Levantamento da Kelley Blue Book (KBB) publicado pela ‘Valor Investe’ usou como base os valores praticados no Estado de São Paulo.

Segundo matéria da revista ‘Valor Investe,’ publicada nesta segunda-feira (22), alguns carros seminovos estão mais caros do que os carros zero quilômetro. Entre os 10 mais vendidos, segundo a Fenabrave, cinco apresentam essa tendência.

A matéria apresenta esse comportamento atípico como algo nacional através do levantamento feito pela Kelley Blue Book (KBB), que utilizou como base os valores praticados no Estado de São Paulo. Confira tabela abaixo, retirada da matéria da ‘Valor Investe’.

A KBB especula como motivo um desequilíbrio entre a oferta e a demanda, para veículos novos e usados. A pandemia de Covid-19 teria afetado a produção de carros novos, forçando a paralisação da fabricação de modelos importantes para o mercado e provocando esse desequilíbrio.

O tempo de espera para a obtenção de alguns dos modelos zero quilômetro pode forçar a valorização dos seminovos, com baixa quilometragem. Ainda segundo a KBB, o mercado de usados está aquecido, com forte demanda.

Aumento de impostos pelo Governador de São Paulo

A partir de janeiro deste ano começou a vigorar a nova regra de tributação sobre carros novos e usados (inclui os seminovos), devido ao Ajuste Fiscal do Governado João Dória (PSDB), que aumentou o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) também sobre o setor. Os carros novos pagavam 12% e passaram a pagar 13,3%, mas passará a 14,5% em abril deste ano, enquanto o ICMS sobre carros usados saltou de 1,8% para 5,53% e será reduzido para 3,9% a partir de abril.

O cálculo também mudou, avisa o Jornal do Carro, do Estadão! Antes, o ICMS era cobrado sobre 10% do valor do carro usado, agora, será sobre 30,7%. Por exemplo, antes, quando um carro usado era vendido por 45 mil reais, a loja pagaria 18% de ICMS sobre R$4,5 mil (10% de R$45 mil), ou seja, R$810; pela nova regra, a loja pagará 18% sobre R$13.815,00 (30,7% de R$45 mil), ou seja, R$2.487,00.

Além disso, há um imposto federal de 6% sobre a diferença entre o valor de entrada e saída do veículo da loja. Por exemplo, se o veículo entrou a R$40 mil e saiu a R$45 mil, há R$5 mil de diferença, sobre os quais incidirão os 6% do tributo federal, resultando em mais R$300 de encargos. Some isso ao ICMS e haverá R$2.787,00 em impostos (R$2.487 + R$300), sobrando (neste caso) R$2.213,00 à loja; que precisa dar 90 dias de garantia e pagar a comissão do vendedor (quando houver), além de custos fixos de pessoal, aluguel (quando não é imóvel próprio), luz, água, telefone, internet, manutenção do imóvel etc., segundo matéria da Revista Quatro Rodas.

De acordo com o presidente da Fenauto, Ilídio dos Santos, para equilibrar essa conta, pode haver redução do valor que as lojas aceitam pagar e aumento do preço de revenda. Não houve previsão dos efeitos sobre o poder de barganha do consumidor que deseja utilizar seu carro usado como “entrada” para abater parte do preço na aquisição de outro, porém, se as lojas pagarem menos pelo carro usado, não é absurdo concluir que nesse caso o consumidor precisará desembolsar valor maior para cobrir a diferença.

Ainda de acordo com Ilídio dos Santos o aumento do ICMS para lojistas podem incentivar as vendas privadas e a informalidade, diminuindo a arrecadação do Estado.

Com informações da revista Valor Investe, Revista Quatro Rodas e Jornal do Carro (Estadão).


A economia não trata de coisas ou de objetos materiais tangíveis; trata de homens, de suas apreciações e das ações que daí derivam.

– Ludwig von Mises

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Revista Esmeril - 2021 - Todos os Direitos Reservados
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