A selvageria das duas mulheres jamais será esquecida

O corpo de Rhuan Maycon da Silva Castro (9 anos) foi encontrado na madrugada do dia 1º junho de 2019, esquartejado, dentro de uma mala deixada na quadra QR 425 de Samambaia, no Distrito Federal. As partes do corpo da criança foram encontradas por moradores da região. A mãe do menino, Rosana Cândido, e a companheira, Kacyla Pryscila, foram presas na casa onde moravam com a filha de Kacyla, que tinha apenas 8 anos.

Segundo o Portal G1, Rosana disse em depoimento à polícia que não sentia nenhum amor pela criança, apenas ódio. Na época, o Ministério Público do DF constatou que Rosana matou o próprio filho para se vingar do pai do menino e sua família paterna. O casal se separou e Rosana fugiu do estado com Kacyla, enquanto ainda corria decisão sobre a guarda de Rhuan.

O pai recorreu judicialmente e acabou ficando com a guarda do filho. Rhuan havia sido diagnosticado com um leve grau de autismo (TEA) e, por isso, necessitava de acompanhamento especial para frequentar o colégio.

Rhuan com o pai

As mulheres fugiram com Rhuan e a filha de Kacyla por diversas cidades de Sergipe e Goiás, até chegarem em Samambaia (DF), dois meses antes do crime. Conforme o Yahoo Notícias, Rosana confessou ter decepado o pênis de Rhuan em 2017, alegando que o mesmo “queria ser uma garota”; o ato foi realizado em casa, de forma rudimentar e sem anestesia. Tentando encobrir o ocorrido, a ida do garoto ao sistema de saúde foi interrompida por pelo menos um ano. A mutilação foi confirmada por laudo da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e pelo Conselho Tutelar, que relatou que o garoto foi obrigado a relações sexuais com a filha de Kacyla, além de sugerir que as crianças viviam em cárcere privado e sem cuidados básicos, como alimentação e educação. 

Desde 18 de dezembro de 2014, Rosana vivia com a companheira, enteada e o filho, de maneira clandestina. De acordo com o Portal G1, Rhuan foi retirado à força dos cuidados dos avós paternos e era procurado pela família. Até a sua morte, a criança foi submetida a intenso sofrimento físico e mental, como forma de castigo pessoal. Enfrentou desprezo e privações e foi impedido de manter contato com outras pessoas.

O avô da criança, Francisco de Chagas Castro, afirmou ter procurado a criança, após o sequestro, por diversas cidades da região norte. Ele também entrou com um processo de guarda judicial junto com o pai de Rhuan, mas a mãe fugiu com o garoto durante o processo.

A criança com o avô

Uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal revelou que Rhuan recebeu doze facadas de Rosana,  a primeira feita enquanto o garoto ainda dormia e as restantes com ele na posição de joelhos, ao lado da cama; implorando pela sua vida. Exames periciais também concluíram que a cabeça da criança foi decepada ainda com os sinais vitais presentes. Enquanto isso, Kacyla preparava a churrasqueira para “amaciar” partes do corpo do menino. O corpo foi então movido pelas assassinas, tendo a perícia encontrado marcas de incineração post mortem, que confirmaram a versão fornecida pelas mulheres.

O médico-legista Christopher Martins concluiu, por meio dos exames cadavéricos realizados, que Rosana arrancou toda a pele do rosto do menino para que ele não fosse identificado; em seguida, certificou-se que a mãe tentou fritar a pele. A assassina ainda tentou retirar, com uma faca, os olhos de Rhuan.

Um marco anterior à morte, confirmado por meio do estudo de cicatrizes e de sequelas, foi a emasculação (remoção do pênis) e a castração (remoção dos testículos). Ambas foram feitas de forma artesanal e resultou em sérias consequências para o indivíduo (Rhuan) ainda em vida. Com a amputação do pênis, a uretra se retraiu e se formou uma fístula da uretra até a derme (pele) era por esse caminho muito estreito que o menino conseguia urinar durante este tempo. Ele só urinava sob alta pressão e isso retira a qualidade de vida, além de fazer do caso algo cruel e doloroso

– Christopher Martins, médico legista

A investigação ainda foi capaz de montar a ação do crime praticado pelas assassinas, onde elas teriam desistido de queimar ou cozinhar as partes do corpo do menino e distribuindo as partes restantes em duas mochilas infantis. Uma foi jogada dentro do esgoto por um bueiro, na quadra 425 de Samambaia. Os cômodos da casa foram lavados pelas assassinas após o crime.

Em depoimento dado à polícia, Rosana disse que uma de suas motivações para matar o filho seria porque era um “empecilho para o seu relacionamento“, já que ele a lembrava do seu antigo vínculo com o ex-marido; ela ainda se referiu ao ato como “necessário” e reforçou seu ódio e “nenhum amor” pela criança. A Polícia Civil levantou como motivação a demonstração de ódio à figura masculina em consideração aos maus tratos sofridos pelo menino.

O professor de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Eduardo Fraga, sustenta a idéia que a motivação para o crime foi baseada em misandria, argumentando que as mulheres demonstraram psicopatia num pensamento onde arrancar o órgão masculino seria uma forma de evitar que o garoto se tornasse um homem. Porém, a psiquiatra forense Hilda Morana, especialista em psicopatia, disse que o crime não tem relação com o relacionamento homo-afetivo das assassinas e que pela frieza do ato, ambas só podem ser psicopatas.

Rosana e Kacyla

As assassinas do menino foram presas no Complexo Penitenciário da Papuda, em celas isoladas. O delegado Guilherme Melo abriu uma investigação solicitando condenação por homicídio qualificado, tortura, ocultação de cadáver, fraude processual e lesão corporal gravíssima, para as responsáveis pelo assassinato, segundo o Jornal de Brasília.

Rosana foi condenada a 65 anos de prisão e Kacyla, a 64 anos, segundo o Correio Braziliense. Elas foram julgadas pelo assassinato do menino de 9 anos, em 25 de novembro de 2020, pelo Tribunal do Júri de Samambaia (DF). Entre as qualificadoras do homicídio estão o motivo torpe, o meio cruel e o recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O primeiro, diz respeito ao sentimento de ódio que Rosana nutria em relação à família paterna da criança. Em relação ao segundo, o menino recebeu, ao menos, 12 facadas e foi degolado vivo. Por último, ele foi atacado enquanto dormia.

Declaração do Presidente

À época, o presidente Jair Bolsonaro se declarou favorável a prisão perpétua para esse tipo de caso. A declaração ocorreu através do Twitter, dezessete dias depois do caso.

Com informações do Portal G1, IstoÉ, UOL, Diário da Manhã, Correio Braziliense, Portal R7, Jornal de Brasília e Yahoo Notícias


Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não se dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta, é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta.

– Fernando Pessoa

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