31 C
São Paulo
quinta-feira, 27 janeiro, 2022

Descoberto o maior artrópode da História

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Os restos mortais do invertebrado foram encontrados por acaso numa praia na Inglaterra

Em 2018, um ex-aluno da Universidade de Cambridge caminhava tranquilo e despretensiosamente por uma praia na costa Norte da ilha da Inglaterra quando avistou uma pedra peculiar. Ao aproximar-se a fim de observar os detalhes da rocha, o caminhante constatou que se tratava de um bloco de arenito. Não só. A rocha havia desprendido-se de um penhasco e, ao rolar até à praia, abriu-se e expôs — para o maravilhamento do homem — um fóssil. Mas não um fóssil qualquer: era o maior invertebrado já encontrado na história.

Tratava-se dos restos mortais de um animal do gênero Arthropleura, um artrópode que vivera no período geológico do Carbonífero, há inacreditáveis 326 milhões de anos — mais de 100 milhões de anos antes da era dos “Lagartos Terríveis”, os Dinossauros. O fóssil tem aproximadamente 76 por 36 cm e, ipso facto, é provavelmente o maior artrópode já encontrado. Segundo as conjecturas “oficiais”, o animal teria sido tão grande quanto um Volkswagen, com 2,63 metros de comprimento, 50 centímetros de largura e 55 quilos de peso.

Reconstrução artística do artrópode segundo as dimensões do fóssil encontrado. Créditos: Journal of the Geological Society

Para ser removido e transportado até o laboratório, quando de sua descoberta em 2018, fora necessária a força bruta de quatro homens. Os resultados das análises sobre o material fóssil foram publicados no periódico científico Journal of the Geological Society. De acordo com o Dr. Neil Davis, principal autor do artigo e professor no departamento de Ciências da Terra da Universidade de Cambridge, fósseis como este são extremamente raros, porque o corpo da Arthropleura, depois da morte, tende a desarticular-se. Há apenas dois registros históricos de descobertas semelhantes, ambos, no entanto, menores e mais novos.

Novas hipóteses sobre o Arthropleura

A cabeça do animal, no entanto, nunca fora encontrada — em nenhum dos registros fósseis. Assim, é evidente que as informações sobre o Arthropleura, relativamente à quantidade de informações que os cientistas dispõem sobre outros animais fossilizados, são bastante limitadas. Esta descoberta, no entanto, trouxe novas informações sobre a espécie, que se tornou o maior invertebrado que já caminhou — com suas asquerosas perninhas — sobre a face da Terra.

Fóssil descoberto na costa da Inglaterra. Créditos: Journal of the Geological Society.

Antes desta descoberta, os cientistas criam que o extraordinário tamanho do Arthropleura estava em função de um suposto “pico de oxigênio” disponível na atmosfera nos períodos geológicos do Carbonífero e Permiano. Porém, este fóssil descoberto na costa da Inglaterra advém de rochas que foram depositadas antes, muito antes destes períodos de alta oferta de oxigênio na atmosfera terrestre. Isto, claro, indica outras razões para o gigantismo da criatura.

Os pesquisadores conjecturam que o Arthropleura dispunha de uma dieta rica em nutrientes — a bem da verdade, não desqualificando o trabalho dos pesquisadores, não é necessário ter um doutorado para fazer conjecturas semelhantes. Segundo o Dr. Davis, à época nozes e sementes nutritivas estavam amplamente disponíveis; mas também é possível que a dieta do animal contivesse outros invertebrados e pequenos vertebrados, como anfíbios.

Novas conjecturas sobre o seu habitat também puderam ser feitas a partir da descoberta. Nada de “pântanos de carvão”, como se pensava antes; o Arthropleura tinha preferência pelas fartas florestas abertas próximas à costa. Segundo as projeções “oficiais”, naquele período geológico a região estava mais próxima da linha do Equador e, portanto, o clima era bastante quente. Uma das hipóteses sobre o desaparecimento do Arthropleura diz que a criatura sucumbiu ao “aquecimento global”. A contradição desta afirmação é flagrante, mas ela permanece aceita sob o orgulhoso título de “consenso científico”.

Reconstrução artística da criatura em seu habit natural numa Inglaterra tropical. Créditos: Journal of the Geological Society.

Com informações do Journal of the Geological Society e do portal TecMundo.

Achar em tudo desordem é prova de supina ignorância; descobrir ordem e sistema em tudo é demonstração de profundo saber.

Marquês de Maricá
Assine Esmeril e tenha acesso a conteúdo de Alta Cultura. Assine!
- Advertisement -spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais do Autor

CRÔNICA丨Perda

Afrânio era um aprendiz de tipógrafo na Corte que, depois do trabalho nas oficinas da Rua da Guarda Velha,...
- Advertisement -spot_img

Artigos Relacionados

- Advertisement -spot_img