18.4 C
São Paulo
domingo, 19 setembro, 2021

ARGENTINA | Jovem Mãe denuncia Médica que lhe forçou a abortar

Revista Mensal
Roberto Lacerda
Roberto Lacerda Barricelli é jornalista, assessor e historiador. Foi correspondente do Epoch Times e colaborador em diversos jornais, como Jornal da Cidade Online, O Fluminense, São Carlos Dia e Noite, Diário da Manhã, Folha de Angatuba e Jornal da Costa Norte.

Mulher não queria mais realizar o aborto, mas a ignoraram e mataram sua bebê dentro do Hospital

Em 24 de agosto deste ano, uma jovem argentina de 21 foi internada no centro cirúrgico do Hospital Juan Domingo Perón para a realização de um aborto. Contudo, a jovem havia desistido de abortar e manifestado sua mudança de decisão à médica, que realizou o aborto mesmo contra a vontade da mãe, que estava grávida de seis meses.

Segundo a Infobae, a bebê nasceu viva, porém, foi descartada num saco de lixo e morta por asfixia. A mãe ouviu sua filha chorar e pediu para ficar próxima a ela, mas isso não foi permitido e a menina acabou descartada, conforme declarações da própria mulher à Claudia Subelza, chefe da Diretoria de Menores do município de Salvador Mazza.

A denúncia foi realizada pelo tio da jovem mãe, o policial Cristian González. Sua sobrinha teria ido ao hospital para realizar o aborto e inventado uma história sobre ser moradora de rua, no entanto, ela se arrependeu e comunicou que não queria seguir com o aborto.

A denúncia

O jornal El Tribuno obteve acesso à denúncia formal da jovem mãe, que confirmou a história e acusou a médica Miranda Ruiz de forçá-la a abortar.


Eu queria continuar com a gravidez, mas a doutora Miranda Ruiz me forçou a abortar

— Jovem mãe que foi forçada a abortar

O aborto realizado com 22 semanas chocou a comunidade local. Ao longo dos debates que culminaram na legalização na Argentina, os defensores do aborto afirmaram que não seria permitido após a 14ª semana de gestação, mas, ainda segundo o Infobae, um médico local afirmou que a lei permite realizar abortos até mesmo na 38ª semana.

A juventude pró-Vida de Salta foi à rua depois de o caso ser divulgado pela imprensa.

Créditos da Imagem | ALETEIA

Independente da discussão sobre onde começa a vida numa gestação – no Texas, por exemplo, os abortos após a 6ª semana foram proibidos -, a possibilidade do aborto de bebês até um dia antes do parto pode ter se tornado uma realidade no país.

Censura no Hospital

A jovem mãe forçada a abortar também foi alvo de censura pela psicóloga do hospital, Paola Champisien, devido a sua mudança de decisão. “Por que você fez tanto barulho?”, teria falado a mulher à vítima, informou a Aleteia.

Créditos da Imagem | Infobae

O nome da bebê seria Milagros. Segundo a jovem mãe, a culpada pelo infanticídio seria a Dra. Miranda Ruiz.


Quero denunciar a Dra. Miranda Ruiz, porque ela matou meu bebê. Eu queria fazer um aborto quando fui para o hospital Perón de Tartagal, mas, quando falei com meu tio e minha tia, eu não queria mais fazer, e ainda mais quando vi minha filha Angi. Então, eu decidi não fazer. Eu ia chamar minha filha de Milagros. Disse à Dra. Miranda no dia 24 de agosto que queria continuar com a gravidez, mas ela me ignorou e me fez abortar. Lamentei ter feito o aborto e queria que minha filha estivesse viva. Eu queria que minha filha Milagros estivesse viva e quando eu quis ir embora, ela me obrigou a ficar em observação. Quando eu disse isso a Champisien, ela me disse “ por que você fez tanto barulho”, saiu e me deixou sozinha. Todos sabiam que eu queria continuar a gravidez. Eu disse a todas as pessoas que estavam lá. Até meus amigos, meu tio e minha tia. Eu quero que a justiça seja feita

— Jovem mãe que foi forçada a abortar | Fonte: El Tribuno

A mãe e sua família entraram na justiça com uma denúncia por homicídio. A médica foi presa, mas liberada pouco depois.

Intimidação?

A diretora do Observatório de Violência contra as Mulheres de Salta, Ana Pérez Declercq, pediu ao Conselho Deliberativo de Salvador Mazza que puna Claudia Subelza, por ter denunciado o caso em uma rádio e ao jornal El Tribuno.

Claudia Subelza, acompanhada, na terça-feira, quando foi testemunhar no Tribunal | Fonte: El Tribuno

Para Declercq, Subelza cometeu violência institucional, psíquica e contra os ‘direitos’ à autonomia, integridade física e liberdade não reprodutiva contra as ”pessoas gestantes” (mães), ao denunciar o caso à imprensa. Também teria gerado ‘confusão’ sobre o acesso ao aborto, segundo o El Tribuno.

Com informações de El Tribuno, Infobae e Aleteia


Não poderá prevalecer a PAZ na Terra, enquanto existir o aborto. Porque é uma guerra contra as crianças

— Santa Teresa de Calcutá

Gosta de nosso conteúdo? Assine Esmeril, tenha acesso a uma revista de alta cultura e ajude a manter o Esmeril News no ar!

- Advertisement -spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Mais do Autor

PATRIMÔNIO E MEMÓRIA丨O lusotropicalismo em Gilberto Freyre

Roberto Lacerda recorda o clássico "O luso e o trópico" para honrar a memória de Gilberto Freyre, cuja reflexão...
- Advertisement -spot_img

Artigos Relacionados

- Advertisement -spot_img