura? Enquanto deputado estadual, como você tem agido nesse campo?

Título nobiliárquico do Barão Homem de Mello, assinado pela regente Princesa Izabel

O que a gente pode fazer na Assembléia legislativa (e já estou fazendo, inclusive) é o envio de emenda parlamentar para restauração desse patrimônio histórico e cultural. Por exemplo, aqui em Santos, já enviei para a Fundação Arquivo e Memória aqui da cidade de Santos, emenda parlamentar de cem mil reais para revitalização de todo o acervo. E a gente vai trabalhar também com outros métodos, talvez transformando isso aqui em patrimônio cultural do estado. Eu acredito que a Assembléia ainda não fez isso e esse lugar aqui é maravilhoso, é incrível. Precisa ter um respaldo, uma importância. E a gente também vai abrir as portas da Assembléia para fazer uma exposição com muitas peças, documentos históricos daqui mesmo, do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, levando o documento assinado pela própria princesa Isabel, que é muito importante. Isso não pode ficar simplesmente aqui. Isso tem que ser levado não só para o resto dos paulistas, como para o Brasil inteiro. Isso aqui é um patrimônio brasileiro. Todo mundo precisa ter acesso a isso. Minha luta na Assembléia vai ser preservar e levar isso aqui para outras pessoas, porque é maravilhoso.

Você acha que é algo caro aos conservadores, a defesa do patrimônio? Refiro-me ao patrimônio realmente ligado à história da formação política do Brasil?

Douglas Garcia aprecia um negativo em vidro, peça do acervo do IHGS

Eu acho que os conservadores hoje no Brasil estão perdidos porque eles não conhecem a si mesmos. E a gente só vai conseguir encontrar um rumo nessa vida quando a gente parar, ler o que está ao nosso redor, ter contato, buscar as nossas raízes; tanto aqui como a fundação, como a biblioteca nacional, que hoje, graças a Deus, está sob a presidência de um homem extraordinário, que é o professor Rafael Nogueira; como muitos outros pontos, o Museu do Ipiranga; todos esses pontos precisam ser valorizados. As pessoas precisam buscar o conhecimento para a gente ter uma identidade como brasileiros, porque não faz sentido os conservadores dizerem: “eu sou conservador, nós somos conservadores, mas não ter um princípio, um ponto de partida de saber o que você precisa conservar no Brasil. O que a gente precisa manter, uma vez que nós estamos perdidos ainda? E a gente tem oportunidade hoje de se achar, de se encontrar, e isso está em cada centímetro dessa sala onde a gente está fazendo a entrevista. 

Ao lado do memorialista Sergio Willians, que assume a presidência do IHGS em 2020

Podemos falar um pouco das eleições do ano que vem? 

Claro que sim. 

Vocês tem feito algum trabalho, vocês do MC, vocês já têm um plano para não perder o maior orçamento municipal do Brasil, que é a cidade de São Paulo? Têm um plano estratégico para eleger vereadores; estão preocupados com a possibilidade de perder essa prefeitura?

Acervo do IHGS a ser digitalizado futuramente

Sim, com certeza. Não só na cidade de São Paulo, como em muitas outras cidades também. Acredito que agora chegou o momento de a gente ocupar espaço. Muito embora nossa principal preocupação hoje seja o meio cultural, a ocupação do meio cultural, nós não podemos simplesmente abrir mão do espaço político, senão a gente se ferra. A gente está vendo que infelizmente eles (liberais e esquerdistas) estão pouco preocupados com essa questão de defender o patrimônio público cultural e histórico do nosso Brasil. Então a gente precisa ocupar esses espaços para defendê-lo, para protegê-lo.

O Movimento hoje está trabalhando com medidas de expansão. Em várias cidades de vários estados, nós estamos crescendo de forma gradativa através das nossas convenções, e dentro de cada convenção a gente leva nosso estatuto, onde constam os requisitos mínimos para as pessoas poderem se candidatar com apoio do movimento. Precisa ter um tempo mínimo no movimento, precisa seguir determinados valores; você por exemplo tem que ser radicalmente contra o aborto, tem que ser a favor da vida, tem que a favor da legítima defesa, portanto pelo porte e posse das armas de fogo, você tem que preservar o patrimônio cultural e histórico da sua região, respeitar a questão religiosa também, todos esses requisitos estão no estatuto do Movimento; e tem uma carta de princípios que aquele que quer se candidatar precisa seguir. Isso está muito bem disseminado dentro do Movimento Conservador. A gente espera que, desde já, a gente faça uma convenção ainda esse ano para poder lançar as pré-candidaturas para 2020. 

E você como um líder forte, que teve uma votação expressiva num ano fundamental para os conservadores, 2018, que nomes você considera mais promissores para a cidade de São Paulo? Estou insistindo na cidade de São Paulo porque o Luiz Philippe recentemente afirmou, em conferência aqui em Santos, que o plano da esquerda é conquistar o controle de grandes orçamentos, e a cidade de São Paulo, para eles, seria estratégica. Quem você tem em mente como liderança com capital político suficiente para vencer às próximas eleições?

Bom, nós temos grandes nomes no meio conservador. Pessoas que estão com vontade de se lançar como candidatos, pré-candidatos, a exemplo do Edson Salomão, a exemplo do Gil Diniz… Porém, agora que você citou um nome, eu acredito que, não tirando a importância dele no congresso nacional, mas seria um grande homem para trabalhar no município de São Paulo, até porque ele teria uma votação expressiva: o próprio Luiz Philippe. Quem sabe? Já pensou Luiz Philippe de Orléans e Bragança prefeito da cidade de São Paulo? Aí levando Edson Salomão como vice, seria maravilhoso.

E vereadores? Com uma Constituição parlamentarista, a gente não pode esquecer o legislativo… 

Temos grandes nomes no Movimento. Temos a Steh Papaiano, tem o Wellington Santos, pessoas que têm uma boa oratória, uma boa defesa. A Steh, principalmente, ela é muito querida por muitas pessoas, e acredito que a gente possa levá-los para a câmara municipal de São Paulo.

Vocês têm um número mínimo de vereadores em mente?

Olha, a gente vai fazer no mínimo uns 30 vereadores. Essa é a nossa meta. 

Sendo a arte da comunicação um elemento vital da política, eu gostaria de saber como você avalia as deficiências de comunicação seja do governo, seja entre os conservadores.

Acredito que de fato nós estamos no começo, que precisamos aprender, principalmente com a esquerda, eles sabem muito bem se comunicar, muito embora a gente saiba que todo esse processo partiu de uma ocupação de espaços que a gente nunca teve a preocupação de fazer. Hoje os meios de comunicação, tanto na imprensa quanto no meio universitário, a gente sabe que, infelizmente, está tudo ocupado pela esquerda, ou seja, eles formam profissionais nisso. E a gente não tem grande profissionais nesse campo. E os poucos que nós temos… não é organizado. Porque não basta você ter profissionais em comunicação, você precisa organizar. E esse nível de organização, está longe, longe longe de termos no mesmo nível. Não deu tempo ainda? Não deu tempo. Acredito que a gente possa melhorar, que a gente possa trabalhar de forma um pouco mais organizada porque, às vezes, as coisas acontecem, por exemplo, em Brasília, e a gente fica sem pé nem cabeça aqui em São Paulo sobre que linha de raciocínio usar, o que defender, o que de fato aconteceu, se foi isso que se defendeu, se não foi; então falta uma ponte a ser feita, principalmente com os movimentos conservadores, para que eles consigam saber como atuar, porque só as redes sociais não são suficientes. Você precisa ter uma fonte direta para poder disseminar, “olha, vamos trabalhar nessa direção, vamos fazer assim, vamos fazer assado”, entendeu? Não é uma militância virtual, ou MAV, o que eles dizem, mas de fato a gente precisa saber da informação de forma livre, porque se for depender da imprensa, a gente está ferrado. 

Eu conheci hoje o trabalho da sua assessora Lilian, que foi importante para você estar aqui, por exemplo. Alguns conservadores têm sido criticados por ter uma equipe grande de assessores. Eu gostaria que você comentasse o seguinte: adianta os liberais ficarem economizando dinheiro público, quando são tantas as frentes a enfrentar e uma pessoa… você é um deputado, mas o estado de São Paulo é do tamanho da França, quer dizer, como é que você faz isso sozinho?

Sim, exatamente. De fato. Eu tenho hoje assessores que estão espalhados em diversos cantos, em diversos municípios do estado de São Paulo porque eu fui eleito em 594 municípios. Eu não sou um deputado distrital. Eu não sou de uma determinada região. Eu sou de muitas regiões, e pelo fato de eu ser de muitas regiões, eu preciso atender a todas essas regiões não só na questão estrutural, mas principalmente na questão ideológica, pela qual eu fui eleito. Então eu preciso saber o que está acontecendo para que eu possa dar respaldo. Por exemplo, aconteceu um fato em São Bernardo do Campo, numa escola estadual chamada João Ramalho, onde um vereador petista entrou e começou a fazer doutrinação a la esquerda, incentivando os alunos a irem pro Chile. Se não fosse meu assessor naquela região, eu não teria conseguido fazer metade do que eu consegui. Então eu preciso da ajuda deles sim, eu preciso do socorro deles sim, para poder chegar a esse nível de ocupação. Outra coisa, eles falam sobre a questão da economicidade. Mas vamos lá: tudo o que foi economizado pela Alesp esse ano, volta para os cofres públicos? Não, não vai voltar. O que eles fizeram? O sindicato entrou com uma resolução e levou até a mesa da Assembléia legislativa e vai ser pago de forma compulsória tudo aquilo que foi economizado este ano em verba de gabinete e também verba de pessoa, cada um dos servidores da Assembléia, por meio de reivindicação dos sindicatos, vai receber o abono de 3 mil reais. Cada um dos servidores da Assembléia. 

Então eles estão agindo contra o efeito desejado. É por falta de informação que os liberais agem dessa maneira?

O que acontece é que os liberais ficam dizendo que estão trabalhando numa economicidade sendo que eles não têm poder para determinar aonde vai esse dinheiro. Eles podem até economizar, Mas esse dinheiro não volta para o povo. É utilizado pelo estado para fazer aquilo que o estado bem entender. Se o estado for mal-intencionado, e infelizmente o estado é mal-intencionado, dá no que deu. Esse dinheiro vai voltar para os assessores do PT. (risos)

O “porão do dops”, bloco carnavalesco criado por você, foi censurado pelo Ministério Público. Ao mesmo tempo, o “bloco soviéticos” – apologia à ditadura stalinista – não foi incomodado pelo poder público. Você considera a atuação do ministério público ideologicamente neutra?

De forma alguma. O ministério público é completamente aparelhado e, inclusive, através do bloco Porão do DOPS eu tropecei em cima de um Leviatã chamado Coletivo Transforma MP que é um verdadeiro absurdo. Se você for analisar o estatuto e a carta de princípios do Coletivo Transforma MP, parece que você está lendo o estatuto e a carta de princípios do PSOL, porque eles defendem abertamente, um grupo de promotores, o terrorismo aberto entre grupos de guerrilha, de assalto a campos de pessoas residentes em lugares onde fazem agricultura familiar (você vê o MST, MTST fazendo esse tipo de ataque aos trabalhadores do campo). Você tem nessa carta de princípios a defesa desses grupos terroristas que ficam roubando propriedade privada, invadindo propriedade privada; apologia aberta ao genocídio de policiais militares, uma vez que eles ficam defendendo os bandidos em detrimento da atuação do policial militar, direitos humanos pra bandidos, aquela balela toda. Parece que você está lendo o estatuto de um partido de esquerda. Na verdade, é um grupo de promotores de justiça que compõem o Ministério Público e estão atuando de forma completamente embasada no ativismo judicial, mergulhada no ativismo judicial. Então o MP, enquanto não tirar esse câncer chamado Coletivo Transforma MP… Eles até tiraram a palavra “coletivo” da frente, hoje está só Transforma MP, mas não muda nada, vai ser uma coisa em que vou bater nos próximos 3 anos lá na Assembléia Legislativa. Não vou me cansar de denunciar esse absurdo que está acontecendo no Ministério Pùblico hoje.

Para finalizar, o Porão do dops volta às ruas em 2020?

(risos) Nosso bloco voltas às ruas em 2020. Só não sei exatamente se vai ser esse nome porque o processo foi arquivado, mas não teve o julgamento do mérito. Foi arquivado por falta de objeto. Acabou, passou o tempo e o juiz mandou arquivar. Mas para não correr o risco, a gente pode até mudar o nome. Porém [ficam] as cores, o intuito de poder mostrar a hipocrisia da esquerda, que foi nosso principal objetivo. Eu não vejo razões de a gente não poder se manifestar nesse sentido, de ocupar espaços. Afinal de contas hoje nós temos uma bateria, uma bateria conservadora, os meninos fazem essa batucada, chamada batucada opressora e a gente vai sair no ano que vem para fazer nossa ocupação popular no meio conservador no carnaval de 2020!



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