A brutalidade dos assassinatos fez muitas pessoas acharem que havia algum animal muito feroz ou um lobisomem na região e renderam ao Serial Killer também o apelido de Açougueiro de Rostov.

Se você assistiu ao filme “Dragão Vermelho”, ou ao clássico “O Silêncio dos Inocentes”, não se surpreenda ao visualizar Hannibal Lecter na descrição que seguirá. Não são poucas as coincidências, desde o histórico de violência Soviética e canibalismo contra sua família, até a formação erudita e modus operandi de seus assassinatos. 

Só não houve Clarice para chamar de sua, ou oportunidades para escapar e seguir sua vida, mantendo uma trilha de sangue se arrastando atrás de si. Não! Este Serial Killer teve sua carreira encerrada. 

Há quem especule que ele ainda se faz presente nos pesadelos da população da tradicional cidade russa de Rostov, sob domínio da União Soviética na época de suas atrocidades. 

O Estripador Vermelho

Andrei Romanovich Chikatilo é o serial killer mais conhecido da história da União Soviética, com 56 assassinatos confessados e 53 confirmados pelas investigações. 

O “Estripador Vermelho”, também chamado “Açougueiro de Rostov”, torturou, assassinou e mutilou suas vítimas, na cidade de Rostov, na Rússia Soviética. 

Nascido na Ucrânia em 1936, apenas 2 anos depois do Holodomor (Holocausto pela fome) causado pela retaliação do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) e seu líder supremo Joseph Stalin, ouvia muito as histórias de fome, morte e canibalismo, ocorridas devido ao confisco de terras e alimentos dos pequenos produtores ucranianos denominados Kulaks, que proviam milhões de lares com seus produtos. 

A Ucrânia se mostrou muito resistente às políticas comunistas da União Soviética, portanto, foi usada de exemplo. Milhões de famílias foram dizimadas pela fome e a própria mãe de Chikatilo contava a este sobre seu irmão mais velho ter sido sequestrado, assassinado e canibalizado por vizinhos; algo não confirmado, mas não impossível naquele contexto histórico.

Problemas de saúde

Chikatilo também sofria de impotência sexual e problemas urinários. Ainda assim conseguiria casar e ser pai de duas crianças. A impotência nunca foi curada e o próprio Serial Killer confessou em seu julgamento que não conseguiu estuprar suas vítimas, muitas das quais tiveram as genitálias mutiladas, arrancadas e devoradas. 

O problema urinário também lhe impunha outra vergonha: a de se urinar involuntariamente na cama todas as noites. Não é certo se esse problema persistiu na vida adulta do criminoso.

Histórico criminal

Mesmo sendo considerado muito culto, condição que o levou a manter relações e se tornar membro do Partido Comunista, não conseguia se manter em seus empregos como professor de ensino médio (era formado em Literatura Russa, Engenharia, Artes Liberais e Marxismo-Leninismo). 

As constantes acusações de assédio infantil o faziam pular de escola em escola. Esse histórico como predador sexual infantil foi apenas o começo de suas atividades hediondas. 

Finalmente obteve um emprego público em Shakhty. Pior para os moradores da pacata vizinhança.

Início dos assassinatos 

O emprego público exigia que Chikatilo viajasse com freqüencia. A nova situação do Estripador Vermelho lhe abriu o caminho da estrada sanguinolenta, que com prazer sádico percorreu ao longo da década de 1980 e até o começo da seguinte. 

Suas vítimas eram divididas entre crianças e prostitutas, escolhidas em pontos de ônibus e estações de trem. A primeira foi uma garotinha na frescura de seus 9 aninhos, raptada num ponto de ônibus e levada até a casa de campo do Serial Killer. 

Modus operandi (pode causar vômitos)

O Estripador Vermelho levava suas vítimas até locais isolados, onde as agredia com uma pancada na cabeça, amarrava e começava sua monstruosidade. 

Primeiro, arrancava a língua da vítima para que esta não conseguisse gritar, depois geralmente lhes furava os dois olhos e mutilava os genitais, que depois comia. Tudo isto ocorria com a vítima ainda viva. O instrumento da mutilação? Sua própria boca! 

Por fim, ao fracassar nas tentativas de estupro, esfaqueada diversas vezes. Houve psicólogos afirmando que cada facada representava, para Chikatilo, uma penetração sexual. Porém, o mesmo declararia durante seu julgamento:

“O que eu fiz não foi por prazer sexual. Na verdade, me trouxe paz de espírito”

– Andrei Romanovich Chikatilo

Em um dos casos a mutilação do corpo da vítima foi tão brutal e grotesca, que a polícia pensou que o assassino tivesse usado uma máquina agrícola. A ferocidade das dentadas desse psicopata também levaram a especulações sobre a existência de um lobisomem; e o próprio Chikatilo chegou a definir seu estado no momento de cada ação brutal como o de um “lobo enlouquecido”. 

Essas teorias foram inicialmente mais aceitas pelas autoridades do que a verdade: havia um Serial Killer à solta na União Soviética; algo impensável ao PCUS, que acreditava ser impossível haver esse tipo de criminoso num país comunista. Essa “crença” atrapalhou as investigações, mas não conseguiu impedir a captura do Estripador Vermelho.

Prisão e julgamento 

Em novembro de 1990 Chikatilo foi encontrado saindo de uma floresta – tipo de local onde desovava o que sobrava de suas vítimas – com sangue no rosto e um corte numa das mãos. Por ausência de provas, foi fichado e liberado naquele dia, mas o encontro de um corpo no dia seguinte, pelas autoridades, na região, mudou o rumo de sua história. 

O Serial Killer foi preso, mas seu julgamento começou apenas em 14 de abril de 1992. Ao longo dos seis meses de duração do julgamento, Chikatilo foi mantido numa jaula de ferro durante seus depoimentos, para que as famílias destruídas não lhe impusessem o mesmo martírio de suas vítimas. 

O Estripador Vermelho inicialmente negou as acusações e como havia a suspeita de motivações sexuais nos brutais assassinatos, abaixou suas calças, balançou a genital ao público e questionou:

“Olhem para esta coisa inútil, o que vocês acham que eu poderia fazer com isto?”

– Andrei Romanovich Chikatilo n

Entrevista com Bukhanovsky

Inicialmente o acusado se declarava inocente, portanto, as autoridades chamaram o psiquiatra Alexandr Bukhanovsky, na expectativa de obterem uma confissão.

O psiquiatra conseguiu que Chikatilo confessasse ter torturado, assassinado e mutilado 56 pessoas, número superior ao que a polícia havia encontrado até aquele momento. Posteriormente 53 corpos foram localizados.

Estratégia da defesa e condenação

O detalhamento de cada assassinato gerou até desmaios em público e funcionários durante o julgamento. A estratégia da defesa era fazer Chikatilo ser considerado mentalmente incapaz de responder por suas atrocidades. 

Num dos casos, o Serial Killer contou como devorou partes da garganta, braços e seios da adolescente Larissa Tkachenko, após ela rir de sua ridícula performance sexual. Para exemplificar e enriquecer a narrativa de cada crime, ele utilizou um manequim. 

Os psiquiatras arrolados pela acusação e a frieza como o criminoso contava e exemplificava cada caso, detalhadamente, convenceram o júri de que ele era mentalmente apto e sentira prazer em seus atos.

Em agosto de 1992 o Estripador foi condenado à morte. Logo após sua sentença, ele declarou ao Tribunal:

“Quero que meu cérebro seja desmontado pedaço por pedaço, e examinado, de modo que não haja outros como eu”.

Andrei Romanovich Chikatilo

Execução

Apesar da sentença ser proferida em 1992, a pena foi aplicada em 15 de fevereiro de 1994. 

O Estripador Vermelho foi levado até uma cela privativa na prisão de Rostov e executado com tiro único atrás da orelha.

Abaixo foto dos últimos momentos do Serial Killer:

Referências

Casoy, Ilana; Serial Killers: louco ou cruel?, Darkside, Rio de Janeiro, 2014.

Applebaum, Anne; Fome vermelha: A Guerra de Stalin na Ucrânia, Record, Río de Janeiro, 1ª Edição, 2019.

Pavioti, Joel; Conheça a tenebrosa história de Chikatilo, o Açougueiro de Rostov, serial killer mais conhecido da história da União Soviética, Portal Iconografía da História, link https://iconografiadahistoria.com.br/2021/02/16/conheca-a-tenebrosa-historia-de-chikatilo-o-acougueiro-de-rostov-serial-killer-mais-conhecido-da-historia-da-uniao-sovietica/ (acessado em 20, 21 e 22 de fevereiro de 2021).

Cabral, Danilo Cezar; Andrei Chikatilo, o serial killer no Partido Comunista da URSS, Portal da Revista Superinteressante, seção Mundo Estranho, link: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/andrei-romanovich-o-serial-killer-do-partido-comunista-da-urss/ (acessado em 21 de fevereiro de 2021). 

Previdelli, Fábio; ANDREI ROMANOVICH CHIKATILO: O PSICOPATA DO PARTIDO COMUNISTA NA ANTIGA UNIÃO SOVIÉTICA, Portal Aventuras na História, seção Matérias, subseção Personagem, link: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/andrei-romanovich-chikatilo-o-psicopata-do-partido-comunista-na-antiga-urss.phtml?fbclid=IwAR2UTjLwtapcc7A6FcqdHTed6o1ao_EqkOspAqYzw7Mnr_glA8JTvmG9Ai4 (acessado em 12,15, 21 e 22 de fevereiro de 2021). 


“O comunismo não é a fraternidade; é a invasão do ódio entre as classes. Não é a reconciliação dos homens; é a sua exterminação mútua. Não arvora a bandeira do evangelho, bane Deus das almas e das reivindicações populares. Não dá trégua à ordem. Não conhece a liberdade cristã. Dissolveria a sociedade. Extinguiria a religião. Desumanaria a humanidade. Everteria, subverteria, inverteria a obra do Criador”.

– Ruy Barbosa
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