Primeiro debate entre candidatos à prefeitura da capital paulista prova que o estilo favorito do político brasileiro é o programa de auditório

O melhor resumo sobre o primeiro debate entre candidatos à prefeitura de São Paulo que posso fazer é o seguinte: quarenta minutos de gargalhadas, 20 de cochilo e 60 de tédio. Tudo bem semelhante a um programa de auditório regular num domingo à tarde chuvoso.

Bruno Covas aplicou o marketing tucano de costume, mas regado a pitadas de amor psolista: “Ah, Orlando, você como único negro entre nós…” Márcio França citou pernilongos como problema específico de uma zona da cidade e pôs a máscara antes da réplica a que tinha direito, tamanho o desinteresse pela “discussão”. O ponto alto de sua participação foi pedir a Boulos que “não invadisse” seu tempo de resposta.

Boulos é o canastra maior. Nem ele próprio acredita, quando afirma ser um morador da periferia, ou ter um plano de governo voltado à geração de… trabalho. Orlando, do partido comunista, jura que almeja dar ao próximo emprego e renda. Faz sentido. Como arrendar a renda alheia sem antes criá-la?

Joice Peppa Pig Hasselmann, convocada para acionar a metralhadora contra a concorrência do amigo de Dória, esmerou-se em exibir a máscara de tecido transparente, cuidadosamente combinada ao cetim da blusa, no melhor estilo Marta Suplicy emergente. A grande dúvida que despertou na audiência foi se o nariz pontiagudo é fruto recente de uma cirurgia plástica mal sucedida ou sabotagem de algum maquiador bolsonarista.

Mamãe faltei compareceu. Pena que ninguém notou. Já Felipe Sabará deu mostras de se amarrar numa síndrome de Estocolmo: pediu votos aos vereadores do partido que tenta excluí-lo do pleito — o seu próprio — mostrando orgulho em integrar o time. Se não fosse o bom menino, niguém saberia que Marina É Louca, quer dizer, Helou, não abraça árvores, mas tem certeza que as enchentes nas áreas baixas de São Paulo decorrem do aquecimento global.

Especula-se que Russomano mantenha em segredo alguma ação contra empresas do ramo farmacêutico, pois no fatídico dia de mostrar aos paulistanos porque o presidente lhe deu a mão, puseram tranquilizante em seu café. O implante capilar balbuciou algumas notas por ele. Matarazzo, fingindo haver ambiente para o profissionalismo, surgiu altivo, mesclando frases feitas tucanas a vocabulário conservador. Vai que cola?

Para ninguém dizer que deixo por mal o nanico de fora, parece que Levy Fidelix fez uma live no Instagram durante o circo da Band. Deu menos de 2 mil views, mas rendeu 30 comentários.

fim
Revista Esmeril - 2020 - Todos os Direitos Reservados

7 Comments

  1. Não vi, não quero ver e não vou ver, como diz o ditado! Tem algo de podre no reino da Dinamarca, assim que estou vendo as coisas por aqui Brasil) nesses últimos dias. Abraços.

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