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quinta-feira, 21 outubro, 2021

Bebê é a 1ª do mundo a receber coração de doador com sangue incompatível

Revista Mensal
Samara Barricellihttp://www.revistaesmeril.com.br
Samara Oliveira Barricelli é jornalista, Católica Apostólica Romana, mãe e esposa.

Cirurgia pioneira salvou a vida da pequena na Espanha

A pequena Naiara, de apenas dois meses, é a primeira pessoa do mundo que recebeu um coração de doador com sangue incompatível. A pequena foi salva por uma cirurgia pioneira na Espanha, no Hospital Gregorio Marañón, em Madri, onde os médicos fizeram nela um transplante do coração parado de um outro bebê, com um tipo sanguíneo incompatível, para que a pequena pudesse sobreviver.

É o primeiro caso no mundo em que coincide que seja um transplante em um bebê com doação em assistolia [coração parado] e entre bebês com grupos sanguíneos diferentes.

– Juan Miguel Gil Jaurena, médico e chefe do setor de cirurgia cardíaca infantil do hospital.

De acordo com o médico Juan Jaurena, em 2018, o hospital já havia feito, o primeiro transplante infantil do mundo entre doadores incompatíveis. Porém, a novidade agora é o coração do bebê doador que estava parado, e teve que ser reanimado antes de ser retirado. O médico explicou ao Jornal El País a diferença entre o transplante da pequena Naiara e de outros transplantes cardíacos: No transplante convencional, quando há morte encefálica, o cirurgião encontra o doador com o coração batendo. Então, ele faz o órgão parar, retira do doador, coloca em gelo e o leva embora. No caso de Naiara, o coração já estava parado, tendo que ser primeiro reanimado – e só então retirado do doador.

Para isso, o bebê doador precisou passar por um procedimento de circulação extracorpórea, segundo o Portal G1, em que o sangue passa a circular fora do corpo, em uma máquina. Quando o sangue chega ao coração da pessoa, ele volta a bater por si próprio. Para que o procedimento funcione, é necessário um perfusionista ( um profissional que mantém a máquina de circulação extracorpórea funcionando adequadamente).

O trabalho do perfusionista, em qualquer cirurgia cardíaca, é substituir a função do coração e dos pulmões durante o processo da cirurgia. Nós somos o coração e o pulmão da criança durante a cirurgia cardíaca.

– José Ángel Zamorano, perfusionista do Hospital Gregorio Marañón.

O perfusionista e a equipe, que incluía uma enfermeira instrumentista cirúrgica e cirurgiões, foram ao hospital onde o bebê doador estava, para buscar o órgão. O nome do hospital não foi revelado. Depois de reanimado, o coração foi retirado e conservado na chamada “isquemia fria”, sem fornecimento de oxigênio e em baixa temperatura para poder ser transportado. E ao ser colocado em Naiara, o coração precisou ser reanimado novamente.  

Após algumas semanas na UTI, a bebê foi transferida para a enfermaria, onde está se recuperando.

O problema foi descoberto na gestação

O problema no coração da pequena foi descoberto ainda na gestação, sendo um tipo de cardiopatia congênita que surge nas primeiras 8 semanas, quando se forma o coração do bebê. Ocorre por uma alteração no desenvolvimento embrionário da estrutura cardíaca. A médica Manuela Camino disse que o coração da pequena não estava bem e que ficava cada vez mais difícil chegar ao final da gestação, tanto que a mãe de Naiara deu a luz com 34 semanas.

A médica concluiu que quando nascesse, como o coraçãozinho estava muito mal, a bebê não iria sobreviver, mas a menina conseguiu e com o passar do tempo, à medida que o organismo dela ia amadurecendo, os médicos perceberam que um transplante era possível e a colocaram na fila, mas sem dar grandes esperanças aos pais.

Até que o doador apareceu e, quando passou pela cirurgia, Naiara tinha dois meses e pesava apenas 3,2 kg. Para a médica foi uma experiência nova, porque era uma bebê que tinha o menor peso para receber um coração. Além disso, a bebê tinha piorado muito 24 horas antes. Se um coração não chegasse, possivelmente ela não estaria aqui hoje.

Sempre vou lembrar de agradecer à família do doador. Que, no momento mais duro, tiveram um gesto de generosidade infinita.

– Juan Miguel Gil Jaurena, médico e chefe do setor de cirurgia cardíaca infantil do hospital.

O médico Juan Jaurena agradece à família que doou o coração a pequena Naiara.

Com informações do Portal G1 e Razões Para Acreditar


O milagre é o filho predileto da fé.

– Johann Goethe

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