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quinta-feira, 27 janeiro, 2022

Arqueólogos encontram objetos históricos sob praça de antiga cidade mineira

Revista Mensal
Vitor Marcolinhttps://lletrasvirtuais.blogspot.com/
Apenas mais um dos milhares de alunos do COF. Non nobis Domine.

Dentre os achados sob o solo de uma praça na cidade histórica de Mariana (MG), os arqueólogos descobriram moedas e louças do século XVIII

A fundação do histórico município de Mariana, no Estado das Minas Gerais, remonta ao longínquo século XVIII, quando o Brasil ainda era extensão do território português. A cidade, no entanto, fora tema relativamente recente nos noticiários em função do rompimento da barragem de Fundão, em novembro de 2015. Este fora considerado o “maior desastre ambiental do país”.

Seis anos depois da fatalidade do Fundão, a cidade, que se recuperou das perdas materiais, voltou a ocupar os noticiários — embora, é claro, com ênfase menor da mídia. Desta vez, no entanto, em função de uma série de achados arqueológicos. Sob a praça Gomes Freire, circunscrita pelos casarões dos setecentos, um dos principais pontos turísticos da região, arqueólogos encontraram artefatos do século XVIII.

Moedas retiradas do interior de chafariz em Mariana (MG) (Foto: Fundação Renova/Divulgação)

Durante os trabalhos de restauração no terreno afetado pelo rompimento da barragem, os operários encontraram os objetos — acionando imediatamente os arqueólogos de plantão. A restauração integra um projeto financiado por uma parceria celebrada entre a Fundação Renova e a Câmara Municipal. O objetivo de toda a restauração é evidente: maximizar o potencial turístico e “socioeconômico” da cidade que é um dos polos do Rococó e do Barroco brasileiro.

Cachimbo de cerâmica está entre os artefatos descobertos em Mariana (MG) (Foto: Fundação Renova/Divulgação)

Dentre os artefatos encontrados, destacam-se louças, cravos de ferro, vidros de tinteiros e cachimbos de cerâmica que, segundo os arqueólogos, pertenceram aos escravos da região. A prospecção do sítio também revelou moedas de vários períodos — desde o velho Réis ao Cruzeiro Real — que foram, muito provavelmente, depositadas pela população local em um chafariz sob a intenção dos mais íntimos pedidos.

“Esse foi um trabalho cuidadoso de pesquisa arqueológica, no qual conseguimos evidenciar e registrar com detalhes os fragmentos e todas as estruturas encontradas, evidenciando assim a apropriação da comunidade no espaço ao longo do tempo”.

Danielle Lima, especialista em Arqueologia da Fundação Renova
Cachimbo de cerâmica descoberto na praça Gomes Freire em Mariana (MG) (Foto: Fundação Renova/Divulgação)

O arqueólogo coordenador-geral das pesquisas Ângelo Lima disse que, mesmo antes da área tornar-se uma praça, os populares locais já valiam-se do espaço com frequência para o lazer — como comprovam os vestígios.

“Fragmentos de vasilhas de pedra-sabão, louça e cerâmica, por exemplo, mostram que desde o século XVIII as pessoas utilizam a praça em momentos festivos para se alimentar”.

Ângelo Lima

Com informações da Revista Galileu.


“O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove”.

Fernando Sabino, escritor mineiro

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