Segundo dissidentes, o governo de Cuba estabeleceu prisão domiciliar para artistas e ativistas de Direitos Humanos e determinou o bloqueio de suas redes sociais. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (10) pela organização NetBlocks, que monitora a liberdade de expressão na internet em todo o mundo. 

As prisões ocorreram após protesto por liberdade de expressão, em 27 de novembro deste ano, em frente ao Ministério da Cultura de Cuba. O governo cubano iniciou diálogo com os ativistas, porém, no dia seguinte cancelou as negociações e os acusou de mercenários dos Estados Unidos da América (EUA), pagos para desestabilizarem o governo de Cuba. 

Artistas, como Tania Bruguera, informaram que o governo cubano está utilizando táticas da época da Guerra Fria, contra os ativistas e artistas. A declaração, nesta quarta-feira (9), de Michael Kozac, secretário-adjunto interino para assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos EUA, foi utilizada pelo governo de Cuba para reforçar sua narrativa de interferência americana.  

O governo de Cuba também acusou os  cubanos exilados nos EUA de promoverem protestos e pagarem cubanos residentes na ilha, para depredação de patrimônio estatal. O governo de Cuba exige que o governo Americano persiga esses cubanos exilados, por suposto “terrorismo” contra Cuba. 

Eleição para o Conselho de Direitos Humanos da ONU

Em 13 de outubro deste ano, Cuba foi eleita para o Conselho de Direitos Humanos da ONU, órgão máximo da organização no combate à tortura, censura e discriminação no mundo. A eleição renovou 15 das 47 caseiras do conselho e ocorreu através de votação secreta da Assembleia Geral. 

A eleição ocorreu três meses após o governo cubano proibir a marcha anti-racista e manter ativistas e jornalistas em prisão domiciliar, como o cubano Abraham Jiménez Enoa, que escreve para veículos internacionais como Washington Post e The New York Times. 

Enoa cobriria a marcha em protesto pela morte de Hansel Hernández (foto abaixo), jovem negro, de 27 anos, morto com tiros pelas costas por um policial cubano, durante perseguição policial, em 24 de junho de 2020, na periferia de Havana. 

Hansel Hernández, 27 anos.

Segundo o jornalista cubano “O governo cubano é abusador e racista”. Enoa escreveu ao Washington Post sobre o caso Hansel Hernández, em matéria intitulada  “A violência policial de Cuba também é racista”. 

E a Parada LGBT?

Em maio de 2019, o governo cubano interrompeu a Parada LGBT na ilha. Os ativistas só conseguiram caminhar por 400 metros antes de a polícia cubana intervir, dispersar a manifestação e prender três ativistas. 

O Ministério da Saúde de Cuba cancelou um evento LGBT, alegando contenção de gastos devido à crise econômica da ilha; esse cancelamento gerou a manifestação, que terminou com intervenção policial e prisões. 

Com informações da Folha de São Paulo, Deutsche Welle, Gazeta do Povo, Swiss Info e G1.

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