Fernanda Barth conversou com Matheus Bazzo sobre o canal que agrega conteúdo dedicado à alta cultura – especialmente para conservadores

Para abrir as portas de 2020 com o pé direito, a Revista Esmeril decidiu investigar todos as possíveis estratégias e táticas aplicadas no intrincado universo das comunicações. De forma unânime, concluímos que a Lumine não poderia ficar ausente de nossa cobertura.

O motivo é claro: trata-se de uma iniciativa inovadora no segmento de streaming, bem semelhante ao formato difundido pela Netflix. A diferença primordial entre os canais está na essência do conteúdo oferecido. No caso da Lumine, a ideia central de seus criadores foi privilegiar a alta cultura e a arte, segundo uma perspectiva plenamente conservadora.

Para falar sobre os bastidores da Lumine, Fernanda Barth conversou com Matheus Bazzo Malgarise, diretor de criação, fotógrafo e cofundador da LumineTV. Vale recordar que Bazzo é mais conhecido no Brasil por ter assinado a produção do filme O Jardim das Aflições, documentário de JOsias Teófilo sobre o pensador Olavo de Carvalho.

Confira a conversa exclusiva com Matheus Bazzo.

Revista Esmeril – Fale um pouco do objetivo principal da Lumine no contexto do entretenimento atual, quase totalmente dominado por canais progressistas.

Matheus Bazzo – A Lumine é uma plataforma de filmes e séries para quem busca sentido e beleza através do cinema e das artes. Oferecemos na LumineTV filmes clássicos, documentários e séries com temas sobre religião, arte, cultura, Igreja e outros ligados ao conservadorismo. Nosso público é formado majoritariamente por católicos, cristãos e famílias em busca de bons conteúdos de entretenimento para ver acompanhados de seus amigos, ou para sua própria formação pessoal e intelectual. 

Pessoalmente, fico espantando com a situação cultural que vivemos. É um mundo extremamente afetado pelo entretenimento fútil e irrelevante, O objetivo da Lumine é apresentar uma alternativa para o consumo de conteúdos construtivos que enriqueçam o imaginário e inspirem a vida de quem trilha essa jornada conosco.

Revista Esmeril – Interessante você ter citado a beleza e harmonia. Na sua opinião, qual a importância dessa combinação nas artes?

Matheus Bazzo – A importância da beleza para as artes é mesma da bondade para as relações humanas. É simplesmente impossível convivermos sem bondade do mesmo modo que é impossível existir arte sem beleza. Claro que essa afirmação pode soar estranha em um mundo tomado pelo modus operandi da arte contemporânea, mas o campo artístico há muito tempo perdeu completamente seus critérios para compreender o que de fato é a beleza e a arte.

Nesse sentido, o cinema tem sido uma salvaguarda para as belas artes. Isso se dá por dois motivos: por ser uma expressão artística que depende da maestria de diversas técnicas (fotografia, figurino, música, teatro, etc) e também por ainda ser uma expressão artística de massas – o que exige certa “prestação de contas” com o público. Isso impede que a arte cinematográfica se feche em uma bolha alienada em que a arte pode ser tiranicamente qualquer coisa.

Inclusive, esse é um dos motivos para termos começado uma plataforma de filmes: reconhecemos o poder transformador da arte cinematográfica.

Revista Esmeril – Dito isso, na sua opinião, qual seria o papel da Lumine na guerra cultural – e na guerra de narrativas?

Matheus Bazzo – De fato, acho o conceito de guerra cultural insuficiente para justificar nossa atuação no meio artístico. É um conceito que presume o embate entre duas narrativas antagônicas. No caso, direita e esquerda. Mas essa guerra é situacional; ela acontece no plano contingente onde tudo pode mudar a qualquer momento. Um dia essa disputa de narrativas pode mudar… ou até mesmo acabar, e não pretendemos deixar de distribuir e criar filmes quando isso acontecer. Eu entendo que parte da esquerda tomou conta de áreas da cultura, mas isso se deve muito mais pela inação dos seus adversários.

Não pretendemos nos colocar dentro desse embate. Nossa batalha não é entre direita e esquerda, mas entre o que está embaixo e o que está em cima. Existem filmes e séries que merecem ser vistos e criados independente do que estiver acontecendo no campo político.

Revista Esmeril – Você tocou em um ponto muito importante – de não travar batalhas ideológicas. Mas como você definiria as estratégias da Lumine para alcançar públicos que ainda não desconfiam que são conservadores por natureza?

Matheus Bazzo – Boa pergunta. Nosso objetivo é alcançar pessoas e famílias que buscam beleza e inspiração em filmes e séries embasados em conteúdos confiáveis e construtivos. Já somos milhares de famílias com esse mesmo objetivo e nossa base continua crescendo cada vez mais.

Portanto, não nos atemos a grupos políticos ou a identidades ideológicas específicas. 

Revista Esmeril – A Lumine está interessada em fechar parcerias com empresas que pensem de forma semelhante? Já chegaram a formar acordos?

Matheus Bazzo – Por enquanto, estamos desenvolvendo todo nosso trabalho em nossa própria plataforma, dirigido esse conteúdo a nosso próprio público assinante. Temos parcerias com alguns produtores e distribuidores de filmes. Este é o cenário do momento.

Revista Esmeril – A Lumine pretende seguir o exemplo do Brasil Paralelo, unindo-se a colégios e escolas?

Matheus Bazzo – Isso já tem acontecido de maneira orgânica. Tem algumas escolas, inclusive, que já estão transmitindo nosso conteúdo – principalmente o conteúdo kids. Temos uma série incrível chamada O Pequeno Francisco, sobre a história de São Francisco de Assis. É um material lindo produzido por criadores que já trabalharam em parceria com a Disney. Pretendemos expandir nossa presença nas escolas no segundo semestre do ano.

Revista Esmeril – Além dessa experiência, você tem alguma história de sucesso que gostaria de revelar para os leitores?

Matheus Bazzo – Essa entrada nas escolas é muito significativa para mim. Sim, gostaria de contar um episódio recente, muito interessante. Um amigo, que trabalha como professor do ensino fundamental, enviou fotos do trabalho de escola de alguns dos seus alunos. A turma tem alunos com cerca de 10 anos de idade e cada um deles escreveu uma redação sobre a vida de São Francisco de Assis.

A linguagem singela daquelas crianças foi algo realmente comovente. Lembrei de algo que aconteceu comigo quando estava na quinta-série (hoje, 6º ano) e tinha mais ou menos a mesma idade. Era época de Páscoa, e a professora nos pediu uma redação sobre esse tema. Então, resolvi fazer uma pesquisa entre meus colegas para saber o que achavam da Páscoa. Fiz uma espécie de reportagem amadora a respeito da opinião pública dos meus colegas e, com base nisso, escrevi minha redação. Lembro que anotei as respostas dos colegas e escrevi uma conclusão deprimente sobre elas.

Era uma conclusão muito triste, pois quase nenhuma criança sabia o verdadeiro sentido da Páscoa. A maior parte das respostas era quase ofensiva ao tema. Essa pequena reportagem deve ter sido feita por volta do ano 2000. Para mim, isso foi um prenúncio da decadência educacional do nosso país. Quase 20 anos depois, quando meu amigo mandou uma foto do trabalho dos seus alunos e vi a beleza da resposta deles sobre São Francisco, percebi que nosso trabalho já estava atingindo o coração de quem realmente precisa. 

Revista Esmeril – Sua resposta tem muito a ver com a próxima pergunta. A alta cultura brasileira foi dizimada após anos de governos de esquerda, que a puniram por a considerarem uma “cultura elitista”. Como é possível reverter este quadro?

Matheus Bazzo – Acredito que não exista uma resposta unívoca para esta pergunta. Também não acho que exista a possibilidade de resolver esse problema de maneira centralizada. A vida cultural de um país depende de muitas iniciativas individuais isoladas. Precisamos de escritores, cineastas, produtores, poetas, pintores e outros profissionais com essa visão. Na Lumine, nós queremos levar ao nosso público algumas alternativas, em forma de filmes e séries.

Revista Esmeril – Olhando mais além, a Lumine pretende produzir ou expandir seu conteúdo original?

Matheus Bazzo – Sim, a ideia é essa. Já temos conteúdo original na plataforma e pretendemos ampliar nosso acervo no futuro. Uma novidade que sabemos que tem muita gente esperando é o documentário Vida de Sara, sobre a trajetória da ativista Sara Winter. Prevemos o lançamento para 8 de março, Dia da Mulher.

Revista Esmeril – Outro ponto crucial foi o lançamento exclusivo do documentário Caos e Ordem, de Jordan Peterson aqui no Brasil, em 2019. Conte para nossos leitores um pouco sobre os bastidores da negociação?

Matheus Bazzo – Foi ótimo você ter perguntado porque o documentário é um dos conteúdos de que mais nos orgulhamos – que consideramos dos mais importantes. Jordan Peterson é um intelectual que precisa ser ouvido. Nós conhecemos os produtores do filme, e eles foram muito receptivos conosco. O documentário apresenta toda a trajetória de vida de Peterson nos últimos quatro anos, além de revelar a correspondência entre seu discurso e sua vida pessoal. A vida de Jordan Peterson é uma verdadeira ilha de sensatez e seu trabalho procura levar ordem e sentido para a vida de milhares de jovens. Diria que recomendo seu documentário para se começar a conhecer os conteúdos da Lumine.

Quem quiser assistir ao documentário pode acessar a Lumine por 7 dias gratuitos.

Revista Esmeril – Além dos documentários, vocês almejam dar à luz megaproduções de ficção, ampliando os horizontes da Lumine?

Matheus Bazzo – Já estamos nos movimentando para isso. Aguarde!

Revista Esmeril – Do ponto de vista financeiro, você poderia revelar se o negócio já é sustentável?

Matheus Bazzo – É sim. Começamos como uma iniciativa individual e independente e tivemos uma rápida aderência do público. Posso adiantar que temos milhares de assinantes. Atualmente, somos em 10 pessoas e devemos ampliar a equipe de colaboradores, de olho no crescimento da empresa neste ano de 2020.

Para saber mais sobre a Lumine, acesse: https://lancamento.lumine.tv/cadastro/
fim
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