CONTRA A LACRAÇÃO DOS COLETIVOS LGBTQIA+

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Nunca houve uma Copa América tão conturbada como a deste ano. Seria na Argentina, mas o governo recuou, apontando a pandemia como impeditivo. Então o Brasil aceitou sediar os jogos. Mas, o que parecia ter resolvido o impasse, mostrou que a realização do evento seria uma verdadeira prova de resiliência atlética.

O Congresso Nacional tentou barrar os jogos, assim como a mídia, capitaneada pela Rede Globo, mas o Governo Federal insistiu, o que lhe rendeu uma ação no Supremo Tribunal Federal. Argumentavam que a pandemia tornava inviável as partidas no país, apesar de não lembrarem que outros jogos estavam sendo realizados naquele momento. O STF, que não acerta um pênalti, dessa vez conseguiu encher a rede, metendo um golaço, ao permitir a realização dos jogos, seguindo todos os protocolos, é claro.

A alegria tomou conta do país! Dos dias 13 de junho a 10 de julho, o Brasil foi o gramado em que inúmeras celebridades brilharam.

Contudo, não bastassem os contratempos, mais uma polêmica. E dessa vez, de um pessoal que faz muito barulho, mais do que todas as torcidas organizadas juntas (proibidas de irem aos estádios nesse período).

Lucione Nazareth/VGN

A seleção brasileira, sem nada ter feito, meteu-se em uma confusão com alguns ativistas LGBTs. Motivo: o jogador Douglas Luiz não utilizou a camisa 24 da seleção.

O grupo foi à Justiça contra a Confederação Brasileira de Futebol – CBF para – acreditem se quiser – obrigar o jogador a usar o número 24 durante a Copa. O movimento sentiu-se ofendido com a atitude do jogador e, por consequência, com a Seleção. Para o grupo, tratava-se de uma atitude homofóbica. Ademais, exigiam que para cada dia de descumprimento da medida, uma bolada de dinheiro deveria ser imposta, a título de multa.

A Justiça, analisando o caso, decidiu por arquivar a representação, além de não aplicar a multa.

Os ativistas não se contentaram com a derrota e decidiram abrir uma segunda representação, desta vez contra a FIFA, pedindo uma investigação contra a CBF, apontando, dentre outras coisas, que a ausência do número 24 na camisa do jogador da Seleção representaria violação aos direitos humanos.

O jogador Douglas Luiz chegou a virar “réu” em uma ação civil pública, por meio da qual se pretendia obrigar o jogador a utilizar o número 24 na semifinal da Copa.

GRUPOS LGBTQIA+

Essa postura agressiva por parte de alguns coletivos que falam ou pretendem falar em nome de uma determinada minoria impacta de maneira negativa, não atingindo o objetivo almejado. E, além de não terem êxito em seus anseios, dão alguns passos para trás, dificultando a emancipação de gays, lésbicas, bissexuais etc. no meio social.

Não podemos negar que o preconceito é real, como também é realidade a violência sofrida por eles. E sobre isso, não devemos normalizar tais atitudes, que representam um retrocesso civilizacional.

Ocorre que, a estratégia utilizada por tais grupos, que insistem em falar em nome de pautas sensíveis, nem sempre são as melhores.

A conscientização, em detrimento da imposição, tende a ser o melhor caminho para aqueles que só querem viver em paz, serem livres e não virarem alvos de violência.

Entretanto, o que vemos não é nada disso. São movimentos extremamente agressivos, indispostos ao diálogo, impondo uma ação, um modelo de comportamento a outras pessoas para que estas aceitem, a qualquer custo, o jeito de viver daqueles.

Tais coletivos, que tanto falam acerca de amor, respeito, empatia, tolerância, esquecem de todos esses adjetivos quando vão falar sobre as suas demandas. Esquecem que do lado de lá existem outras pessoas, outros valores, outras realidades, que não será com truculência que se farão ser percebidos.

O CRIME DO JOGADOR

O fato de querer impor a um jogador de futebol que este vista o número 24 esbarra em uma série de problemas: o atleta é livre; não há norma contratual que o obrigue a tal intento; o número 24, em regra, não atinge, não restringe o direito de outrem; além disso, não partiu do jogador nenhuma ofensa contra quem quer que seja. Ele simplesmente optou por não utilizar a numeração que, para alguns, têm conotação pejorativa. E ponto! Isso não deve ser um problema para ninguém.

Além disso, criminalizar a conduta do atleta é colocá-lo no mesmo espaço reservado àqueles que agridem, vilipendiam a integridade de pessoas homo/transsexuais, e que o fazem com o intento de anular, destruir essas pessoas. Com isso, de nada adiante criar punições, uma vez que não há razoabilidade. Todos que, de uma forma ou de outra, desagradarem tais grupos serão tidos como homofóbicos e alvo de processo por crime inafiançável. Assim, não há diferença entre aquele que apenas não quer vestir o 24 e aquele que, passando na via pública, ateia fogo em um travesti. É a irracionalidade dessa galera.

Todavia, o diabo reside nos detalhes. O busílis está no inconfessável, nos cabeças desses movimentos, nos teóricos devotados. Em questão de importância, há outras pautas que merecem mais atenção, como os travestis assassinados, as pessoas que são agredidas em praça pública por sua opção sexual.

Mas, não. A estratégia não é melhorar a vida de quem sofre violência, mas sim inviabilizar as relações sociais, promover disputas onde não há.

A prioridade desse pessoal é lacrar, é politizar tudo! E vou além: quem está dando o suporte ideológico quase nunca tem lugar de fala, vez que não é homossexual, mas se utiliza dessa demanda para promover ideias perversas, que não agregam e dificultam ainda mais a vida de quem é gay.

Eu sou capaz de apostar que o indivíduo homossexual, que não vive em uma bolha, que pensa, não coaduna com as políticas impostas por esses grupos.

PELA COERÊNCIA DOS MOVIMENTOS LGBTQIA+

Qual seria, então, a solução para esse barraco armado? Bem, partindo do pressuposto de que tais grupos – ou melhor, alguns deles – estivessem agindo de boa-fé, a melhor estratégia, certamente, não é escandalizar, mas sim dialogar. Vejam só como a situação muda quando você, percebendo “esse preconceito” do jogador, ao invés de querer processá-lo, bem como a CBF, propõe um diálogo com o atleta, vai até ele para conversar, explicar a importância das demandas do coletivo e de como é importante a ajuda de pessoas como o jogador, que tem milhares de fãs, para dirimir esse preconceito, ajudando assim a dar mais espaço a pessoas historicamente marginalizados.

Conquanto tenham como mote causas nobres, nenhum grupo tem o direito de obrigar outras pessoas a pensar conforme a sua métrica. Não tem o direito de demonizar pessoas, criar uma cizânia onde não existe. Afinal, a conduta do jogador foi menor, igual ou pior aos já mencionados atos criminosos contra a comunidade LGBTQIA+? É claro que a negação do jogador não significa nada comparado àqueles criminosos.

A verdade é que tais grupelhos transformaram-se em centros politiqueiros, formados por partidários de esquerda que impuseram as suas pautas a fórceps. E agora? Agora criam mais divisão na sociedade, afastando ainda mais gays, lésbicas, trans etc. do convívio social.

O melhor proceder é combater preconceito com informação, esclarecendo, demonstrando que pessoas assumidamente homo/transsexuais não são monstros, mas seres humanos, que apenas desejam viver suas vidas sem sofrer constantes violações. O foco deve ser esse! E não, repito, criar mais conflitos, o que provoca um inevitável afastamento de outras pessoas que, embora não sejam preconceituosas, não querem ter o menor contato com grupos que veem preconceito em tudo, que assassinam reputações de gente decente, tudo para lacrar, para criar um ambiente de discórdia, propício para os endemoniados da esquerda, que apostam no caos.

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