Capítulo VII – Protegendo os pontos fracos por meio da judicialização

E O MOVIMENTO PASSE LIVRE RETORNA

O ano de 2020 começa com uma estratégia já conhecida. O Movimento Passe Livre iniciou, no dia 07 de janeiro, um protesto contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo. Terminou em confronto entre policiais e manifestantes na estação Trianon-Masp do Metrô. Trinta pessoas foram detidas, segundo a Secretaria de Segurança Pública. 

O ato começou em frente à sede da Prefeitura, no Viaduto do Chá, Centro da capital Paulista, e seguiu em caminhada até a Avenida Paulista. O grupo empunhou bandeiras e cartazes, e entoou gritos de guerra: “A cidade vai parar se o povo se unir”, “fecha, fecha, o terminal, pula a catraca”, entre outros. 

Por volta das 20h30, quando a chuva se intensificou na região, os manifestantes começaram a dispersar e tentaram se abrigar, em grande volume, na estação do Metrô. Próximos às catracas, no entanto, estava uma linha de policiais militares, que tentava conter a multidão.

O grupo passou a gritar pelo “fim da Polícia Militar”, alguns jogaram tinta vermelha na direção dos policiais e um dos escudos foi atingido. A quantidade de policiais e manifestantes aumentou na catraca da estação Trianon-Masp, e um policial com um megafone solicitou a saída dos manifestantes da estação por questões de segurança. Questionado, o Metrô informou em nota que nenhuma estação da Linha 2-Verde estava fechada ao público, e que a orientação era “controle de fluxo”, para evitar que os manifestantes pulassem a catraca. 

Mesma tática, não é, leitor?

Por volta das 21 horas houve um confronto entre policiais e manifestantes, que ficaram encurralados após subirem as escadas, pois a estação foi fechada. Bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas e os policiais também utilizaram spray de pimenta. Manifestantes, em contrapartida, quebraram vidros da estação

O MESMO MOVIMENTO E ESTRANHAS COINCIDÊNCIAS

As reivindicações são semelhantes às do passado. Porém, alguns detalhes nessa reportagem são mais interessantes. 

O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) protocolou uma carta na Prefeitura solicitando que o prefeito não reajuste a tarifa de ônibus. O Idec argumentou que a Prefeitura poderia segurar esse aumento reajustando o valor de subsídio para o sistema e que um aumento do ônibus tem um grande impacto para a cidade. O instituto também argumenta que a Prefeitura não gerencia o sistema de transporte da cidade de maneira eficiente. 

Fomos ver os apoiadores do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, que, segundo o Instituto:

Também contamos com o apoio financeiro de organizações e fundações independentes, sem comprometer a autonomia de nosso trabalho. 

Fundações? Apoio financeiro?

Entre os apoiadores estão:

  • Ford Foundation. Projetos mantidos: apoio institucional. 
  • Open Society. Projetos mantidos: apoio a programas e ao projeto de transparência de credit score.

Uma curiosidade: numa das fotos da reportagem do G1, uma bandeira é empunhada por um manifestante, com o título “MPJ EM DISPARADA”. Lembremos, por tudo o que vimos até aqui, a prevalência de jovens. Fomos procurar saber o que era esse tal Movimento MPJ. 

Fomos ao twitter do MPJ, que significa Movimento Popular da Juventude em DISPARADA. 

No tweet fixado, uma bandeira de…Lula Livre, segurada por várias mãos, recepciona o expectador. Vários jovens, parecendo serem de periferia, em atividades culturais e de militância, desfilam nas imagens. A UNE aparece em algumas delas. 

Jovens. De periferia. 

Militantes de esquerda. Apoiadores de Lula. 

Um tweet de Beth Sahão, Deputada Estadual pelo PT em São Paulo, em 2019, trouxe-nos curiosidade:

Próxima reunião da Frente Parlamentar em Defesa das Universidades e Institutos de pesquisa contará com Reitora da Unifesp, Soraya Smaili, a Presidenta(sic) da  @anpg (Associação Nacional dos Pós Graduandos) @FlaviaCale (Flavia Calé) e a membra(sic) do @mpjnacional (Movimento Popular da Juventude), @LunaZarattini (Luna Zaratini). 

Retiramos informações complementares do evento publicado também no Facebook. 

E quem é Luna Zarattini Brandão?

Candidata a vereadora pelo Partido dos Trabalhadores por São Paulo para as eleições deste ano

Vejamos, então: partido de esquerda, através de representantes, mobilizando grupos de juventude em passeatas no Movimento Passe Livre? 

Ainda acredita em coincidências?

SEGUNDO DIA DE MANIFESTAÇÕES DO PASSE LIVRE

As manifestações continuaram, se estendendo pelo mês de janeiro. No dia 09, pelo MPL, houve o segundo protesto. Os manifestantes se concentraram na Praça da Sé, no Centro da capital, de onde partiram em passeata por ruas da região em direção à estação República do Metrô. Dezenas de policiais militares acompanharam o ato. Desde primeiro de janeiro a tarifa de ônibus e do Metrô em São subiu de R$4,30 para R$4,40, alta que era alvo de críticas por parte do movimento. Além do valor, eles protestavam por uma melhoria na qualidade do serviço e contra uma suposta diminuição na rede de ônibus em circulação na capital. 

O Estado de Minas nos traz mais informações sobre o dia 07 de janeiro, dia do primeiro ato:

Na terça, a manifestação partiu da Prefeitura até a Avenida Paulista e foi cercada por policiais militares. No fim do ato, integrantes do protesto e black blocs tentaram invadir a estação Trianon-Masp, mas agentes bloquearam as catracas. Após serem alvos de pedaços de pau e tinta, os policiais usaram escudos e spray de pimenta para dispersar a multidão. Vinte e nove pessoas foram detidas e encaminhadas à delegacia, onde assinaram um termo circunstanciado por dano, desacato e lesão corporal. Com eles, a polícia encontrou dez coquetéis molotov.

Como procuramos ser os mais fiéis possíveis às fontes primárias, companheiro de páginas, às vezes escrevemos “os black blocs”, “movimento black bloc”. Mas se lembre, principalmente pelo que nós vimos até então: black bloc (bloco negro) é uma tática. Feita por movimentos de esquerda, aqui no Brasil. E, como você viu também, isso é uma confissão orgulhosa desses movimentos. Tenha isso em mente ao ver essas reportagens conosco. 

Sigamos. 

A integrante do MPL Gabriela Dantas disse, neste segundo dia de ato, que as prisões pela PM foram ilegais e demonstraram o caráter truculento de atuação da corporação. “Hoje eles atuam com o mesmo aparato para criar um clima de terror e afastar pessoas da participação do protesto”, reclamou. A PM não informou o efetivo presente na quinta-feira, dia 09 de janeiro; mas os agentes formam colunas que enveloparam o movimento. 

Ou seja, caro leitor: se os revolucionários aprenderam com as jornadas melhorias de tática, a polícia também aprendeu a aperfeiçoar as medidas de contenção. 

COMO PENSA A INTEGRANTE DO MOVIMENTO PASSE LIVRE EM 2020

Uma reportagem do periódico Ponte Jornalismo, em 15 de janeiro, fez uma entrevista com a Professora Gabriela Dantas, de 25 anos. 

Sobre 2013, diferente do que aconteceriam nos anos seguintes, ao menos em São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), os quais eram prefeito e governador, decidiram ajustar em R$ 0,20 a tarifa de ônibus, trens e metrô. “Foi um erro [para o governo]. Não à toa, isso nunca mais foi feito”, argumenta. 

Gabriela disse na entrevista que era do MPL desde 2016, mas participava das manifestações desde 2011. 

O periódico indaga qual a inspiração do MPL, apesar de surgir no Fórum Social Mundial de 2005. Para Gabriela:

O movimento se estabelece naquele contexto muito inspirado em lutas que tinham acontecido entre os anos de 2003 e 2004, em Salvador e em Florianópolis. Em Salvador, teve uma luta muito grande em 2003 que ficou conhecida como Revolta do Buzu. A mobilização foi muito forte, mas não conseguiram revogar o aumento da tarifa. No entanto, houve um certo caos que deixou uma sensação de que era preciso um movimento próprio para lutar pelo transporte. Em Florianópolis, em 2004 e 2005, foram dois anos seguidos que tiveram a chamada “Revolta da Catraca”. E nesse contexto começaram a ser organizadas as campanhas pelo passe livre. Um dado importante é que ele surge como um movimento nacional, já que foi organizado a partir de uma plenária com pessoas de várias cidades, ou seja, ele surge com esse funcionamento de federação. A gente tem o movimento aqui em São Paulo, mas também em Salvador, surgiu em Recife, no Distrito Federal, entre outros. Temos contato uns com os outros, seguimos princípios comuns, mas com autonomia para tocar as nossas pautas. 

Horizontalidade… Federativa. 

Ponte Jornalismo pergunta qual foi o ponto de virada de 2013. Gabriela responde:

Nas discussões do movimento em relação a 2013, a gente tem dito que se busca esse tal turning point, esse ponto do (sic) inflexão que seria a partir daí que viraram as grandes jornadas, as grandes manifestações, mas para a gente é sempre importante frisar que uma revolta popular como a que aconteceu não se faz de um dia para o outro.(…) 

Agora, por que 2013 se tornou 2013? Não foi por causa da repressão. Isso a gente já tinha vivido antes, em diversas manifestações de diversas organizações e com pautas diferentes. É importante relembrar que em 2013 foi a primeira vez que o aumento de tarifa aconteceu no meio do ano, de maio para junho. E não à toa, isso nunca mais foi feito. Foi um erro para eles. Isso deu tempo hábil para a gente construir uma luta ao longo de todo esse semestre com uma série de formações em escolas, em associações de moradores de bairros, cursinhos populares, que a gente vinha tendo contato. A partir da construção nos territórios que a gente conseguiu construir grandes manifestações centrais. Pouco se fala que as primeiras manifestações em 2013 não foram as centrais, e sim as manifestações em Pirituba, em outros bairros onde estudantes e moradores estavam organizados em torno disso. A gente também acredita que vinha acontecendo um acúmulo do debate desde 2011 que culminou em 2013. Quanto a questão de muita gente ter aderido depois que as mobilizações tinham espaço na mídia, também é importante dizer que a pauta sempre continuou sendo o aumento de tarifa.

SOBRE AS TÁTICAS DA PM

Ponte indagou sobre as táticas de repressão da PM. Gabriela comentou:

(…)Desde um aumento das tropas para o enfrentamento, agora temos o Baep, que são treinados para um embate mais agressivo e violento, quanto do ponto de vista jurídico, legal. A gente teve a aprovação da lei antiterrorismo, teve o inquérito Black Bloc, em 2014. A gente teve uma série de ataques e é bom lembrar que partiu de governos de diversos partidos. A gente vê um acirramento da repressão que vem dificultando a vida de quem tenta organizar manifestações, lutar por direitos nas ruas. A gente pode dizer muita coisa contra a polícia, mas não pode dizer que são burros. Eles realmente vêm aprendendo com nossas mudanças de estratégia e tática. A questão dos mediadores, que passou a vigorar no ano passado, é algo que a gente fez questão de denunciar.

(…) Colocar policiais com o coletinho escrito “mediadores” como se eles estivessem tendo um papel de mediação é uma imagem que eles querem criar da polícia disposta ao diálogo. E isso é uma imagem falsa. Primeiro que não existe mediação porque o mediador está de um dos lados. Além disso, o que a gente percebeu, de fato, do papel objetivo desses mediadores, é que por eles não serem os tomadores de decisão, o que eles fazem é atrasar o nosso acesso aos responsáveis pela operação policial. No ano passado, a gente percebeu que serviu para atrasar a saída dos atos e dificultar a nossa organização, ao mesmo tempo em que tomam nota e estudam a nossa atuação, nosso posicionamento. Tinham mediadores que estavam com um caderninho e tudo que a gente falava, eles anotavam. A gente sabe que eles estão estudando a gente. Isso desde as câmeras com o Olho de Águia (…) até o mediador com o caderninho.

O periódico relata que em 2019 um decreto do governador Doria impôs uma série de restrições, e pede uma análise da militante. E ela aborda:

(…) Entre os pontos, prevê que qualquer manifestação pública com mais de 300 pessoas tem que passar anteriormente por uma reunião com a PM, na qual a corporação vai aprovar ou não o acontecimento da manifestação. A gente não aceita esse decreto, não reconhecemos a legitimidade e não vamos nos pautar por ele. Tanto é que nunca aceitamos essa reunião prévia com a polícia. A gente não vai, a gente não responde e isso é uma posição política nossa. Não há sentido político em acordar trajetos com a polícia porque a gente entende que as ruas que a gente vai OCUPAR, E QUE VAI ATRAPALHAR SIM O TRÂNSITO, é o peso que a gente tem para fazer pressão e ser ouvido. Se não parar as ruas, não teremos como fazer os governantes nos ouvirem. Quanto à questão das máscaras, nossa defesa é que as pessoas possam se proteger das bombas de gás e de outras armas menos letais, e usar as máscaras pode ser para isso ou mesmo para se proteger da identificação, de proteger a identidade. Nada disso deve ser criminalizado. O absurdo é, sim, o Estado estar mapeando os manifestantes, intimidando e afastando as pessoas das ruas. 

(…)

O objetivo dessa perseguição é enfraquecer os movimentos, a luta. É um terrorismo psicológico o que eles fazem. Estão fazendo as pessoas assinarem termos circunstanciados de que elas não podem participar de manifestações nos próximos dois anos ou então aterrorizam e ameaçam pessoas em “enquadros”. São todas medidas de repressão para afastar as pessoas das ruas. A gente não pode de forma alguma baixar a cabeça e se render a esses ataques. Se sairmos das ruas é que a coisa vai piorar mesmo. Nosso entendimento é que nunca uma manifestação pode ser responsabilizada pela repressão. A responsabilidade pela repressão vem do Estado e é com a mobilização que a gente consegue garantir um mínimo de direitos. Sem mobilização, sem luta por direitos, não existe direito algum que esteja garantido. Inclusive o próprio direito de se manifestar. Para a gente difundir práticas de auto defesa, de segurança, fazer com que cada vez mais gente que está nas manifestações se sinta seguro para andar em grupo, auxiliar com primeiros socorros, enfim, estar ali presente da forma mais consciente possível dessas medidas de segurança, isso para a gente é a nossa resposta, é o que podemos fazer para a gente não recuar.  

QUAL A RESPONSABILIDADE DO MOVIMENTO?

Retiramos um trecho da entrevista que Gabriela esclarece bem isso:

A gente de fato perdeu o controle das ruas em 2013 e é isso que a gente queria. A gente nunca quis, ou achou que seria possível, construir uma revolta popular de uma forma exatamente controlada ou da forma como a gente queria. Uma coisa que dizemos é que as ruas não são nossas. A gente chama o evento, se responsabiliza por isso, estamos lá com essa disposição, mas não estamos lá para controlar como cada pessoa vai se manifestar ou agir. Isso as pessoas têm liberdade para fazer, porque a rua é de todo mundo. 

O QUE SE PODIA ESPERAR DAS MOBILIZAÇÕES? 

Gabriela respondeu:

Essa semana teremos uma semana cheia, com ato no Grajaú, extremo sul da cidade, e na quinta-feira, às 17h, vai ter a Terceira Manifestação central do MPL na frente do Theatro Municipal. Há outras ações que não posso dizer, mas o que afirmo é que não vamos recuar. Vamos continuar nas ruas até que seja revogado o aumento de tarifa.

O jornal virtual Ponte, na entrevista com Gabriela, destacou um furo de reportagem que alega o Olho de Águia ser um banco de dados secretos mantido pela PM, o qual foi descoberto pelo periódico em 2017. 

Na reportagem daquele ano, há uma norma sigilosa, segundo Ponte, que autoriza a PM a filmar protestos e armazenar informações sobre manifestações. A Diretriz Olho de Águia teve a manutenção de seu sigilo apoiado pela Ouvidoria do Estado, pela Comissão Estadual de Acesso à Informação e por até o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Segundo o periódico:

Driblando as proibições oficiais, a Ponte Jornalismo teve acesso à diretriz Olho de Águia e revela seu conteúdo na íntegra. 

A diretriz resume-se a um monitoramento das manifestações e filmagem. Um banco de dados das mobilizações das manifestações. 

O que a Ponte Jornalismo não disse na reportagem é quem são seus apoiadores.

Segundo a própria página, nenhum financiador tem qualquer ingerência sobre o conteúdo que produzem. 

A receita em 2019 foi de um pouco mais de R$ 400 mil. 

Oitenta e cinco por cento das fontes de financiamento são o somatório de:

– Fundações/ Projetos: 51%

– Fundações/Instituicional: 34%

Entre seus financiadores: Open Society Foundations. 

Sobre essa velha conhecida, e sua sanha em dados governamentais, ler Máfias Geopolíticas II

Olhemos para outro financiador do periódico: Justiça Global.

Dois apoiadores institucionais da Justiça Global são: Fundação Ford e Open Society. 

TERCEIRO DIA DE MANIFESTAÇÕES DO PASSE LIVRE

Em 16 de janeiro, segundo o Brasil de Fato, a Polícia Militar impediu parte do trajeto do Terceiro Ato do Movimento Passe Livre contra o aumento das passagens em São Paulo e houve confusão no protesto. Os agentes tentavam evitar que o grupo que se manifestasse chegasse até a rua da Consolação. A justificativa foram os alagamentos na região, em decorrência da forte chuva que caiu em São Paulo durante a tarde. Na praça da República, alguns manifestantes conseguiram passar pelo cordão de isolamento e os policiais jogaram bombas de efeito moral e usaram balas de borracha para conter o grupo. Cinco pessoas foram presas. Gabriela Dantas, por óbvio, esteve no evento, como prometera. 

QUARTO DIA DE MANIFESTAÇÕES

Em 23 de janeiro, MPL novamente nas ruas. Conforme o G1 noticiou, houve, novamente, confusão com a Polícia Militar, a qual usou bombas de efeito moral. Segundo a PM, três manifestantes foram detidos. Agências bancárias foram depredadas e pichadas com tinta. 

Os manifestantes se reuniram no Terminal Parque Dom Pedro 2º, no Centro de São Paulo, às 17h. O protesto começou por volta das 18:20h em frente ao terminal de ônibus. Os manifestantes caminharam pela Avenida Rangel Pestana, Rua Venceslau Brás, Praça da Sé, Pateo do Collegio, Rua Boa Vista, Rua Líbero Badaró, Rua Benjamin Constant e Praça João Mendes. Eles seguiram até o bairro da Liberdade, também no Centro, onde ocorreu o confronto. 

E um detalhe para você guardar, leitor: representantes da Defensoria Pública e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanharam a manifestação. 

A MESMA TÁTICA, O MESMO LIXO…

Por volta das 19:30h, os policiais militares fizeram um cordão de isolamento para impedir a passagem dos manifestantes para a Praça da Liberdade. Após alguns minutos, os PMs liberaram o acesso e os manifestantes atearam fogo em uma catraca.  Pouco depois, alguns manifestantes jogaram pedras e tinta contra os policiais, que revidaram com bombas de gás. Muitos sacos de lixo ficaram espalhados pela rua. Um homem foi detido e levado para o 2º BP, no Bom Retiro. 

E, ONDE HÁ DIREITOS HUMANOS…

Uma denúncia internacional foi protocolada no dia 22 de janeiro na Organização dos Estados Americanos (OEA) pela Bancada Ativista contra os protocolos de ação da Polícia Militar (PM) e contra o decreto do governador de São Paulo, João Dória (PSDB), que regulamenta a conduta da polícia e de manifestantes durante protestos. A justificativa da denúncia é a de que o decreto respalda confrontos entre policiais e manifestantes.

Quem fez a denúncia? A “co-deputada” (termo criado pela esquerda para redefinir o sentido de Assessor Parlamentar e tentar aumentar seu poder) Raquel Marques, do PSOL, integrante da Bancada Ativista da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, no primeiro “mandato coletivo (?!)” da história do legislativo paulista. O objetivo é de que a atuação da PM se adeque aos padrões internacionais e de que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos cobre explicações do Governo do Estado. 

ABRINDO UM PARÊNTESE: CONHECENDO MAIS DOIS PERSONAGENS NAS PASSEATAS DO MPL

Em outra matéria do G1, no qual relata que a Ouvidoria da Polícia pediu que a Corregedoria da PM investigasse denúncias de atos abusivos envolvendo policias nos protestos do MPL, deparamo-nos com um vídeo. 

Nele, vemos duas bandeiras sendo levadas em mais um protesto do Movimento Passe Livre. Uma da “UJR” e outra da “UP”.

Fomos verificar a respeito. 

UJR é União da JUVENTUDE REBELIÃO. Segundo seu manifesto, disposto na página. Para eles:

O nosso país está dividido em classes antagônicas, entre capitalistas e trabalhadores, tanto na cidade como no campo, entre exploradores e explorados, e é governado pelo poder ditatorial da burguesia, dos grandes banqueiros nacionais e estrangeiros. Os ricos, graças à super-exploração dos trabalhadores, ficam cada vez mais ricos, e os pobres, cada dia mais pobres. Para a burguesia prevalece o lucro fácil, a apropriação das verbas públicas, a corrupção e a certeza da impunidade. Para o povo, a miséria e a violência policial sobre os trabalhadores e seus filhos.

E…

Para lutar e transformar essa realidade, decidimos organizar a União da Juventude Rebelião, a UJR. Esta organização nasceu da vontade consciente de centenas de jovens secundaristas e universitários de lutar contra o capitalismo e suas injustiças. Em 1995, lançamos uma plataforma: Juventude Rebelião no 31º Congresso da UBES e no 44º Congresso da UNE. Nosso objetivo: dar um novo rumo às históricas entidades de luta dos estudantes que se encontram paralisadas pelo predomínio da política reformista nas suas diretorias, transformando-as em instrumentos na batalha pela libertação da classe operária, dos camponeses e da juventude do jugo capitalista. Nosso grito de guerra já está presente em vários estados, e logo estará em todo o Brasil.

(…)

A União da Juventude Rebelião é uma organização de vanguarda, que tem como guia para a ação as idéias revolucionárias de Marx, Engels, Lênin, Stálin e Che. Isto é, a ciência da Revolução Socialista, o marxismo-leninismo.

 Como uma organização de caráter político, a UJR reúne voluntariamente os jovens revolucionários que lutam e abraçam como sua a causa da Revolução Socialista, da liberdade e da verdadeira independência do Brasil e da construção de uma sociedade nova, a sociedade comunista.

Entre seus heróis, estão o Capitão Carlos Lamarca e Carlos Marighella.

Para a UJR:

Somente com um Governo Revolucionário dos Trabalhadores, construído com a nossa participação e ardor revolucionário, alcançaremos a verdadeira democracia, a democracia socialista, e garantiremos nossas aspirações à educação pública de boa qualidade em todos os níveis e para todos, o livre acesso à universidade, à cultura, às artes, à ciência, à tecnologia, à saúde, à liberdade, à independência e à soberania do nosso país, e o nosso pleno direito à felicidade. 

Sobre suas convicções, são anti-imperialistas e internacionalistas. E seu grito de guerra: Ousar lutar, ousar vencer!

A UJR faz parte da Frente Povo Sem Medo. Segundo Wikipedia, ela é ligada ao Partido Comunista Revolucionário – PCR. 

O PCR é um partido político de esquerda, mas não é registrado no Tribunal Superior Eleitoral. O partido, claro, segue os princípios do marxismo-leninismo e é forte admirador de Stalin. 

Durante os governos de Lula e Dilma o PCR construiu, junto com o PSOL, PSTU, PCLCP e PCB, uma oposição de esquerda e posicionou-se contra o governo Temer, que avaliou como ilegítimo. No movimento estudantil, organiza-se através da colateral UJR. Este coletivo impulsiona o Movimento Correnteza (fundado em 2016 com a unificação nacional do antigo Rebele-se na UNE), e o Rebele-se na UBES, que compõem a Oposição de Esquerda da União Nacional dos Estudantes e da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, junto com coletivos referenciados no PSOL. 

No movimento sindical, o PCR atua na corrente Movimento Luta de Classes (MLC) que, contrariamente aos movimentos da oposição de esquerda, deliberou por retornar à Central Única dos Trabalhadores, hegemonizada pelo PT. 

Nas eleições de 2014 o PCR apoiou Luciana Genro, do PSOL. 

Com o objetivo de conseguir registro eleitoral como partido junto ao TSE, os militantes do PCR recolheram assinaturas para legalizar a chamada UNIDADE POPULAR PELO SOCIALISMO (UP). O partido, de legenda 80, está habilitado a participar das eleições de 2020. 

No movimento estudantil o PCR atua por intermédio da União da Juventude Rebelião, construindo a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes secundaristas (UBES) e a Federação Nacional dos Estudantes de Ensino Técnico (FENET), assim como diversas entidades de base. Constrói também o MLC, o Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas(MLB), atuante no movimento de moradia, e o Movimento de Mulheres Olga Benário (MMOB). Tem como órgão central do partido o Jornal A Verdade e, a partir de 2004, passou a representar o Brasil na CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE PARTIDOS E ORGANIZAÇÕES MARXISTAS-LENINISTAS (Unidade e Luta), cuja sigla é CIPOML.

No processo de registro UP, integraram esforços pelo registro a UJC, o MLB, MLC e MMOB. Ou seja, Unidade Popular pelo Socialismo nada mais é do que a face legal do Partido Comunista Revolucionário. 

Só para nos situarmos novamente, leitor: um movimento marxista-leninista estava participando ativamente das mobilizações do Movimento Passe Livre. Vimos em outro dia um movimento ligado ao PT. 

Isso não nos causa nenhuma estranheza, pelo histórico. Só reforça que o MPL tem lado político, e luta política. Não importa a capa de motivação que apresente. 

FECHANDO O PARÊNTESE E INDO PARA O QUINTO DIA DE MANIFESTAÇÕES

No dia 30 de janeiro, o quinto ato de protesto é realizado. A concentração desta vez foi em frente a Secretaria de Segurança Pública (SSP). Por volta das 17:30h, eles ocuparam parcialmente o Viaduto do Chá, no sentido da Praça do Patriarca, no Centro de São Paulo. Às 18:50h os manifestantes se concentraram no Largo de São Francisco. Por volta das 19h o protesto foi encerrado. 

O que se pode depreender desse mês de janeiro, em São Paulo, leitor, é que os policiais aprenderam como lidar com as mobilizações. Estudaram seus posicionamentos, métodos e táticas. E aprenderam a “envelopar” os movimentos para que seus agentes não “pipocassem” diversos eventos em cadeia. Isso foi percebido pelos seus adversários. E, por isso mesmo, parças de militância já mobilizaram articulações nacionais, como bancadas políticas, e até internacionais, como denúncias na OEA, para tentar deslegitimar as ações dos policiais, através do tal “diálogo internacional”. A corporação entendeu que o que se demanda é um cenário similar a guerrilha urbana.  Foram necessárias ações de inteligência para se conter, pelo menos na rua, o oponente revolucionário, travestido de manifestante. 

Tenta-se enxugar o gelo, enquanto agentes políticos e jurídicos tratam de contornar a pequena vitória conquistada por esses heróis. 

Mas quem tem maior RESISTÊNCIA nesta guerra não são os policiais, infelizmente…

ANO NOVO, RESISTÊNCIA NOVA: AGORA É INTERNACIONAL

O Fórum Social das Resistências estreou, no dia 21 de janeiro, sua nova edição, em Porto Alegre e na região metropolitana da capital gaúcha. Na preparação para o Fórum Social Mundial (FSM), que ocorre no México no próximo ano, os principais desafios para os movimentos sociais eram claros, segundo eles: a agenda fascista, de exclusão de minorias e de retirada de direitos, segundo notícia do Rede Brasil Atual

Lembrou algum…Consulado do México na agenda de alguma Frente, leitor?

“Os desafios para nós que estamos na resistência, para todos os movimentos, são muito grande (sic). Por isso a possibilidade de estarmos aqui em Porto Alegre, reunindo as lideranças desses movimentos, para fazer um debate, este balanço e, principalmente, tentar construir alternativas e janelas para que JÁ EM 2020, possamos mudar um pouco a inflexão dessa correlação de forças, que está desfavorável para nós, não só no Brasil ou na América Latina, mas em todo o mundo”, destacou o CONSELHEIRO INTERNACIONAL DO FSM E INTEGRANTE DA DIRETORIA EXECUTIVA DA ABONG (Associação Brasileira de ONGs), Mauri Cruz em entrevista ao jornalista Glauco Faria, da Rádio Brasil Atual.

A ABONG, também integrante de uma ampla frente de esquerda. Lembrando que, no Brasil, temos por volta de 800 MIL ONGS, conforme visto em Máfias Geopolíticas e o Brasil – Parte II.

A imagem está ficando mais clara para você, leitor?

A programação seguiu ainda durante toda a semana com mesas de debates, com convidados nacionais e internacionais, assembleia de convergências, assembleia dos povos, para a tradicional reunião do conselho internacional do FSM. Além de apresentar diversas atividades em parques e praças para a troca de experiências e acúmulo de forças dos movimentos de todo o mundo, articuladas ainda com outras iniciativas internacionais.

Na busca de emplacar uma pauta que resgate a resistência que marcou as primeiras edições do Fórum Social, Cruz aposta na construção de uma nova utopia, o que talvez seja de fato o principal desafio. “Acho que a questão é reconstruir um novo mundo possível. Parece um grande desafio para a agenda dos fóruns sociais mundiais, porque sem utopia não há possibilidade de qualquer transformação social, a humanidade se move a partir de grandes ideais e eu acho que a necessidade de nós recriarmos a utopia é fundamental”, ressalta.

Em 24 de janeiro foi divulgada a Carta de Porto Alegre, documento que reúne as principais propostas e alternativas de enfrentamento à, segundo eles, agenda neoliberal fascista que avança sobre o Brasil e pelos demais países da América Latina.

Segundo vídeo na reportagem da Rede Brasil Atual, os debates do Fórum Social das Resistências ocorreram em universidades, sindicatos e ocupações da capital gaúcha. Olívio Dutra, ex-ministro das Cidades, sindicalista e político brasileiro, filiado ao partido dos Trabalhadores, foi entrevistado, e comentou a respeito dos direitos dos povos e seus territórios: 

Direito dos povos em todos os sentidos. O seu território, a sua identidade, a sua participação nos movimentos sociais, organizacionais, e a luta pela afirmação da democracia, que é fundamental pra gente fazer com que cada ser humano, cada pessoa na sua etnia, no seu movimento, na sua organização, na sua conduta, seja sujeito e não objeto da política. E que não haja nenhum governante que se assuma dono da cabeça das pessoas. Ou um estado impondo de cima pra baixo o que que os movimentos têm que fazer, ou se não fizer, criminalizá-los. Então nós temos um bom momento no Fórum das Resistências. Esta mesa e tantas outras que ‘tão’ acontecendo no período da realização dessa edição do Fórum da Resistência aqui de Porto Alegre, a cidade do Fórum Social Mundial. 

Para membros do Fórum, a apresentação do Brasil como um país à venda no Fórum Econômico de Davos gerou muitas críticas. Uma delas foi de Fernanda Melchiona, deputada federal do PSOL pelo Rio Grande do Sul. Aquela que teve o apoio do Coletivo Juntos!, lembra, leitor?

Olha, é fundamental, né? ORGANIZAR RESISTÊNCIA. O ano de 2019 nós tivemos já a demonstração de que o governo Bolsonaro é uma combinação de uma agenda ultra-liberal na economia, com uma agenda de mudança do regime político para um regime mais repressivo, mais violento, né, uh, enfim, coerente com as forças proto-fascistas que compõem esse governo Bolsonaro. Então a situação política é extremamente grave no nosso país. E felizmente no ano de 2019 a oposição social, das mulheres, o TSUNAMI DA EDUCAÇÃO, CONSEGUIU REVERTER, né, e fazer com que o governo não avançasse tão rapidamente sobre os nossos direitos. Mas 2020 a agenda vai ser muito pesada, como tu bem falaste. O tema da privatização dos Correios, o ataque ao Serpro, a Dataprev, as nossas estatais, que eles querem entregar, né, pros grandes capitalistas internacionais, não só entregando as riquezas, mas também entregando a soberania do Brasil, é extremamente grave. Esse Fórum é fundamental nessa…Confluência das resistências e é preciso ganhar o povo pra nossa luta. 

Salete Camba fala um pouco sobre a Carta que foi gerada no Fórum. Destacamos um trecho:

(…)Será uma Carta de Porto Alegre que vai trazer o tom do que é nossa política humana, social, econômica, e existencial desses tempos que o mundo está vivendo, e também com um foco muito claro para a América Latina e pro Brasil. 

UMA PEQUENA PARADA PARA OLHAR O MAPA DE CAMPO.

Perceba na fala da deputada, leitor, que a acusação feita ao atual governo (vender tudo, inclusive soberania) é exatamente o que toda a frente de oposição, enraizada na maioria das instâncias dos Poderes da República e nos movimentos sociais, por décadas, fez e ainda faz. Como por exemplo, citemos as alianças com a China e as relações nada republicanas com a Open Society e sua rede de bilionários. Se você leu os artigos anteriores, você tem, por baixo, mais de cem páginas de provas concretas, com fontes primárias, mostrando todo o processo. O que Olívio Dutra e Fernanda demonstram defender é toda a cadeia de ONGs que cercam os Poderes da República, base importante de mobilização tática. Por isso a mobilização contará principalmente com as articulações desses movimentos sociais. E é uma estrutura gigantesca, como vimos em Máfias Geopolíticas e o Brasil – Parte II

Também sabemos que o discurso antifascista é apenas um nome fantasia para a própria esquerda e seus diálogos internacionais. Como é o Movimento Passe Livre e táticas black blocs, ocorridas no Movimento. O que é mais importante não é a alcunha que você carrega, leitor. É a alcunha que o seu inimigo carrega, diante de todos. Ao dar uma pecha hedionda ao seu adversário, todos que olharem ao redor vão se direcionar, logo de cara, para o que tem a pecha, não para quem acusou. Quando algum desconhecido na rua, ao seu lado, aponta pra alguém e grita “olha ali, um ladrão!”, você por acaso procura pegar mais elementos antes de seguir a direção apontada pela pessoa? E se foi o ladrão a fazer esse grito, para criar a desordem e fugir numa bomba de fumaça? Você não vai raciocinar nessa velocidade. 

“O espantalho fascista e herói antifa” não foi algo surgido do nada. Foi construído por anos. Vimos isso, não pelos agentes de desestabilização se intitularem antifas. Se algo é acusado de hediondo, o alvo ficará na ribalta. Primeiro a pecha fascista tinha de ser solidificada no ambiente, nos vários meios de interação na sociedade e, principalmente, doutrinada nos agentes de combate. E sabemos qual é o tipo de tropa mais adequada para combater as forças de segurança no momento: estudantes. E, como no caso da Polícia de São Paulo, se houver qualquer alternativa viável de se defender do adversário, ela será contornada com algum auxílio, seja nacional, ou internacional. 

Com toda a construção cultural do espantalho fascista/herói antifa “democrático”, os “heróis da resistência” poderiam aparecer no cenário. A primavera estudantil estava vindo em 2020. Mas um fator atrapalhou: uma ducha de corona. Por vários meses. A principal tropa da primavera estava paralisada. Era através dos estudantes, dos seus movimentos de ruas e ocupações, ensaiadas, e aperfeiçoadas, que dariam o tom da primavera, e que abririam a porteira para os milhares de movimentos sociais a reboque

Mas tudo parou. Todos ficaram com medo. 

Os revolucionários que espumavam no meio da alcateia estavam acuados em suas casas, com mordaças de pano, fazendo lives motivacionais, no meio de seus bichanos e suas instabilidades, conclamando para ficar em casa. Hienas sem seus parceiros fogem pela savana. 

Os pais não deixariam seus filhos na escola. Muito menos professores progressistas se arriscariam, pela Revolução, a tomar uma ducha de corona. O que fazer?

O jeito seria improvisar. Se não havia ninguém na rua, o negócio era utilizar rotas alternativas. 

Ou melhor…

…Aliados alternativos

Capítulo VIII- Os Componentes da Estratégia Antifa

Em 31 de maio, uma faixa negra, com os dizeres “Somos democracia” (a palavra mágica), em branco e vermelho, e a imagem de um punho fechado em branco, foi estendida sob o vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, em São Paulo. Lideraram o protesto integrantes de torcidas organizadas do Corinthians, ainda que membros de outros grupos, ligados a Palmeiras, Santos e São Paulo, tenham aderido. Os hinos das torcidas foram adaptados para se tornar cânticos em protesto contra o presidente Jair Bolsonaro, segundo matéria do Gazeta do Povo.  

Esse tipo de tática já vimos antes, nos gritos de guerra dos estudantes, leitor. Lembra do “Vem pra luta, vem, contra o aumento” e “vem pra luta, vem, pela uerj”?

Por volta das 14h, quando começava a se dispersar, o grupo encontrou manifestantes a favor de Bolsonaro. A tensão levou a um confronto com a Polícia Militar. O governador João Doria defendeu no Twitter a ação: “A Polícia Militar de São Paulo agiu hoje para manter a integridade física dos manifestantes, na Avenida Paulista. Dos dois lados. A presença da PM evitou o confronto e as prováveis vítimas deste embate. Todos têm direito de se manifestar, mas ninguém tem direito de agredir”. Os manifestantes lançavam paus e pedras contra os policiais, que reagiram com bombas de efeito moral. Algumas das pessoas detidas portavam canivetes. 

Ou seja, quando as táticas da PM haviam tido novo êxito, e os movimentos estavam se dispersando, acharam um alvo para cumprir a missão. Manifestantes a favor do Presidente eleito. 

E, POR ÓBVIA COINCIDÊNCIA, A AÇÃO É COORDENADA, COM OBJETIVO CLARO

Atos semelhantes aconteceram no Rio de Janeiro, onde torcedores da Democracia Rubro-Negra também contra Bolsonaro, e em Belo Horizonte, onde os torcedores se identificavam como membros da Resistência Alvinegra e Galo Antifa. Em São Paulo, a torcida Gaviões da Fiel afirmou que não organizou o ato, mas o considera uma legítima expressão democrática. Traduzindo, apoiaram. 

Em entrevista concedida ao portal UOL Esporte durante a manifestação, Chico Malfitani, um dos fundadores da Gaviões da Fiel, declarou: “Nossa ideia agora é ser um ‘gatilho de pólvora’. É riscar o primeiro fósforo, já que os PARTIDOS DE OPOSIÇÃO E MOVIMENTOS POPULARES NÃO SE MANIFESTAM”.

Entendeu, leitor? Há necessidade de maior clareza?

Alex Sandro Gomes, presidente da Associação Nacional da Torcidas Organizadas do Brasil (Anatorg), afirmou: “Querem impor à força uma agenda sem nenhum debate. Hoje foi uma resposta a este tipo de movimento, uma maneira de dizer para eles que no país o que tem de valer é a democracia”.

Segundo a Gazeta, de 2010 até 2016 foram 117 homicídios comprovados, média de quase 17 a cada ano”, escreve o sociólogo Maurício Murad no livro “Violência no Futebol”. “Os vínculos desse grupos de vândalos infiltrados nas torcidas uniformizadas de futebol com outras ‘gangues urbanas’, como os skinheads, com o chamado crime organizado, o tráfico de drogas e o mercado negro de armas é conhecido, comprovado empiricamente”.

Muitas vezes, analisa o especialista, as torcidas são apropriadas por grupos que têm outros interesses. “As facções transgressoras que se infiltram nas torcidas e barbarizam a sua convivência têm práticas MILITARIZADAS DE PODER, HIERARQUIA, ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO, muitas vezes são treinadas em academias clandestinas de lutas marciais, localizadas e fechadas pelas polícias, em VÁRIAS CIDADES BRASILEIRAS, ONDE OS ‘GOLPES MORTAIS’ TÊM PRIORIDADE. Existem, diz o autor, “SEGMENTOS DAS TORCIDAS ORGANIZADAS LIGADOS A SEGMENTOS DO CRIME ORGANIZADO, O QUE SUBDIVIDE AS TORCIDAS EM FUNÇÃO DAS FACÇÕES DO CRIME E DO TRÁFICO”.

Episódios de violência envolvendo as organizadas são comuns. Em 2015, oito membros da Pavilhão 9, do Corinthians, foram assassinados a tiros de pistola 9 milímetros na quadra da torcida. Entre as vítimas estava o ex-presidente da entidade, Fábio Domingos, que participou de um incidente de 2013, quando um foguete disparado pela torcida paulista matou o garoto boliviano Kevin Spada, de 14 anos, durante uma partida em Oruro, válida pela Copa Libertadores da América. 

Domingos permaneceu detido na Bolívia. Apenas dois meses depois de retornar ao Brasil, também se envolveu na pancadaria envolvendo torcedores de Corinthians e Vasco em Brasília. Na época em que foi assassinado, apurou-se que ele estava envolvido em dívidas com o tráfico de drogas, desde que foi preso com uma carga de cocaína. 

As relações suspeitas entre torcidas organizadas e tráfico são recorrentes. Em dezembro de 2014, Audney Pereira Simeoni, presidente da Torcida Jovem da Ponte Preta, time de Campinas, foi preso por associação ao tráfico – mesmo motivo que levou seu sucessor, Romildo dos Santos, para a cadeia. Dois anos antes, Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, presidente da Gaviões, foi preso acusado dos crimes de homicídio e formação de quadrilha. 

Em 2020, 12 membros de duas torcidas organizadas ligadas ao Cruzeiro, a Pavilhão Independente e a Máfia Azul, de Belo Horizonte, foram detidos por associação criminosa. Também neste ano, torcidas organizadas do Internacional, em Porto Alegre, foram alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Promotoria de Justiça do Torcedor. 

Desde aquela época, indícios de que as organizadas têm relações com o Primeiro Comando da Capital (PCC) se acumulam. 

O mesmo PCC que “tratou com respeito” um ‘black bloc’ na cadeia. Lembra, leitor?

Em 2016, quatro mensagens de áudio fazendo referência a uma suposta ordem de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder da organização criminosa, teriam orientado as organizadas a evitar situações de confronto. “O cara que brigar, vai apanhar; e o cara que matar, vai morrer. É ordem do PCC, entendeu?” diz, uma das mensagens. 

As torcidas negam, como a Gaviões da Fiel. Mas, em fevereiro de 2014, a Polícia Federal encontrou 300 quilos de maconha na sede da Torcida Uniformizada do Palmeiras, em uma ação que levou três líderes a serem condenados por tráfico de drogas. 

SÃO SEMPRE OS MESMOS GOVERNANTES, OS MESMOS QUE LUCRARAM ANTES

Uma fala merece ser destacada, em um podcast disponibilizado no UOL. No podcast Posse de Bola#30, Juca Kfouri fala sobre a participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estádio do Corinthians e da ideia inicial que acabou virando dívida com a Operação Lava Jato.

“Eu costumo dizer e mantenho – e não é um elogio, para deixar bem claro, é uma crítica republicana – que o melhor presidente do Corinthians se chama Luiz Inácio Lula da Silva. É por causa da existência do Lula como presidente da República, que o Corinthians construiu o CT que construiu, o Corinthians construiu a Arena que construiu, que não era para ser paga”, afirmou Juca. 

E, voltando no tempo, as falas de Reinaldo Azevedo, em 16 de agosto de 2009,  ecoam:

Eu e outro corintiano, Juca Kfouri, certamente temos muitas divergências, mas acho que convergimos no repúdio à exploração político-eleitoral do Corinthians. Escreveu ele em seu blog:

No último dia 8, Sanchez refiliou-se ao PT e foi objeto do seguinte comentário no twitter do senador petista por São Paulo, Aloisio Mercadante:

“Neste sábado, o PT de SP fez um grande ato político, c/ + de 4 mil militantes, para receber, com entusiasmo e esperança, a companheira Dilma.

Neste ato foi feita a filiação do pres. do Corinthians, Andrés Sanchez, e eu o cumprimentei dizendo que era o cumprimento de um santista.

E ele falou: “eu sei que é o cumprimento de um santista, mas acima de tudo somos petistas”.

6:53 PM Aug 8th

Ou seja, Sanchez se diz mais petista que corintiano, coisa que nem o presidente Lula, provavelmente, teria coragem de dizer…

Política, torcidas organizadas e crime organizado se misturam?

Depende de quem, parça. 

NÃO É TENTAR O SUICÍDIO QUERER ANDAR NA CONTRAMÃO

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou no dia primeiro de junho um acordo com a prefeitura da capital para que não haja manifestações de lados opostos no mesmo dia, após um domingo de embates na Avenida Paulista e uso de bombas de efeito moral pela Polícia Militar. A decisão era “orientar os grupos pró-governo Bolsonaro e pró-democracia para que usem dias distintos”, disse em coletiva de imprensa. Posteriormente, ele se referiu aos grupos como pró e anti-governo. Doria negou que a polícia tenha agido de forma desigual com os dois grupos. 

Perguntas ficam ao ar, leitor: o governo de São Paulo sabe, pelo menos em boa parte, quais são os componentes desses grupos, dado a estrutura pujante de investigação que foi montada, com um acervo cuja manutenção de sigilo foi defendida até pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Como seriam atos pró-democracia? Nós dois, você e eu, pelo que conseguimos apurar, havia movimentos ligados a partidos de oposição. Ao se corrigir, não mencionou o movimento pelo nome: antifa. E em nenhum momento nomeia essa palavra. E muitos menos que são movimentos de esquerda.  Mas nomeia o grupo como anti-governo. O que cria uma “dialética”, uma “luta entre opostos”: exatamente a ideia mental defendida pelo espectro ideológico da esquerda, na qual há sempre dois lados opostos que embatem. Por que o governador não colocou que era uma manifestação da esquerda, nos mais variados movimentos correlatos? Não deveria, o governador do PSDB, esclarecer a população sobre a situação?

Talvez tenhamos um indício de isso não ter ocorrido. Olha essa pergunta, tendo em mente que há entidades jornalísticas numa frente ampla progressista:

O governador também foi questionado sobre a presença de bandeiras e símbolos ligados aos movimentos neonazistas e fascistas no grupo pró-governo. 

O termo fascista, saído de uma pergunta jornalística. Sacou?

Doria lembrou que manifestações que estabeleçam discriminação racial são proibidas pela Constituição, e que se houver algum tipo de sugestão de ataques à comunidade judaica, por exemplo, serão coibidas pela polícia. 

E…

Dória também disse que os embates na rua neste momento podem fortalecer o discurso autoritário(?!) e pediu união(?!)

“Tudo que não precisamos nesse momento é de confronto. O confronto não fortalece a democracia, ao contrário: a enfraquece, e justifica o discurso autoritário daqueles que pretendem retornar a ditadura”.

O discurso antifa brazuca na boca de Dória toma uma forma de pretensa respeitabilidade. Ele afirmou que o país vive a “maior agressão à democracia desde a ditadura em 1964”, e criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro de insuflar atos com mensagens antidemocráticas, dividir o país e agravar as crises de saúde e econômica. 

Veio o pacote completo nessa fala. Como um presidente eleito pode fazer agressões à democracia quando sua oposição tem tantas posições estratégicas como as apresentadas nessa série que você acompanha, leitor? Como o atual presidente poderia insuflar atos com mensagens antidemocráticas a uma mobilização progressista gigantesca formada desde, por baixo, 2012? 

Qualquer coisa que seu adversário falar será a justificativa perfeita para o atacar, certo?

Quanto ao presidente eleito agravar as crises de saúde e econômica, fica tranquilo, leitor. Se você não leu ainda, leia todos os dossiês voltados a Covid-19, disponibilizados pela Revista Esmeril. Você verá que Dória tem infinitamente mais culpa no cartório do que se imagina. 

E não nos esqueçamos das conexões criadas pelo campeão do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, sem as quais muito do que está no cenário não seria possível. 

E A JUSTIÇA ACOMPANHOU O RELATOR DORIA

Segundo notícia da Carta Capital, em 06 de junho, o juiz Rodrigo Galvão Medina, do Tribunal de Justiça de SP, decidiu, no dia anterior, que manifestações de grupos contra e pró Jair Bolsonaro não poderiam se manifestar no mesmo horário e local. Os atos de ambos os grupos estavam marcados para o próximo domingo 7, na avenida Paulista.

O magistrado atendeu a um requerimento da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo. Na decisão, Medina destacou que a medida visa a evitar confrontos e danos ao patrimônio. “Impeço que os grupos manifestantes manifestamente antagônicos entre si se reúnam no mesmo local e data Avenida Paulista, capital, no próximo dia 07 de junho -, evitando-se assim confrontos e prejuízos decorrentes desta realidade, zelando as autoridades administrativas competentes para que tal empreitada possa ter seu efetivo sucesso”. 

Policiais de todo o Brasil se reuniram para manifestarem apoio aos movimentos antifascistas contra o presidente Jair Bolsonaro. O documento, apresentado no dia 06 de junho, segundo a Carta Capital, reuniu mais de 500 assinaturas de delegados, agentes de polícia, policiais e bombeiros militares, guardas municipais, policiais penais agentes de trânsito, policiais rodoviários federais e policiais federais. 

Vamos colocar um sinônimo mais adequado, leitor? Na sua maioria, são… Servidores Públicos. Com estabilidade. Os quais deveriam apenas cumprir o rigor da lei, pois servidor público é escravo, é servidor da lei e da Constituição. Militância política e cargo público não são correlatos. Pois eles são sustentados com dinheiro público. Seja contribuinte simpático a Bolsonaro, a Haddad, a Ciro, a Marina Silva, a Temer, não importa. Todos os contribuintes pagam a remuneração e a estabilidade, com todos os direitos a reboque. 

Não está, na função de nenhum servidor público, nomeado por concurso, fazer militância política, de interesse privado dos partidos políticos, os quais são instituições de direito privado. 

E eles não precisam de filiação a partidos políticos para fazer sua militância. Seguir suas pautas já seria uma situação nada digna de aprovação. 

Mas, com um mar tão grande de movimentação de interpretações jurídicas, tudo é possível nessa bagunça, não é? 

Mas sigamos com a matéria. 

O texto denuncia perseguições a policiais que integram grupos antifascistas e urge pela criação de uma Frente Única Antifascismo com PARTIDOS, artistas e MOVIMENTOS DE CLASSE E DA SOCIEDADE CIVIL. 

“Nós, policiais antifascismo, acreditamos que o trabalhador policial deve se colocar ao lado dos demais trabalhadores no enfrentamento do fascismo. Afinal, o projeto fascista em nosso país é um projeto de avanço no ataque aos direitos conquistados pelos trabalhadores”, diz o documento. 

Na continuação do alerta dos policiais, o temor da imensa matilha:

“A estratégia de avanço do projeto fascista no país é ampla. Mobilizam a intolerância e o ódio aos movimentos de esquerda nas ruas e nas instituições da República. Os esforços visando o aparelhamento e o comando da polícia federal e da Procuradoria Geral da República confirmam isso”, alertam os policiais. 

Realmente soa risível quando servidores concursados, boa parte sendo estáveis, reclamam de aparelhamento vindo de um governo com dois anos de idade. 

E, sobre a Procuradoria-Geral da República, acho que ela sabe, com propriedade, que quem faz política usando o cargo, sendo carreirista de Estado, é quem faz o aparelhamento. 

E, sobre aparelhamento… Você já ouviu falar do Coletivo Transforma MP?

Vou ter o prazer de lhe apresentar um velho conhecido… Que sempre quis apresentar ao mundo. 

Segundo o estatuto do Coletivo Transforma MP:

Art. 4º – São integrantes do Coletivo por um Ministério Público Transformador os membros do Ministério Público dos Estados e da União que, por declaração escrita, comprometam-se a observar a Carta de Princípios mencionada no art. 1º.

Vamos traduzir para você, leitor:

Membros do Ministério Público dos Estados: PROMOTORES DE JUSTIÇA

– Membros do Ministério Público da União: PROCURADORES DA REPÚBLICA

Se os procuradores federais ou promotores de justiça se comprometerem, por declaração escrita, a observar a Carta de Princípios, já serão integrantes do Coletivo. 

A carta de princípios é uma coisa de louco, leitor. Segundo a Carta, o Coletivo por um Ministério Público Transformador expressa sua convicção de que o Ministério Público brasileiro – seja pelos Ministérios Públicos Estaduais, seja pelos ramos do Ministério Público da União – deve pautar o exercício de suas atribuições no sentido de contribuir para a transformação da realidade brasileira, a partir dos seguintes princípios (só destacamos alguns, dentre vários):

3) Espaço aberto a membros do Ministério Público comprometidos com o pensamento crítico e humanista e com a adoção de práticas transformadoras, vedada qualquer vinculação político-partidária e a defesa de interesses corporativistas;

Aí lhe apresento o quarto princípio, no qual ele diz:

4) O efetivo diálogo e interlocução do Ministério Público com os movimentos sociais, organizações de trabalhadores, a comunidade científica e os demais segmentos da sociedade;

5) A observância do princípio da transparência pelo Ministério Público, permitindo à população a participação e o controle democráticos de sua atuação, respeitando o direito de crítica e liberdade de expressão da sociedade;

7) Fortalecimento das instâncias de controle social e compromisso com os grupos/segmentos em situação de vulnerabilidade;

9) Defesa das reformas agrária e urbana;

10) Contenção e limitação do poder punitivo estatal, com a observância dos princípios de um processo penal acusatório, não seletivo e garantidor de direitos fundamentais;

13) Enfrentamento do trabalho escravo, da terceirização irrestrita, da exploração do trabalhador, do desrespeito ao direito de greve e das demais formas de precarização das relações de trabalho;

15) Adequação dos processos seletivos e de formação para a carreira do Ministério Público, incluindo áreas do conhecimento que exijam atenção e sensibilidade às temáticas HUMANISTAS e socialmente relevantes;

16) Enfrentamento à violência de gênero contra a mulher;

17) Defesa de ampla reforma política que funcione como prevenção à corrupção, agregue transparência e igualdade na disputa eleitoral, fortaleça a participação política dos cidadãos e contribua para o fim da crise de representação.

“Diálogo e interlocução com comunidade científica”. Isso me lembrou uma notícia. 

ABRINDO PARÊNTESE: MINISTÉRIO PÚBLICO E COMUNIDADE CIENTÍFICA

Em 06 de maio de 2020, no período da pandemia, o Ministério Público do Rio de Janeiro encaminhou aos governos DO ESTADO E DO MUNICÍPIO DO RIO (governo estadual e prefeitura da Capital) ESTUDOS E POSICIONAMENTO DA FIOCRUZ A RESPEITO DE UM ISOLAMENTO SOCIAL MAIS EFETIVO. 

Segue a fala da instituição:

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio da Força-Tarefa de Atuação Integrada na Fiscalização das Ações Estaduais e Municipais de Enfrentamento à COVID-19 (FTCOVID-19/MPRJ), recebeu, na manhã desta quarta-feira (06/05), relatório da Fiocruz em que a instituição científica se posiciona a respeito da adoção de medidas rígidas de isolamento social no âmbito territorial do estado do Rio de Janeiro.

“Com o objetivo de salvar vidas e com base em análises técnico-científicas, a Fiocruz CONSIDERA URGENTE a adoção de medidas rígidas de distanciamento social e de AÇÕES DE LOCKDOWN no estado do Rio de Janeiro, em particular na região metropolitana”, diz o ofício em que a Fiocruz encaminha ao MPRJ os estudos técnico-científicos que embasam o posicionamento da instituição.

(…)

A expressão lockdown em inglês significa CONFINAMENTO e, no contexto de medidas de isolamento social, consiste numa denominação genérica que envolve um conjunto de medidas restritivas para reduzir ao essencial o trânsito de pessoas nas ruas das cidades. No entanto, os contornos que delimitam tais medidas para um local determinado, como o Rio de Janeiro, devem ser pautados a partir da análise de dados e peculiaridades econômicas, sociais, geográficas, políticas e culturais da região, que devem servir de parâmetro para o eventual decreto da medida por parte dos gestores públicos.

N.A: [Sobre o termo isolamento social, leia o artigo “DOSSIÊ QUARENTENA/ Manipulação de dados e conceitos para fins eleitorais”, publicado pela Revista Esmeril]. 

Nesse sentido, tanto o estudo objeto da Recomendação expedida pelo MPRJ, como o material hoje recebido da Fiocruz revelam que é imprescindível um planejamento prévio e CÉLERE para qualquer medida de RECRUDESCIMENTO DO ISOLAMENTO SOCIAL, levando em consideração não só diretrizes como de saúde pública, vigilância epidemiológica e assistência social, como também a realidade do Rio de Janeiro.

Com as recomendações e ofícios expedidos, o MPRJ vem provocando o poder público municipal e estadual, no exercício de suas competências legais, a adotar ações necessárias, adequadas e eficazes mais rígidas de isolamento social (com a consequente fiscalização efetiva), a fim de tutelar a saúde e sobretudo a vida da população no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Parece que o Ministério Público do Rio Janeiro esqueceu de observar os princípios de Siracusa, adotados pelo Conselho Econômico e Social da ONU em 1984 sobre estados de emergência e liberdade de movimento, e deve acompanhar as orientações que especificam as restrições serem, no mínimo:

  • Previstas e realizadas de acordo com a lei;
  • Direcionado a um objetivo legítimo de interesse geral;
  • Estritamente necessário em uma sociedade democrática para atingir o objetivo;
  • O menos intrusivo e restritivo disponível para alcançar o objetivo;
  • Com base em evidências científicas e nem arbitrárias, nem discriminatórias na aplicação, e
  • De duração limitada, respeitando a dignidade humana e sujeito à revisão. 

E, como mostrado em artigo da Revista Esmeril, para medidas de restrição de liberdade é necessária a adesão comunitária da população interessada. Instituições técnicas não são a palavra final, logo o Ministério só deveria mostrar os estudos, e não provocar o poder público municipal e estadual a adotar ações mais rígidas de restrições de liberdade, longe da consulta popular acerca do tema. 

E, ainda, é complicado encaminhar, de forma célere, pareceres de uma instituição técnica que, em 02 de outubro de 2018, em plena corrida presidencial, recebeu Fernando Haddad, do PT, segundo o site lula.com.br, e externou um apoio público de ex-presidentes da Instituição, e do que exercia seu mandato à época. Segundo trecho do site:

Fernando Haddad recebeu um importante apoio, na manhã desta terça-feira (2/10), em sua visita ao Rio de Janeiro. Diversas entidades ligadas à saúde se reuniram, na Fundação Oswaldo Cruz, para entregar ao candidato um conjunto de cartas com reivindicações da área. E, como resposta, Haddad assumiu o compromisso de investir 6% do PIB em saúde.

No evento, os ex-presidentes da Fiocruz homenagearam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Entregamos esse documento dirigido ao Lula, que teve em toda a sua trajetória um olhar especialíssimo a tudo que é caro a nossa instituição, um projeto nacional de ciência e tecnologia, um olhar inclusivo, uma visão da saúde como central para o desenvolvimento do país. Em solidariedade a Lula e àquele que carrega esse legado e projeta para o futuro, estamos entregando nosso reconhecimento profundo da justiça ao presidente Lula”, afirmou o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha.

Os ex-presidentes da Fiocruz e os representantes de várias entidades das sociedades científicas, como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), os representantes dos trabalhadores da saúde e o sindicato dos médicos, entregaram cartas de reivindicações a Haddad. Com pequenos discursos, todos mencionaram a importância da valorização do SUS e da democracia.

Antes do candidato da coligação “O povo feliz de novo” falar, Ana Estela Haddad pediu a palavra para falar de sua emoção pela recepção, tanto do lado de dentro como do lado de fora da Fundação. “Me sinto muito parte dessa MILITÂNCIA pela saúde. Saber que o SUS e a Fiocruz têm esse patrimônio que somos todos nós. É maravilhoso saber que a gente não está sozinha, que está acompanhada de todos vocês”, disse ela, que é dentista e professora de odontologia.

Não esqueçamos que…O SINDICATO DOS TRABALHADORES DA FIOCRUZ FAZ PARTE DA FRENTE BRASIL PELA DEMOCRACIA. Como vimos em Máfias Geopolíticas e o Brasil- Parte II.

E, sobre militância progressista na área científica, há um artigo na Revista Esmeril sobre o assunto.

Fechemos este pequeno parêntese e voltemos ao Coletivo de promotores de justiça e procuradores federais. 

VOLTANDO AO COLETIVO TRANSFORMA MP…

Se eu não te dissesse que os princípios que destacamos vêm de uma carta aberta de promotores de justiça e procuradores federais, você os confundiria, facilmente, com os de um partido político de esquerda, dado o viés progressista da carta.

Seria razoável pensar assim, como eu também pensei. Mas, no dia 23 de outubro de 2020, publicado no próprio site da entidade, há uma convocação para a população, feita por certas entidades, para participarem do Fórum Social Mundial (?!), que terá como tema Justiça e Democracia e ocorrerá em setembro de 2021. 

Leia alguns trechos da carta e tire a dúvida comigo, leitor:

As organizações e movimentos sociais abaixo assinados vêm por meio desta CARTA convocar a sociedade civil brasileira, latino-americana e mundial para que se engajem no processo de preparação e realização do Fórum Social Mundial Justiça e Democracia a realizarse (sic) no Brasil, de 21 a 26 de setembro de 2021. Este processo resulta da união de várias entidades progressistas formadas por integrantes do Sistema de Justiça, a saber, os coletivos Transforma MP, Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia, Associação Juízes para a Democracia, Associação Advogadas e Advogados Públicos para a Democracia, Coletivo Defensoras e Defensores Públicos pela Democracia e Movimento Policiais Antifascistas que, frente aos ataques ao estado democrático de direito no Brasil, na América Latina, e em outras partes do mundo, sentiram a necessidade de somar esforços para criarem iniciativas conjuntas de RESISTÊNCIA.

Nem um black bloc escreveria melhor. Muito menos um marxista-leninista. 

Olha que coisa. Só no mundo progressista procuradores federais e promotores de justiça andam de mãos dadas com antifas (no caso, policiais). E olha a palavra mote da soma de esforços: RESISTÊNCIA. 

Cá entre nós, leitor: você consegue ver esse tamanho organizacional na dita direita conservadora?

Entende o tamanho do problema?

A carta continua. Mais progressista ainda. 

Motivados pelos processos dos fóruns sociais, estas organizações buscaram ampliar contatos e agregar novos movimentos e organizações para, num primeiro momento, promover um espaço de encontros e de compartilhamentos de percepções e informações e, num segundo momento, buscar construir condições para AÇÕES CONCRETAS E COLETIVAS frente à desafiadora conjuntura atual.

A carta continua nesse mote. E segue o padrão de todo o discurso progressista, com a dialética dos opostos. E sendo os progressistas os verdadeiros “heróis da resistência”.

E olha o chamamento ideológico vindo de membros do Ministério Público:

Dada a gravidade do momento é impossível que a cidadania ativa e organizada fique inerte, não se REBELE, não reaja, não resista. É preciso desnudar quem são os autores dessas violações, com especial atenção para a responsabilidade das instituições estatais, sem perder de vista as violações perpetradas também por pessoas, grupos, organizações e setores econômicos. É preciso denunciar todas as violações, criar um potente movimento de solidariedade nacional e internacional, somar esforços e buscar construir saídas. É preciso pensar alternativas, caminhos. E todos eles passam pela defesa INTRANSIGENTE da democracia e da justiça.

Os movimentos e organizações engajados neste processo acreditam que é possível, com uma cidadania ativa, organizada e mobilizada, estancar as violações de direitos e construir uma nova sociedade, socialmente justa e ambientalmente sustentável. Por isso, o Fórum Social Mundial Justiça e Democracia tem sua relevância. Porque é preciso reunir todas as forças progressistas, democráticas, populares e humanistas para juntas, buscarmos apontar saídas. A dinâmica horizontal e radicalmente democrática dos Fóruns Sociais será uma aliada para que, respeitando as especificidades, a pluralidade e os vários interesses, seja possível buscar pontos de unidade, de convergência e de AÇÕES COMUNS. Somem-se a este processo. O Brasil, a América Latina e o Mundo precisam de nossa criatividade, solidariedade e compromisso.

Indignado?

Veja as entidades que convocam:

  • ABJD –Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia
  • AJD – Associação Juízes para a Democracia
  • APD – Associação Advogadas/os Públicos para a Democracia
  • Coletivo Defensoras/es pela Democracia
  • Coletivo Transforma MP
  • Movimento Policiais Antifascistas

Ou seja, leitor: servidores públicos usam a estabilidade e seu dinheiro, para fazer militância política. 

Mas por que a esquerda se utiliza desses servidores, especificamente? Ora, como está na própria Carta do Coletivo, para ações comuns. Quer um exemplo? Vamos apenas imaginar um pouco.

Um antifa vai à rua cumprir sua missão. A polícia está nas ruas. Quem acompanhará a ação policial? Um defensor público progressista acompanhará a ação para retraí-la segundo os…Direitos humanos. 

Se a polícia investiga um antifa, ou black bloc (não importa o nome, é a mesma merda) quem é responsável por utilizar o inquérito ou arquivá-lo? O promotor de justiça que, se for progressista, arquivará o inquérito, por exemplo. Ou pode entrar em acordo com seu parceiro de ideologia para responder em liberdade a fabricação e armazenamento de bombas em manifestações. Que tal?

Se um promotor isento processa um desses arruaceiros, e leva ao juiz, se o magistrado for progressista, decidirá pela inocência, baseada em princípios, conforme seu protagonismo judicial.

Nas universidades, e em trabalhos acadêmicos, juristas progressistas farão o trabalho de legitimar ações de desestabilização em pautas humanistas, formando profissionais do Direito nessa linha de pensamento. 

E advogados públicos farão a militância em defesa de agentes desestabilizadores, como os antifas. 

Nem contei os policiais antifas. Quais as possibilidades mensuráveis quando um agente que verifica flagrante delito, colhe provas, produz autos de Inquérito policial, ou prende preventivamente, tem um viés ideológico?

Já imaginou quantos tipos de ações, decisões judiciais, foram ou podem ser baseadas na visão política desses tipos de profissionais? E suas sequelas? E prejuízos? E injustiças? Ou crimes?

Nós vimos várias dessas organizações, vinculadas aos movimentos progressistas, com base de trabalho nas universidades e escolas, inclusive para ações táticas, e até criminosas. Imagine juízes decidindo que autoridades não podem determinar a entrada de agentes policiais em universidades, públicas ou privadas, devido a algum princípio maroto para blindar agentes progressistas de desestabilização? Protegeria todas as ações táticas com um revestimento de legalidade judiciária, não é mesmo?

Pense também que, as mesmas benesses que se aplicam aos criminosos com causas revolucionárias, também poderiam ser aplicadas aos criminosos sem causa nenhuma, mas parceira do movimento antifa. Já imaginou juízes soltando vários presos para reforço das tropas táticas, ou chefões do crime organizado? Promotores arquivando processos? Ou proibindo visita íntima por “ferir o princípio da dignidade humana”, facilitando revoltas?

O crime organizado seria um grande aliado, não é? Um dos membros das jornadas de 2013 deixou isso bem claro pra nós.

Com uma estrutura como essa, por que não? Antifas e bandidos, de mãos dadas, nas ruas? 

Incendiando o Brasil?

Vamos imaginar, por exemplo, um juiz mandar soltar três pessoas, transportando 133kg de maconha, por não concordar com os argumentos dos policiais sobre a abordagem ao grupo. Imagine por um instante. Imagine que a fundamentação do magistrado fosse de, apesar de haver 133kg de maconha num carro, não haver fundadas suspeitas nem para a abordagem. Seria absurdo, não?

Claro, estamos apenas no campo da conjectura. Usando elementos reais, concretos. Dependendo da situação concreta, pode ocorrer uma coisa, todas, ou algumas combinadas. 

As possibilidades são muitas. 

Carreiristas de estado. 

Concursados.

Milhares. 

No Brasil inteiro.

Fazendo essa militância. 

Nos seus cargos públicos. 

Não foi melhor esperar 2016 passar, leitor?

Uma pergunta fica ao ar, no caso do Ministério Público: a instituição então deve chancelar toda essa militância do coletivo, não é?

Bom, vejamos o que diz RECOMENDAÇÃO DE CARÁTER GERAL CN-CNMP Nº01, DE 03 DE NOVEMBRO DE 2016. 

Nas CONSIDERAÇÕES SOBRE AS ATRIBUIÇÕES CONSTITUCIONAIS DA CORREGEDORIA NACIONAL DO MINISTÉRIO PÚBLICO, nas DIRETRIZES SOBRE A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E A VEDAÇÃO DE ATIVIDADE POLÍTICO-PARTIDÁRIA PELOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO:

III – A vedação de atividade político-partidária aos membros do Ministério Público, salvo a exceção prevista constitucionalmente (§ 3º do art. 29 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias), não se restringe apenas à prática de atos de filiação partidária, abrangendo, também, a participação de membro do Ministério Público em situações que possam ensejar claramente a demonstração de apoio público a candidato ou que deixe evidenciado, mesmo que de maneira informal, a vinculação a determinado partido político.

 IV – A vedação de atividade político-partidária aos membros do Ministério Público não impede aos integrantes da Instituição o exercício do direito relativo às suas convicções pessoais sobre a matéria, as quais não devem ser objeto de manifestação pública que caracterize claramente, mesmo que de modo informal, atividade político-partidária.

 V – A impessoalidade e a isenção em relação à atividade político-partidária são DEVERES CONSTITUCIONAIS do Ministério Público e dos seus membros na sua condição de garantias constitucionais fundamentais de acesso à justiça da sociedade, que asseguram à Instituição e aos seus membros o pleno e efetivo exercício das suas atribuições.

Mas, acho que, como é apenas uma recomendação, não possui caráter vinculante, que se dane, não é mesmo?

Será que talvez sirva, para alguma vinculação legal, a Lei de Improbidade Administrativa, a 8429, de 02 de junho de 1992, que abrange qualquer agente público, servidor ou não?  

Porque existe, nessa lei, a seção III, chamada Dos Atos de Improbidade Administrativa que Atentam Contra os Princípios da Administração Pública. No artigo 11, diz o seguinte:

Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente…

Bom, se essa lei servir para dar a vinculação legal:

Art. 12.  Independentemente das sanções penais, civis e administrativas previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de improbidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isolada ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato: 

(…)

III – na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de três anos. 

Mas, quem sabe, né? Com tanto intérprete por aí…

UMA CONVERSA RÁPIDA SOBRE O ANTIFASCISMO

Para haver o movimento antifascista, leitor, é necessário um elemento obrigatório: o anarquismo. Não adianta termos apenas comunismo e socialismo no pote. Sem anarquismo misturado aos dois, não há movimento antifa. 

E o que é anarquismo? 

Segundo o Wikipedia:

Anarquismo é uma ideologia política que se OPÕE A TODO TIPO DE HIERARQUIA E DOMINAÇÃO, seja ela política, econômica, social ou cultural, COMO O ESTADO, o capitalismo, as instituições religiosas, o racismo e o patriarcado. Através de uma análise crítica da dominação, o anarquismo pretende superar a ordem social na qual esta se faz presente através de um projeto construtivo baseado na defesa da autogestão, tendo em vista a constituição de uma sociedade libertária baseada na cooperação e na ajuda mútua entre os indivíduos e onde estes possam associar-se livremente

Os meios para se alcançar tais objetivos são motivos de debates e divergências entre os anarquistas. Com base em discussões estratégicas acerca da organização anarquista, das lutas de curto prazo e da VIOLÊNCIA, estabelecem-se duas correntes do anarquismo: o anarquismo insurrecionário e o anarquismo social ou de massas. O anarquismo insurrecionário afirma que as lutas de curto prazo por reformas e que os movimentos de massa organizados são incompatíveis com o anarquismo, dando ênfase à propaganda pelo ato como o principal meio para DESPERTAR UMA REVOLTA ESPONTÂNEA REVOLUCIONÁRIA. Já o anarquismo social ou de massas enfatiza a noção de que apenas movimentos de massa podem ser capazes de provocar a transformação social desejada pelos anarquistas, e que tais movimentos, constituídos normalmente por meio de lutas por reformas e questões imediatas, devem contar com a presença dos anarquistas, QUE DEVEM TRABALHAR NO SENTIDO DE RADICALIZÁ-LOS E TRANSFORMÁ-LOS EM AGENTES REVOLUCIONÁRIOS

Então vejamos: o objetivo do anarquismo é acabar com qualquer tipo de hierarquia ou ordem; logo, uma revolução é o meio inevitável para quebrar essa ordem ou hierarquia. Tanto que, nas duas correntes anárquicas, o objetivo delas é a REVOLUÇÃO: SEJA POR ATOS PARA DESPERTÁ-LA, SEJA POR MOVIMENTOS RADICALIZADOS ATRAVÉS DE AGENTES REVOLUCIONÁRIOS. 

LOGO, SE HÁ UM MOVIMENTO ANTIFA, SEUS AGENTES QUEREM, PRIMEIRO, APENAS A DESTRUIÇÃO DA ORDEM VIGENTE, UM ROMPIMENTO COM A ORDEM ESTABELECIDA. O QUE VIER DEPOIS, PODE SER SOCIALISTA, COMUNISTA…OU OS DOIS. 

A coisa é muito simples. 

E fica uma pergunta para você, leitor: o que faz um servidor público se tornar ANTIFASCISTA?

VOLTEMOS AOS POLICIAIS ANTIFAS

A Carta Capital disponibilizou na página uma carta dos policiais antifascistas. Alguns trechos destacamos:

Não voltaremos à normalidade, porque a normalidade era o problema”. A frase projetada na parede de um prédio da cidade de Santiago, capital do Chile, que circulou nas redes sociais como uma reflexão para um mundo pós-pandemia da covid-19, cabe como uma luva para a reação necessária às ameaças de desestabilização institucional democrática em nosso país.

Um discurso, que já vimos antes, começa:

É fato que o fascismo nada mais faz do que se apropriar e prolongar os mecanismos construídos pelas sociedades liberais. Afinal, a existência de um aparato policial violento contra as classes populares; as estruturas e agências jurídicas para sustentação de um Estado de Direito, voltado para garantir os interesses de grupos econômicos e financeiros; a governança e gestão das desigualdades sociais e da exploração do trabalho; o controle diuturno sobre os corpos e vidas dos pobres; o racismo institucional; a misoginia; a LGBTfobia; a repressão violenta contra os trabalhadores no campo e na cidade; a criminalização dos movimentos sociais; nada disso é invenção do fascismo.

Aqui se entende o porquê de um manifesto tão politizado:

Neste exato momento de ameaças de ruptura da ordem democrática institucional, “com as armas da democracia”, o Movimento Policiais Antifascismo está sendo covardemente atacado por uma investigação política do Ministério Público do Rio Grande do Norte. De acordo com o procedimento preparatório, com mais de 600 páginas, somos enquadrados ficticiamente como “grupo paramilitar”, com dezenas de policiais antifascismo sendo identificados com fotos, endereço e telefone. Um simples olhar sobre a peça investigatória faz lembrar os piores momentos dos anos de chumbo, no ressurgimento de uma polícia política, hoje comandada por um promotor de justiça. Ao mesmo tempo, um parlamentar do PSL no Rio Grande do Sul, representa do seu gabinete na Assembleia Legislativa Estadual contra um policial antifascismo de Porto Alegre, por simplesmente postar nas suas redes sociais apoio aos movimentos antifascistas locais. Não podemos esquecer também dos muitos policiais perseguidos através de processos administrativos, que visam o cerceamento dos nossos direitos e liberdades políticas, garantidos pela Constituição Federal. 

Se há uma investigação do Ministério Público, pode ser que haja alguma coisa, não é?

O que se poderia pensar de policiais com porte de arma fazendo parte de um movimento que conflita com as forças de segurança nas ruas, e atua à margem das atribuições do serviço público? É algo a se pensar. 

E quando se poderia até pensar de forma mais arrazoada acerca do grupo:

Precisamos avançar a resistência para uma aliança popular antifascismo. Não podemos conceber unidade política sem participação popular. Somos um movimento suprapartidário e não menosprezamos a luta parlamentar, que também se mostra necessária neste momento. Os partidos políticos do campo progressista são fundamentais, mas precisamos de uma Frente Única Antifascista, com a participação de sindicatos, entidades de classe, movimentos populares, estudantes, servidores públicos, acadêmicos, juristas, artistas, mas principalmente dos amplos setores da classe trabalhadora, para organizarmos uma reação às ameaças civil-militares de ruptura institucional. Somente a resistência organizada, que garanta a participação popular, poderá cumprir essa tarefa.

Vamos raciocinar, leitor: no que você acha que resultaria uma REAÇÃO DE UM MOVIMENTO DE POLICIAIS, ARMADOS, CONTRA “AMEAÇAS MILITARES”?

E o mais interessante disso é que se indignam com processos administrativos disciplinares que se amontoam ao redor deles. 

E não esqueça, leitor.  

Concursados.

Estáveis.

Exercendo suas funções, e militância.

Com seu dinheiro. 

E armados.  

Na carta subscrevem cerca de quinhentos policiais. 

ALGUNS POLICIAIS ANTIFAS A SE DESTACAR

Na lista de policiais antifascismo que subscrevem a carta, quero destacar apenas dois policiais, leitor. O primeiro:

387) Orlando Zaccone D’Elia Filho (delegado de polícia PC/RJ)

Sabe aquele policial, cujo nome estava envolvido naquela confusão de seu dinheiro doado ter ido para black blocs, e acabamos chegando a uma militância canábica? Pois é. Você deve ter se lembrado. 

Ele foi candidato a deputado, em 2018. 

Pelo PSOL

Mas o segundo não foi comentado neste artigo. 

Até agora:

220) Ibis Silva Pereira (policial militar PM/RJ)

E a este, cabem algumas perguntas a serem feitas.

APENAS PERGUNTAS

No canal de um youtuber chamado Gabriel Monteiro, há uma entrevista dele com o Coronel Ibis. No vídeo, ele afirma ser filiado ao PSOL.

E é verdade. 

Ah, e também é candidato. Na chapa para prefeitura do Rio, como candidato a vice-prefeito para as eleições deste ano.

Pelo PSOL

Aproximar os militares era uma estratégia da esquerda para as eleições deste ano, leitor, como visto em Máfias Geopolíticas e o Brasil, conforme orientação de… Fernando Henrique Cardoso. 

Voltemos à entrevista. Só que, neste caso, leitor, teremos uma análise de um profissional de linguagens não-verbais: Ricardo Ventura, o qual, no seu canal “Não minta para mim”, ele analisa as linguagens não-verbais do coronel… Antifascita da PM. 

Destacaremos alguns comportamentos não verbais no decorrer das falas e, em trechos interessantes para análise, transcreveremos a análise do profissional de linguagem não-verbal, devidamente identificado. 

Segue a entrevista.

Uma pergunta, feita por Gabriel Monteiro, fica em destaque:

– COMO QUE O SENHOR SENDO POLICIAL MILITAR, EX-COMANDANTE DA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, CONSEGUE ENTRAR NUM LOCAL ONDE HÁ CONFLITO BÉLICO, MORTE DE INÚMEROS POLICIAIS MILITARES, E NADA ACONTECE COM O SENHOR?

Enquanto a pergunta é feita, o coronel coça o nariz. 

[RICARDO VENTURA – RV] Então ‘vamo lá’: ‘cê’ viu que ele ‘tava’ ali…Atento ali, às perguntas do Gabriel, e aí, quando fala ‘você consegue adentrar’(…)…Onde há conflitos bélicos, ele já começa a se tocar, toca no nariz, aí…’Podia ser uma rinite, Ricardo’? Poderia, né? Vamos ver se ele se toca em outros lugares? Vamos ver se ele se incomoda no decorrer da pergunta ou…Só quando a pergunta é contundente, só naqueles momentos mais estressantes ele faz esses ‘toques’. E ‘vamo’ ver se é só no nariz. Porque se fosse só no nariz, podia ser uma rinite, podia ser uma coceirinha, podia ser um pelinho ali. Vamos ver se ele se toca em outras partes também? Vamos juntos, vem comigo.  

Ibis responde:

Os conflitos bélicos não acontecem em todo momento, em todos os lugares na Maré…não é? [o coronel coça a nuca] Em todos, não! Ali não acontece…

[RV] Então ‘vamo lá’: Ele não responde. ‘Como é que o senhor consegue’? Ele poderia responder ‘Eu consigo por causa disso’, ou ‘Por causa daquilo’…Mas ele começa a fazer o quê? Repostas de assuntos satélites. Ele não responde como que ele conseguiu adentrar no coração ali, da Favela da Maré, acho que é isso o nome, e não consegue responder essa pergunta. Ou seja, ele vai pra assuntos satélites: ‘não, não acontece os conflitos a todo momento, e tudo mais…’

[RV] Aí…Coçadinha na nuca, né? ‘Não é toda hora que acontece, né?’ Então já tivemos um toque no nariz, agora um toque no ‘cocoruto’, e aí ele [Gabriel] faz uma cara de ‘Aaah, não acontece toda…? Aaaah, que que é isso, coronel?. Vamos seguir. 

[RV] ‘Em todos, não’, e aí ele [Ibis] fecha o olhos de forma contundente(…) E aí, fecha os olhos, tira a pergunta da frente [no gesto com a mão direita], incomodou, coçou a cabecinha… Segundo elemento que transforma isso em desconforto, não quer falar sobre o assunto…Vamo lá. 

Gabriel interpela:

Coronel, ali é o coração do Comando Vermelho, da milícia…

Ibis rebate:

– Gabriel, você sabe o que que acontece o tempo inteiro [coça a orelha], além do mais…

[RV]…Mais um toque agora, agora é na orelha. Mais um toque na orelha, então, além do nariz, a gente teve o ‘cocoruco’ e agora a orelha. Desconforto total em falar desse assunto dele estar lá dentro da Favela da Maré. Vamo lá. 

Gabriel repisa:

– Coronel, me desculpa, ali é o coração, todo mundo conhece ali. Eu quase morri por… Eu cheguei, eu cheguei perto, ali na Avenida Brasil eu quase morri. Como que o senhor, sendo um coronel da polícia militar, consegue entrar lá e não é morto, não é esfaqueado, as pessoas não jogam fogo em você? Existe alguma “broderagem” entre o senhor e as vítimas da sociedade… Algo do tipo?

Durante a pergunta, o coronel coça os olhos, tosse, e coça o pescoço, e coça o queixo. 

[RV] Agora coça os olhos mais uma vez…Olho, tapa o olho…Tossizinha…E nessa hora, olha que interessante aqui, ó [5:20min do vídeo e seguintes]: ‘As pessoas, que vão lá, que qualquer policial que vai lá, os cara taca fogo,né…É tiro, granada, bomba. Como é que cê consegue entrar e sair’…E ele[Ibis] faz um [sinal] que ‘sim’, e faz o quê? O sorrisinho do psicopata, o sorrisinho daquele de satisfação…Lembre-se, o sorrisinho do psicopata não é porque a pessoa é psicopata. É chamado assim o dunping delight’. Ou seja, é aquele sorrisinho(…) de ‘Eu sei o que vocês fizeram no verão passado’. É aquele risinho de soberba, de autoridade.(…) Esse pequeno sorriso em que fala assim: ‘É isso aí. Eu entro e saio e não acontece nada comigo’. (…) ‘Vamo’ pra frente, ‘vamo’ ver mais coisa.  

[RV] Aí ele [Gabriel] fala: ‘existe alguma camaradagem, existe alguma coisa ali… Aí, mais um toque em outro lugar, ou seja, a gente teve toque no nariz, toque no olho, toque na orelha, toque no ‘cocoruco’ agora toque aqui [indicando pescoço]. Essa pergunta deixa ele [Ibis] muito desconfortável. A gente vai ver que, durante a entrevista inteira, ele não tem esses toques em relação…À entrevista em si. Em relação à entrevista ele tá muito tranquilo. Até demais. Eu achei assim…De uma tranquilidade absurda dele ‘tá’ falando com o Gabriel e não perdendo a calma, eh, não perdendo o prumo. Ele consegue… também, trinta e três anos de Polícia ali, ele consegue dialogar, ali, com seu afrontador. Mas quando pergunta ‘como é que você consegue entrar lá e sair?’ Ele não responde. E ele se toca todo, faz o sorrisinho de soberba…Vamo lá. 

E Ibis responde, olhando fixamente para Gabriel, que está com o olhar fixo no celular, o qual está segurando para filmar a entrevista. 

– Gabriel, eu passei 33 anos na Polícia. Eu tive uma carreira…Honrada [Ibis tenta alcançar o olhar do Gabriel, que continua a olhar para o celular], dentro da Instituição e eu acho que eu passei mais tempo dentro da Polícia [tosse] do que você deve ter de idade. 

[RV] (…) ‘Passei trinta e três anos na Polícia’. Ele não responde. Ele vai pra outro assunto satélite. Primeiro ‘ah, não há conflito em todos os lugares’; depois ‘não, eh, eu tenho 33 anos de Polícia’ e não responde. (…) Garganta seca, dá uma tosse, dá um desdém (…). Quer dizer, ‘eu tenho mais tempo de Polícia do que você de idade’. 

Gabriel retruca:

– Então, acho que isso é mais um agravante. Como que o senhor, com toda essa experiência, 33 anos de Polícia Militar, entra na Maré e não é morto? O CHOQUE, O BATALHÃO CONVENCIONAL, O 22º BATALHÃO DA POLÍCIA MILITAR CHEGA PERTO, TOMA TIRO, ADOIDADAMENTE…Já tivemos policiais do Choque, do BOPE, (…)que morreram naquele local e como que NADA acontece assim com o senhor? O senhor é vinculado ao PSOL, né, o gabinete do PSOL. Isso tem alguma ligação? Entre o PSOL…

Durante a pergunta, o coronel coça o queixo, tosse, coça a face. 

Quando fala sobre o PSOL, Ibis responde rápido:

– Evidente que não, tem nada a haver. Eu fui…eh…Dentro…da…[olha ao longe, apontando para baixo]…Dentro de..Fui…Dentro de uma…[coça a nuca, olhando pra baixo]…ONG pra dar uma aula sobre segurança pública [continuando a coçar a nuca]

[RV] Essa parte é bem interessante. Então ele [Gabriel] pergunta:  você tem alguma relação, PSOL, tem alguma relação com a Favela da Maré (…) Que que tem essa relação toda aí? E o que que ele [Ibis]responde? Vamo ver? ‘Eu fui…’ Onde é que ‘cê’ foi? Onde é que ‘cê’ foi? ‘Cê’ foi dentro da…? ‘Eu fui dentro…’ Aí coça, aí já não tem tanta certeza onde é que ele foi… ‘De uma…’ De uma o quê? De uma…’De uma ONG…Pra dar uma aula’ e aí olha fixamente pro seu interlocutor. É bem clássico de quem tá INCONGRUENTE, de quem não tem certeza do que é aquilo que ele tá falando realmente é real (…) 

Ah, dar uma aula? – retruca Monteiro. Porque eles são muito interessados, né?

– Era um curso. 

– Ah, um curso? Dentro de favela, e não foi morto? 

Ibis e Gabriel falam ao mesmo tempo por alguns segundos. Ibis retoma:

Eu fui duas vezes. Eu fui duas vezes que o meu interesse…[olhando fixamente para uma direção] o meu interesse é poder contribuir com a experiência que eu tive… Na Polícia… Nos meus anos de vida…Segurança pública é um tema que me interessa, como sei que interessa a você também [tosse]

[RV] E ele continua com assuntos satélites. E ele vai fazer isso o tempo inteiro. O tempo inteiro. Ele não responde a história de ‘tá’ dentro numa ONG, dando uma aula… Ele mesmo não acredita muito nessa história, ele coça, ‘não, não eu não fui ali, eu não tava ali bem, eu tava ali, tal…’, e é o tempo inteiro nisso. 

– Interessa a todo mundo, mas ninguém entende como que o senhor entra, no coração do Comando Vermelho, e não é morto, sendo policial militar. 

Ibis tenta responder:

– Para isso acho fundamental…

Gabriel pergunta:

– Se eu entrar lá hoje, agora. Eu vou ser morto?

[RV] A pergunta é: como é que o senhor consegue entrar lá e não ser morto? ‘Não, para isso eu acho fundamental…’ e vai floreando a resposta e não vai pra resposta efetiva. Olha: [a expressão do Ibis de] Surpresa! Por quê? Ele já imaginou ele entrando no mesmo lugar que ele entrou. ‘Se eu entrar lá, eu vou ser morto?’ E olha o olhar de surpresa [de Ibis]. 

– [Ibis coça o nariz] Não sei, não sei.

– [Monteiro ri] O senhor que sabe que…

Eu espero que você não seja. 

[RV] E dá até um sorrisinho, né? ‘Espero que você não seja’

– O senhor me aconselha a ir na Maré agora onde o senhor já foi?

Não. Eu te aconselho a fazer o que eu tento fazer. Contribuir…Para que, através do debate a gente possa ter uma…Uma…Uma cidade mais pacífica. 

[RV]Pronto! ‘Contribuir…’ E vai, de novo com assuntos satélites, floreados, e não responde. Qual que é a tática, como é que ele consegue entrar no coração do Comando Vermelho e sair vivo sendo ele um policial? Essa é a pergunta.  

– Coronel, desculpa. Se eu entrar agora num local onde o senhor iria, ou no local onde o senhor já foi, eu vou ser morto ou não vou ser morto? Porque se o senhor me garantir minha segurança eu vou lá agora. 

[Ibis coça a cabeça] Eu não tenho como garantir. 

[RV] ‘Eu não tenho como garantir’…E dá aquele sorrisinho de novo.

– Então como o senhor entra lá e nada acontece?

– Olha, eu não entro lá. Da maneira que você ‘tá’ falando, parece que eu entro lá o quê? A qualquer hora…

– O senhor já entrou duas vezes, ia de novo, não foi porque…

– Eu não entrei…Dentro de qualquer espaço. Entrei dentro…

[RV] ‘Eu não entrei dentro de qualquer espaço’. 

A rua onde o senhor ia era uma BOCA DE FUMO, coronel. Todo mundo sabe.  Ali era uma boca de fumo. Policiais militares já foram mortos ali nas adjacências, coronel. É muito estranho. 

Pela primeira vez na entrevista, durante a fala de Gabriel, o coronel somente olha para o entrevistador, sem nenhuma coceira ou outro comportamento similar. 

[RV] ‘Eu entrei dentro de uma…Dentro de uma…Aí [a expressão do Ibis era de] raiva, quando ele [Gabriel] fala ‘ali é uma boca de fumo’. Raiva. Trava a boca. Olha fixamente. Tensionamento das pálpebras. Raiva. Mandíbula Travada. (…)Raiva mais contundente. Travando sobrancelhas ao meio…

O senhor é do PSOL, não é? – pergunta Gabriel. 

– Eu sou filiado [coça o nariz]

[RV] ‘Sou filiado ao PSOL’, taca a mão no nariz…O nariz até acho que é uma corizazinha. Agora todo o resto dos toques. 

Existe alguma ligação entre o PSOL e a criminalidade na Maré?

– Claro que não existe. Claro que não existe. Aliás eu não entendo por que é que…Eu estou aqui dando ouvidos a você. 

– Ah, o senhor é que tem que saber. 

A entrevista continua. Falam sobre questões ideológicas. Até Gabriel interpelar novamente, aos quase seis minutos de vídeo:

– [5:57min e seguintes] Na prática, coronel. Como é que faz na prática? Vagabundo lá na Maré, lá na Maré, como é que faz? Na Maré onde o senhor foi, inúmeros bandidos de PONTO 30, PONTO 50, de fuzil, o senhor prendeu lá alguém de flagrante delito? Os bandidos de fuzil que o senhor viu?

[RV] (…) [Ibis] se coça, continua se coçando, se tocando… 

– Eu, eu…Você não ‘tá’, você…Olha só…[pausa na fala]. Pra gente…Continuar dialogando eu, eu tô…[olha pro lado, pausa na fala] eu tô procurando te dar maior… A gente precisa…

[RV] Olha só: e não responde... 

– O senhor prendeu algum bandido de fuzil lá?

– A gente precisa…

-Flagrante delito, né?

A gente precisa ter…Um certo nível de…Respeito entre a gente…

– Ali há todo um respeito. 

– Não, não, não. Parece que você, se você…Com todo respeito, acho que você tá…eh…Desrespeitando a minha…A minha…Digamos assim…A minha biografia. Porque do jeito que você ‘tá’ falando aí [e aponta para a câmera do celular]…

– O senhor prendeu alguém? O senhor foi na Maré. Com certeza o senhor viu elementos de fuzil. O senhor prendeu alguém?

– Do jeito que você ‘tá’ falando, do jeito que você ‘tá’ falando, do jeito…Que eu já percebi que você conduz as coisas, você pode ‘tá’ tentando me…De alguma maneira…Levantar uma…Uma suspeita contra minha idoneidade. Eu sou uma pessoa séria. Eu sou uma pessoa séria. Eu passei 33 anos dentro da Instituição. Eu nunca tive um desvio de conduta. Ao longo da minha vida eu prendi muita gente. Eu fui um policial correto…Não é à toa que dentro da minha instituição eu atingi cargos relevantes…E eu acho que você…Eh…

– Só quero entender se o senhor prendeu ou não bandidos de fuzil e de granada na Maré?

Eu não vou te responder…

O senhor não foi na Maré? E lá não tem bandidos de fuzil ? O senhor prendeu alguém ou não? É só isso. Acho que é simples. 

Não, não é simples. 

A conversa continua nesse impasse até o final do vídeo.

E Ricardo Ventura fez considerações finais acerca do vídeo. 

Agora considerações finais. Você viu muito desconforto. Vou até desconsiderar o nariz, que parece que é uma sinusite, mas teve olho, teve toque na orelha, teve toque aqui, teve toque ali (…) e assuntos satélites. ‘Como é que você faz para entrar e sair?’ ‘Não, eu tenho 33 anos de Polícia’. ‘Como é que você faz para entrar e sair?’ ‘É, se você entrar, eu acho que você morre, né?’. ‘Não, mas o senhor prendeu alguém, já fez aquilo?’ ‘Não, o assunto não é bem esse’, ‘porque veja bem, eu acho que a violência, matar bandido não é a solução, eu acho que é não sei o quê…’E ficou rodeando e não respondeu categoricamente dizendo ‘olha, eu fui lá pra fazer isso, isso, isso..’. E quando falou ‘não, eu fui lá num… eh,ali…num… é… é… Uma ONG, UMA ONG’, ‘Ah, escola, UMA ESCOLA, ESCOLA’(…) Então…Ficou mal contada essa história. Acho que tá muito clássico… 

E o analista conjectura fatos.

… E foi por isso que ‘Gabrielito’, este cara aqui, perdeu posse de arma dele e provavelmente ele pode ser expulso da corporação. Olha que loucura. 

E deixa uma pergunta para seus seguidores:

O que [é] que você achou disso tudo? Um coronel consegue entrar lá, no coração ali, na Favela da Maré, no Complexo da Maré, onde é o, acho que é, o Comando Vermelho que manda ali… Não sei se é o Comando Vermelho, PCC, eu nunca sei essas siglas aí…E aí, você acreditou na resposta dele? Não acreditou?

O que podemos depreender, leitor, é muito simples:

– O Rio de Janeiro tem, como candidato a vice-prefeito, um policial antifa, que possui porte de arma, o qual concorda com uma “uma reação às ameaças civil-militares de ruptura institucional”, como descrito na carta que ele mesmo subscreveu.

Esse candidato a vice-prefeito tem trânsito num local que é o coração de uma facção criminosa, onde os policiais que entram tombam ou tomam tiro. E ele, um policial antifascista, vai e volta ileso. 

É suficiente o entendimento, leitor?

BITCOINS, DIÁLOGO INTERNACIONAL… E O JOGO DO CAOS

Em cinco de junho o portal Live Coins mostrou uma possibilidade concreta: que o movimento antifascista poderia se refugiar no Bitcoin em breve, conforme análise publicada pela Forbes. 

E o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), que conta com o apoio de órgãos como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal (PF), passou a acompanhar com afinco as manifestações antifascistas. Há suspeita de envolvimento de movimentos sociais mais radicais e de financiamento estrangeiro das mobilizações. 

Os antifas chamaram a atenção dos órgãos de inteligência. O Sisbin não foi surpreendido pelas ocupações nas ruas, mas pela atuação coordenada dos grupos. Sobretudo porque os protestos ocorreram SIMULTANEAMENTE ÀS MANIFESTAÇÕES DOS ESTADOS UNIDOS, onde alguns de seus integrantes vandalizaram propriedades públicas e privadas. 

Segundo a Revista Oeste, a similaridade e o timing dos dois movimentos foram considerados atípicos pelos órgãos de inteligência do governo. Há suspeitas de que os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, dos Estados Unidos, estejam na mira de atores da esquerda política que desejam neutralizá-los. E, justamente por isso, o sistema de inteligência já investiga a possibilidade de financiamento estrangeiro de antifas. Dos protestos ou de líderes das manifestações. 

Embora os movimentos “antifascistas” no Brasil e nos Estados Unidos tenham características orgânicas, há suspeitas de que militantes de partidos de esquerda estejam, no mínimo, aproveitando-se das manifestações para criar um clima de instabilidade política. A princípio, estão sendo monitorados líderes, organizadores e coordenadores; com quem se associam e como promovem as convocações às ruas. Além disso, o Ministério da Justiça já solicitou que a Polícia Federal instaure inquérito para responsabilizar criminalmente pessoas envolvidas em atos de depredação em todo o país.

Há o receio por parte dos setores de inteligência do governo federal de que esses movimentos possam trazer desdobramentos mais drásticos. Por exemplo, rebeliões em presídios provocadas por facções criminosas ou ações que obriguem o governo a acionar as Forças Armadas para conter as manifestações.

Teme-se que a eventual edição de um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) por conta dos protestos acirre ainda mais os ânimos e seja interpretada por outros poderes — Câmara, Senado e Supremo Tribunal Federal (STF) — como uma investida autoritária do Executivo.

Para evitar um cenário como esse, os grupos vêm sendo acompanhados por órgãos de inteligência do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, da PF, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e da Agência Brasileira de Inteligência. A intenção é punir os ativistas mais radicais ou os que estiverem envolvidos em atos de vandalismo.

Pelo que você acompanhou até agora, leitor, a lista de radicais só aumenta. 

A CNN fez uma entrevista com um grupo Antifa, publicada em 08 de junho. A reportagem encontrou os membros numa ‘ocupação’. Segundo as palavras do grupo:

“Nós somos trabalhadores, somos jovens estudantes, pessoas inconformadas com o momento político que a gente vive no país e que buscam um futuro melhor pros nossos filhos, pros nossos amigos, pras nossas famílias, esses somos nós”, diz um dos integrantes. 

Em um quarto pequeno, a reportagem foi recebida por seis integrantes da organização. No alto, as bandeiras da “ação antifascista São Paulo”.

Para eles, a roupa preta é uma tática política e tem o objetivo de dificultar a repressão do Estado – mas eles garantem que não são “black blocs”.

E é verdade, leitor, pois, como lemos no artigo de Bruno Fiuza, black bloc é uma tática, que pode ser usada por um movimento, como o antifa. 

Essa organização nasceu a partir de um grupo de amigos que se encontrava nas manifestações a favor de Dilma Rousseff, durante o período que culminou no impeachment da então presidente. Desses encontros, o grupo viu que precisava ir além das manifestações e formar um movimento político, de fato, e popularizar a luta contra o fascismo. 

Correto de novo: estavam dentro da agenda internacional. Forjada desde antes. Contra o espantalho fascista, o herói antifa. E…

…Eles admitem que a violência pode ser usada como tática. 

“Sem dúvida. Existe a necessidade da violência. A gente vive num país em que a gente tem taxa de homicídios exorbitante, extrapolante, então, é necessário. A violência ela faz parte do ser humano, faz parte da sociedade capitalista, o estado é violento com a gente, a polícia é violenta e por que não se utilizar da violência também” .

Se fica justificado o uso da violência, então…Policiais antifas podem usar suas armas de forma heroica. Ou promotores prenderem em nome de um heroísmo revolucionário. Ou juízes soltarem os heróis da democracia. Ou defensores atrapalharem as ações estatais para dar fuga aos revolucionários. Ou advogados utilizarem o sistema processual para lotar a Justiça com habeas corpus, que tem prioridade na fila de processos na mesa de um juiz. 

As possibilidades são muitas. Afinal de contas, Justiça e Democracia não é o tema do Fórum Social Mundial para 2021? Imagine essa coordenação de agentes em toda a América Latina, e todas as experiências trocadas com os diálogos internacionais fossem aprimoradas em cada encontro?

Seria uma ação continental coordenada, não é?

ANTIFAS, HAMAS, PSOL

No dia seguinte à entrevista da CNN, a Gazeta Brasil, através de uma investigação, conclui que o local onde os antifas concederam a entrevista, um restaurante, era de um simpatizante do grupo terrorista Hamas. O dono do restaurante “Al Janiah”, Hasan Zarif, foi réu por ter jogado uma bomba em manifestantes de direita em 2017.

Fomos procurar saber a respeito. 

O Al Janiah, onde trabalhavam 35 refugiados sírios e palestinos, foi alvo de um ataque na madrugada do dia primeiro de setembro de 2019, segundo informou o UOL. No vídeo da câmera de segurança do estabelecimento, era possível ver pelo menos três homens que jogaram garrafas e gás de pimenta na porta de entrada. 

Uma testemunha, que relatou a agressão nas redes sociais, afirmou que os responsáveis pelo ataque “eram três homens brancos, carecas, covardes, vestidos de preto com o símbolo do estado de São Paulo no peito esquerdo

O candidato à presidência da República à época pelo PSOL na última eleição, Guilherme Boulos, enviou solidariedade a Hasan Zarif. 

Minha solidariedade ao amigo Hasan Zarif e toda a equipe do Al Janiah, atacado ontem por uma horda de fascistas. Nenhum passo atrás. Apesar deles, o Al Janiah seguirá como um belo espaço de resistência cultural e servindo uma das melhores comidas árabes de São Paulo. Força!

Na nota do Al Janiah sobre o ocorrido, um trecho curioso:

É preciso estar atento e fortes. Seguimos! Nos mantemos firmes na luta, tão necessária nesse contexto de ataque à democracia. Nossa RESISTÊNCIA continua e nossa programação cultural segue normalmente, em defesa da Cultura e celebração da diversidade”.

Pelo contexto entre o candidato do PSOL e Hasan, o que parece é que há apenas uma solidariedade entre…Camaradas. 

E é verdade a solidariedade. 

Mas não apenas com Guilherme Boulos. 

Voltemos a maio 2017, quando um palestino e um sírio foram detidos pela Polícia Militar (PM) após se envolveram em confronto com um grupo de direita anti-imigração na Avenida Paulista, em São Paulo. Um dos detidos? Adivinha? Hasan Zarif, líder do movimento “Palestina para Tod@s”.

O protesto, combinado previamente com a Polícia Militar, se concentrou no meio e seguiu em direção ao fim da Avenida Paulista. Próximo da esquina com a Consolação, segundo relataram os ativistas anti-imigração, uma granada caseira foi jogada no meio do grupo, iniciando o tumulto. As bombas caseiras foram atribuídas por eles aos imigrantes. 

Leandro Mohallen, integrante do movimento direitista ‘Juntos Pelo Brasil’, em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou se tratar de um ataque a uma marcha pacífica.

“De repente eu vejo uma bomba caseira saindo no meio da passeata. Foi jogada por um grupo de anarquistas, parece que tinha mais que isso no meio. Explodiu, feriu um colega nosso, ele foi para o pronto-socorro agora com a perna ferida”, relatou. O colega ferido era membro do Direita São Paulo (hoje Movimento Conservador), que em 2018 elegeria outro membro, Douglas Garcia, para Deputado Estadual, em São Paulo.

O vídeo do grupo foi compartilhado por Luiz Philippe de Orleans e Bragança, descendente da família real e líder do movimento ‘Acorda Brasil’, que estava presente no início da manifestação. Ele definiu a confusão como “ataque terrorista”. 

“Eles não são a favor do diálogo. Hoje, mesmo sem a lei sancionada, tivemos um exemplo claro de um ato terrorista que aconteceu na Avenida Paulista com vítimas, de pequenas proporções, claro”, contou Edson Salomão, um dos coordenadores do Direita São Paulo. “Se sem uma lei sancionada eles são capazes de fazer isso, agredindo idosos, mulheres, estourando bombas caseiras no meio da manifestação, imagine se a lei for sancionada?”, completa.

Mas a melhor parte vem agora, leitor:

Zarif foi levado para a delegacia junto de Nur, refugiado sírio suspeito de envolvimento no tumulto. Várias pessoas seguiram até a porta do local — tanto os presentes na marcha como os simpatizantes aos refugiados. O público, no entanto, se dispersou ao longo da madrugada.

Ao todo foram seis detidos: um palestino, um sírio e quatro brasileiros ativistas favoráveis à Lei de Migração. Dois deles, detidos na porta da delegacia, foram liberados pela manhã depois de comprovarem que não estavam na Avenida Paulista no momento do tumulto. Eles teriam ido ao 78º DP para prestar solidariedade a Zarif.

Presente na delegacia, a vereadora Sâmia Bonfim, do PSOL, disse que os policiais não permitiram a presença de advogados na delegacia. Um membro da OAB-SP precisou comparecer ao local para autorizar a entrada dos juristas.

— Não há nenhuma acusação sobre a marcha. Existe apenas o flagrante sobre os detidos — disse a vereadora.

Ora, ora, ora… Parece que PSOL tem relação com simpatizantes do Hamas, com refugiados sírios e antifascistas. 

Faz sentido pra você agora, leitor, a inspiração do Coletivo Juntos!, ligado ao PSOL, em rebeliões como a Primavera Árabe?

AÇÕES COORDENADAS, ATOS MUNDIAIS

Em junho de 2020, o site da Central Única dos Trabalhadores, a CUT, divulgou um ato mundial: o Stop Bolsonaro, a ser realizado no dia 28, e teria manifestações presenciais e virtuais em pelo menos 50 países de 23 cidades contra, segundo a matéria,  a falta de política do governo brasileiro em relação à pandemia do novo coronavírus, contra os acenos de aliados do presidente pelo fim da democracia, contra o fascismo e pela dignidade de todos os povos que vivem no Brasil. CITARAM AINDA A FALTA DE UM LOCKDOWN, confinamento obrigatório para conter a disseminação do vírus, como foi adotado em outros países, e os cerca de 50 pedidos de impeachment do presidente ou pela anulação das eleições.

No Brasil, um vídeo do Secretário de Relações Internacionais da CUT, Antonio Lisboa, convocando para o ato já está circulando nas redes sociais.

 “Nesse domingo, dia 28, o mundo inteiro fará manifestações contra o fascismo no Brasil e contra o presidente psicopata Jair Bolsonaro.  É o dia mundial do #StopBolsonaro”, diz Lisboa no vídeo.

E você poderá participar de qualquer lugar do mundo, no Brasil, nas redes sociais, pelo Twitter, Instagram e Facebook. Conto com a manifestação de todos para que a gente possa derrubar esse governo fascista do Brasil e garantir a democracia do nosso país”, conclui o dirigente.

Isso nada mais é do que o diálogo internacional em pleno funcionamento, leitor, dado todo conhecimento que adquirimos até aqui sobre o assunto. 

Reflexões sobre a conjuntura

O que nós pudemos ver, na trajetória até aqui, é que o discurso feito pela esquerda, desde 2012, era um discurso antifascista. Todas as táticas tinham como alvo o fascismo. Logo, quem combate o fascismo é Antifa. Secundaristas e universitários foram forjados, de forma contínua, nessa chave psicológica. E os alvos do antifascismo já eram algo claro: o aparelhamento estatal, o ponto de estabilização social, por ser o pacificador de conflitos. Sem um ente estatal, qualquer sociedade quebra. E a força revolucionária não terá controle algum.

Essa força revolucionária foi gestada, e doutrinada, e afiada, através de um trabalho contínuo e longo… Com crianças e adolescentes, a melhor tropa de choque para enfrentar as forças policiais. Se um adolescente se ferir, ou morrer, a esquerda internacional, ligada aos Direitos Humanos, fará seu excelente trabalho de propaganda contra a força policial, pois a força de segurança, “se não acabou, tem que acabar”. Se a força de segurança nada fizer, o jovem incendeia sua casa, leitor, em nome de uma revolução que ele nunca pensou em fazer, mas que seu ídolo na escola, seja um professor, ou militante, ou servidor público, ensinou como fazer. 

Esse magnífico trabalho de modelamento foi feito por profissionais militantes das mais diversas áreas, em atividades cada vez mais transversais. Isso tudo foi feito num trabalho lento, e contínuo, de ocupação de espaços dentro do Estado quanto fora dele, com mecanismos constantes de retroalimentação ideológica, tanto para os militantes operacionais, quantos para os simpáticos à causa, através desses mecanismos. Como uma grande cobaia de laboratório, a sociedade brasileira trouxe à esquerda dois resultados: um de sucesso, as jornadas de 2013, apesar da morte de Santiago Andrade, um pouco depois. E um outro a se aperfeiçoar: a primavera secundarista, onde, ainda com poucas salvaguardas para suas lideranças, não poderia ser liberada de plano. O que gerou algumas divergências dentro da hegemonia esquerdista. 

Vale lembrar que, até hoje, nunca houve uma tal “força conservadora”. O que há são apenas algumas pessoas tentando se apresentar no cenário, no meio de uma estrutura gigantesca, monstruosa, em todos os meandros dentro do Estado, e fora dele. Formigas, insignificantes, para o mecanismo. 

Algumas formigas sabem o tamanho de sua força, e atuam, dentro de seu quadrado, fazendo seu pequeno e eficiente trabalho. E tendo resultados. Pequenos, mas que serão duradouros, e isso é o que importa. 

Outras formigas, por ignorar a realidade, ou por burrice, a qual é o misto da ignorância e arrogância, querem enfrentar o monstro sem a mínima condição para tanto. Sem nem conhecerem o adversário contra o qual combatem.  E, por sua impossibilidade, ignorância, ou burrice, essas mesmas formigas são levadas, boiando nas pautas dispersas no ambiente, atendendo indiretamente as agendas do adversário, muitas vezes nem percebendo, dada a profundidade de instrumentos na mão do oponente. 

A eleição de Bolsonaro foi um fator popular. E as expectativas da população foram as mais altas possíveis. O problema é que a população deu ao presidente a chave da casa chamada Estado. Porém a propriedade do Estado já era posse do adversário há décadas. 

Para piorar a situação, o eleitor, em 2018, votou em aparências e não no que o candidato poderia oferecer de real, per si. Alexandre Frota, como um exemplo, na corrida eleitoral, vestiu-se de patriota. Quantos não se vestiram, ou não se vestem, nestas municipais de 2020, como conservadores? Quantos a população, por sua própria culpa, por não ter a ideia do que exigir, votou, e votará, em grandes enganos?

Para que um governo possa ter governabilidade, era necessário, no mínimo, uma bancada de deputados federais e senadores realmente alinhados. O que se teve, na prática, foi a população oferecer, ao seu Presidente eleito, uma bancada de mercenários, oportunistas e alpinistas eleitorais, e alguns bem intencionados. Sobraram as nomeações governamentais, certo? Sim. Mas como guiar o Poder Executivo quando há militantes de oposição utilizando-se do seu cargo para sabotar o governo? Vimos em Máfias Geopolíticas – Parte II, associações de servidores públicos participando de Frentes de oposição. Que possuem estabilidade. Que não podem ser demitidos, em princípio. “Ah, mas existe sindicância e processo administrativo disciplinar!” Sim, você está certo. E, para contornar isso, a oposição possui, na sua carteira de possibilidades, juízes, promotores, defensores e outros carreiristas de Estado progressistas. 

O eleitor de Bolsonaro deixou seu Presidente sem uma única rota de fuga ou de refúgio aliado, a não ser uma tropa do corpo militar e alguns civis aliados, com os quais  se tem fidelidade. E, a qualquer nova movimentação, para qualquer lado, há críticos construtivos “aliados” de todos os lados. Críticos construtivos que não conseguiram fazer análises de cenário como esta, à qual você, caro leitor, está lendo neste exato momento.

Bom, chegamos a 2020. Tudo estava conforme os planos da esquerda. Este ano seria o incêndio, pois todo o ciclo se estava se iniciando novamente, com o Movimento Passe Livre. Mas a COVID paralisou a principal parte da tropa: os estudantes. Todos tiveram de ficar em casa. Tentou-se alternativas, como as torcidas organizadas. Mas ficou apenas como um ensaio. Enquanto se planejava uma alternativa de incêndio, outras estratégias foram feitas pelos oponentes do governo:

  • Reforçar o caixa eleitoral com as transferências obrigatórias do governo federal, como visto na Revista Esmeril. Feito com o auxílio de parlamentares da base eleitos para, primariamente, não deixar o governo em situações constrangedoras. Mas, mesmo assim, R$ 50 BILHÕES DE REAIS foram destinados como uso livre, que abarrotaram os caixas de Estados e Municípios em pleno ano eleitoral. Fora outras verbas destinadas. Coube apenas à Polícia Federal, e às Polícias Civis, mostrar o resultado óbvio da incompetência dos ditos parlamentares conservadores: milhões em esquemas fraudulentos, coisa que até um gari sem nenhum estudo saberia que iria ocorrer. 
  • Utilizar os peões protagonistas judiciais para o trabalho de amarrar qualquer reação governamental. Perceba que qualquer iniciativa do governo, desde contenção de controle do tráfico nos morros até a investigação de servidores públicos em militância antifa, são sumariamente colocados em debate judicial, e vetados judicialmente até onde é possível. Onde estão as frentes parlamentares para fazerem seu primário trabalho de elaborar leis? Deixando a função para o Supremo Tribunal Federal fazer?
  • Preparar uma força política gigantesca nos CINCO MIL MUNICÍPIOS, ATRAVÉS DE PREFEITOS E VEREADORES. Claro que não haverá tempo para que o eleitor possa ter uma consciência eleitoral em pleno novembro de 2020. A derrocada eleitoral será gigantesca, pelo que parece. Até porque não há muitos aliados ao Presidente com quem ele possa contar. Mas sim muitos surfistas. E beira ao impossível o Presidente, sem partido, indicar candidatos em cinco mil municípios, emprestando seu nome a pessoas às quais é impossível se conhecer em pleno processo de campanha eleitoral. Criar um partido político do zero é a solução? Não, dada a conjuntura que acabamos de apresentar.
  • Direcionar psicologicamente a direita nascente, seja para incendiar o país, ou para assentar de vez o comuno-globalismo. Para se incendiar o país, a única coisa que se precisa é de gente nas ruas pois, de dentro delas, ou contra elas, os movimentos organizados (que são milhares), podem interagir. Se houver investigados e denunciados, pelos crimes cometidos nas ruas, a tropa de progressistas no serviço público, defensora dos “direitos dos manos”, entre delegados, defensores, advogados, juízes e promotores, todos concursados e estáveis, será a salvaguarda para os criminosos. Tudo isso dentro de interpretações de princípios distorcedores da lei. Houve manifestações do Presidente a não ir para às ruas junto com os movimentos de oposição. Ainda assim, vários líderes de direita não ouviram. Seja por causa de interesses eleitoreiros. Seja por puro protagonismo. E claro, colaboraram, de alguma forma, com os conflitos nas ruas. Pergunta que fica a você, leitor: como diferenciar quem é arruaceiro e quem se defende do arruaceiro, quando todos os conflitantes se digladiam no meio da rua? Como proteger a população ordeira se ela decidiu, por conta própria, ir passear com os lobos da estepe? As forças de segurança vão conter os envolvidos, dos dois lados. E os dois lados vão detestar os agentes. Elevando a indignação dos dois lados. Até a fagulha certa…Eclodir um novo Chile. 

Por que um novo Chile? Porque o Chile é a nossa aula magna de como pode ser um assentamento de comuno-globalismo num país.

De forma definitiva. 

[CONTINUA]

Revista Esmeril - 2021 - Todos os Direitos Reservados

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